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16 FROM THE TOP » CARLOS ALBERTO OLIVEIRA ANDRADE Abril 2018 | AutoData fábricas têmque ser fortalecidas, e nesse modelo proposto inicialmente não era assim, não fortalecia Anápolis, tinha só um produto previsto para lá. E como foi que mesmo assim saiu ne- gócio? Algum tempo depois a Chery me pro- curou de novo, eu reafirmei que fecharia acordo só se o modelo de negócio mu- dasse completamente. E chegamos a um acerto maravilhoso, espetacular. Ainda houve um impasse no fim, eu já estava na China para assinar o contrato e pedi para incluir mais uma cláusula. Foi uma correria tremenda dos advogados lá e aqui, com fuso horário e tudo, e no fim acrescentaram. O contrato ficou pronto uma hora antes do horáriomarcado para a reunião onde fecharíamos o negócio. Aí eu fui de peito aberto, assinei mesmo e não quis nem saber. Foi uma recep- ção bonita, muito luxuosa, que eu nunca imaginei, todos os executivos da Chery estavam lá. Aquela lista daHyundai então não conti- nha algum tipo de restrição à fabricação de outra marca emAnápolis? Não, mas só pode se for separado. Es- tamos fazendo um modelo de um jei- to que as operações produtivas não se misturam, não se comunicam. Quemvai fazer Chery não tem acesso à Hyundai e vice-versa. É tudo separado. Até na pintura? Na pintura não, será comum. Uma propaganda sua diz que umgrande país precisa de uma montadora nacio- nal. Por que o senhor acredita que esse modelo com a Chery realmente repre- senta isso? Esse modelo de negócio fará com que tudo seja desenvolvido para o Brasil, dentro do Brasil e em prol do Brasil. Na primeira versão do contrato, aquele que não assinei, não tinha isso. Os carros se- rão desenvolvidos em conjunto, e serão carros muito interessantes. Os enge- nheiros vão trabalhar em conjunto nas duas fábricas. Isso só aconteceu porque Xi Jinping [presidente da China, reeleito recentemente] quer apoiar e desenvolver os Brics. Ele percebeu que os Estados Unidos seguram a China, e por isso esse é o modelo que ele quer, de apoio aos países emdesenvolvimento. Ele está tor- nando viável uma fábrica 100% nacional. É o pensamento dele, e se não fosse isso não teria acontecido. Foi por isso que a Chery se abriu tanto para a CAOA, a ponto de fazer umacordo para uma fábrica que é realmente nacional. Mas ainda assim é um acordo 50%-50%, não? EmJacareí sim, mas emAnápolis é 100% CAOA. E eles tão dando tudo para a gen- te, para desenvolver carros lá em Goiás. E a distribuição dos modelos CAOA- -Chery ficará sob a responsabilidade de quem? A gente precisa ter cuidado com isso. Nós somos distribuidores entre aspas, a empresa que vai distribuir é outra. Eu vou dar a concessão. Estamos falando de quanto tempo para estesmodelos CAOA-Cherydesenvolvi- dos aqui chegarem ao mercado? 2019, 2020, por aí. O Tiggo 2 já temmui- ta coisa de brasileiro, mas não na sua origem, o nosso negócio com a Chery omeçou agora. O contrato da CAOA com a Hyundai vai até quando? Onosso contrato é uma coisa de parceria, não temprazo, é umnegociomuito forte, muito sólido. O senhor então não pretende se desfazer da parceria com a Hyundai? Nunca, eu quero é crescer com as duas marcas. AHyundai está querendo crescer com a CAOA mesmo depois da Chery. Ela quer crescer conosco, e em breve teremos grandes decisões envolvendo a Hyundai.

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