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21 AutoData | Abril 2018 ração “tem um interesse diferente sobre o carro, e não um desinteresse”. Mauricio Greco, diretor demarketing da Ford, entende que “o sonho de ter umcarro ainda é forte”. Ciaco concorda e acrescenta que o carromantémo status de objeto de desejo, mas “agora disputa com outros itens, como o celular”. Carlos Alberto Oli- veiraAndrade, pre- sidente da CAOA Montadora, vê o tema de forma se- melhante. “O carro não é só ummeio de transpor- te. Ele dá a individualidade de cada um, a liberdade de sair, de viajar. Os filhos crescem, querem ter liberdade, e eles gostam de ter um carro, de dirigir. Isso de fato está começado a mudar um pouco mas, pelo menos para mim, ainda será assim por muito tempo.” Ciaco resume a atual circunstância: “Algum tempo atrás o carro de cada pes- soa dizia muito sobre ela, sua identidade, personalidade. Isso continua, mas agora, e da mesma forma, não ter carro também diz algo sobre a pessoa, sua identidade e personalidade”. O executivo, porém, entende que “a opção de não ter carro não significa que a pessoa odeia os carros. Ela apenas tem outra relação com eles”. Neste arcabouço de outras relações entram, naturalmente, opções diferentes das tradicionais, as mais ligadas à posse. E abre-se o caminho para aquelas que envol- vemo uso puro e simples, comoUber e as- semelhados, compartilhamento, caronas, frotas terceirizadas, aluguel por períodos mais prolongados e tantos outros, incluindo aplicativos de toda espécie. Greco, da Ford, vê comcuidado o poder de avanço dessas novidades. “Para o Brasil essas tendências ainda precisampassar por uma solidificação. O brasileiro é umpouco conservador.” Ele lembra, por exemplo, do leasing, opção de financiamento com parcelas menores mas nem sempre bem aceita somente pelo fato do veículo ficar em nome do banco, e não do comprador. Naturalmente não há uma fórmula exa- ta, acrescenta – afinal o Brasil é um País enorme e de variações extremas em di- versos aspectos. “Inicialmente essa ten- dência de desprendimento, de troca da posse pelo uso, deve encontrar público maior nas grandes metrópoles e na faixa de cima da pirâmide social.” Caoa é direto: “Essa coisa do comparti- lhamento ainda é uma novidade, ninguém sabe ainda sevai vingar ou não. De qualquer forma o carro, como veículo, continua. A questão toda gira em torno da independên- cia. O Uber é interessante em São Paulo, por exemplo, resolve algumas questões, como dificuldade de estacionamento. Mas e quando o sujeito quiser viajar? No fundo ele quer a independência do carro”. O carro parece ter futuro garantido no Brasil, e certamente bem além de 2025, em todas as faixas etárias, por duas razões fundamentais: a primeira é a extrema difi- culdade emqualquer ângulo que envolva transporte coletivo de alguma espécie, que nem de longe acompanha a real necessi- dade da população – algo que acontece há várias e várias décadas e semqualquer indicação de mudança ou melhora. E a segunda são as proporções continentais do território nacional, um aspecto impor- tante e muito diferente do que acontece, por exemplo, na Europa: sempre haverá a necessidade de um deslocamento mais distante ou personalizado, pois há gente aqui por todo lugar, afinal de contas, seja nas capitais ou no Interior. GADGETS SOBRE RODAS Obviamente a indústria automotiva como um todo, e também no Brasil, não apenas observa com extrema atenção as tendências futuras de consumo como faz o necessário para adaptar-se. Neste caminho, e lembrando a citação de Ciaco, da FCA, sobre a divisão de de- sejos, já é cristalino que a indústria preferiu trazer o smartphone para dentro do carro, quase tornando-o uma extensão dele com nuvolanevicata/Shutterstock.com

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