AD 343

8 » LENTES Abril 2018 | AutoData Arquivo Pessoal PÉ DE BREQUE Charlinho Marzanasco, vira e mexe, me faz lembrar uma versão Dr. Jekyll e Mr. Hide no universo dos jornalistas dedicados ao setor automotivo no Brasil: incrível criatividade, mente insana, ligado na tomada o tempo todo. Deixou o reportariado militante de lado há muitos anos, antes mesmo de integrar a primeiríssima fase da Audi no Brasil – e agora, 24 anos e meio depois, em 1º de março, anunciou seu desligamento da marca que ajudou a construir aqui e que, de certa forma, erigiu naquela batalha solitária fora da hora do expediente da assessoria de imprensa. Fui testemunha desse processo – assisti à evolução da carreira de Charleta desde minha entrada em Quatro Rodas, em 1980. QUE SEJA POSSÍVEL Na edição 341 desta AutoData , também aqui, no espaço de Lentes, escrevi, sem pudor, sobre a Abac pilotando uma caixa preta na forma de dados confusos. Assessor de imprensa da entidade Cláudio Licciardi dispôs-se, gentilmente, a me guiar por alguns caminhos desse mundo das empresas administradoras de consórcios e descobriu, também ele, que jamais me referi ao seu trabalho de maneira duvidosa. A verdade é que 1. há a demora de três meses na liberação de dados de parte do Banco Central, 2. a Abac não consegue tornar viável dispor de dados atualizados em função da dinâmica de suas associadas, 3. Bacen, Abac e Bolsa Cetip utilizam filtros diferentes para apresentar seus números e índices, 4. há números considerados impossíveis de ser obtidos. A confusão é, pois, institucional. QUE SEJA POSSÍVEL 2 O que me interessa, com as notas Caixa Preta, era poder ter, do mundo dos consórcios, dados tão confiáveis como os da Anfavea e os referentes ao Renavam, divulgados pela Fenabrave, para que a informação econômica venha a ser a melhor possível. E que o setor de consórcios se torne, afinal, pela sua importância e pelos volumes de dinheiro que maneja, gerador de verdadeiro indicador de informação econômica. Espero, mesmo, que isto seja possível à custa de alguma boa vontade. PÉ DE BREQUE 2 Quando cheguei à revista sua melhor fama era a de ter queimado o carpete da sala de sua casa ao preparar fondue para suas meninas. Mas ele logo ganhou um Prêmio Abril com reportagem de serviço que testava a eficiência de medidores de pressão de pneus. Com Robertinho Ferreira deu um jeito de me colocar num monoposto da antiga Fórmula 2 Sul-americana para provar que um motorista de rua, reles como eu, conseguiria domar aquela fera. Cobrir o Rally TransChaco, no Paraguai, para ele, era menos importante do que adentrar ao gramado do Morumbi envergando camiseta do seu time em jogo final de campeonato. Mesmo que por 1 curto minuto. PÉ DE BREQUE 3 Charleta era o mais novinho numa equipe de Quatro Rodas que quase só tinha figuras ilustres – e era o mais estabanado de todos, claro. Quando começou a ficar gente grande aceitou o desafio de tornar- se assessor de imprensa da Audi, mercê sua forte ligação com o melhor de todos, Ayrton Senna. Divertia-se até quando Ayrton o chamava de Pé de Breque na frente de testemunhas. E abusou dessa mercê e da sua própria criatividade – insanidade saudável? –, coordenou eventos memoráveis, pendurou carros em guindastes, usou rodovias não inauguradas para test-drives. Mesmo no caso, raro, de fiasco, até parecia que tudo estava bem. Longa vida ao Charleta nos caminhos que escolher!

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