AD 343

47 AutoData | Abril 2018 fundamental para que as fabricantes sigam investindo em tecnologia. “Desde o Inovar- -Auto a indústria automotiva tem feito a sua parte para reduzir a emissão de poluentes, com investimentos em tecnologia. Mas se o mercado não estiver aberto para novos avanços isso pode levar as matrizes a re- pensar seus investimentos aqui.”  Em sua apresentação o dirigente da Anfavea citou também o caso das mon- tadoras do segmento premium, que sem regras específicas para produção em bai- xos volumes igualmente poderiam rever seus planos com relação ao Brasil.  Para José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, a publicação do regime pode até ficar para o próximo governo: “De- fendemos que seja o mais breve possível, mas acredito que não sairá mais este ano”. A Abeifa, segundo seu dirigente, apoia definitivamente o programa: “Participamos de quase cem reuniões em Brasília sobre o assunto, mas é importante que seja dado com um tratamento isonômico para todos os participantes da cadeia”. AUTOPEÇAS Outra clara preocupação levantada durante o evento é a possibilidade de fal- tar peças para atender à demanda, tema igualmente abordado na edição número 342 de AutoData . O alerta foi feito pelo diretor de compras da Mercedes-Benz, Erodes Berbetz: poderá haver um gargalo no fornecimento de peças caso a venda de veículos comerciais cresça acima dos 30% previstos para este ano. Segundo ele, a importação de componentes pode ser um recurso pontual para suportar esse aumento de volume.  “Alguns fornecedores, e não são todos, estão trabalhando dentro de uma margem para atender apenas essa demanda de aumento da produção de 30%. Mas temos a filosofia de permanecer bem próximos dos fornecedores. Assim, conseguimos antever esses movimentos.”  Já o diretor de compras da FCA, Anto- nio Filosa – agora nomeado presidente da FCA, emsubstituição a Stefan Ketter –, que dividiu o painel com seu colega da M-B, não vê esse risco: “Nossos fornecedores já estão preparados para o crescimento. De qualquer forma, se por acaso notarmos que há algum risco de desabastecimento, podemos ajudá-los a acelerar algum tipo de investimento produtivo”.  Filosa, que será substituído por Luís Santamaria na diretoria de compras da fabricante, destacou que a exemplo da M-B a FCAmantémmonitoramento e re- lacionamento constantes com os forne- cedores. Há na empresa dois programas que visam melhoria da competitividade dos parceiros e, consequentemente, da própria companhia: o Value Optimization Product Center, VOP, e o Supplier Integra- tion Management, SIM.  “Nossa meta é expandir esses progra- mas paramais fornecedores e outros polos automotivos da companhia. Queremos levar o que há de bom nesses modelos para todas as regiões”, revelou o executivo, acrescentando que em Goiana, PE, no Pólo Automotivo Jeep, 88 fornecedores já participam do VOP.  Na Mercedes-Benz a prática é seme- lhante, segundo Berbetz: acompanhar de perto a saúde financeira e a gestão dos parceiros “é um trabalho primordial”. Para o Sindipeças o setor de autopeças está preparado para suportar o cresci- mento da produção de veículos este ano. Segundo o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, inclusive os elos mais fracos da cadeia, Tier 3 para baixo, investiram nos últimos anos para atender produção bem acima de três milhões de veículos.  “O que pode acontecer é que os forne- cedores do Tier 3 poderão demorar mais tempo para atender às programações das montadoras caso ocorra um aumen- to das encomendas. Elas têm um tempo de resposta maior. Mas não vejo como um gargalo. Essa deterioração de que alguns falam não nos parece evidente. No ano de 2017, por exemplo, vimos mais empresas chegando ao Sindipeças do que saindo. Crescemos 4% no número de associados.”  O presidente do Sindipeças ressaltou,

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=