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9 AutoData | Abril 2018 Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br Divulgação/Volvo radical transformação dos caminhos, sejam bulevares ou vielas, autobahns ou a estradinha que chega em Rio das Pedras, SP. Placas de trânsito, semáforos, as faixas brancas do asfalto jogam papel fundamental para que os autônomos existam, junto com sensores sensibilíssimos, rastreadores potentíssimos e todo um balaio de sopas de letrinhas para que um veículo saia daqui e chegue até aí sem controle humano afora aquele exercido sobre nossos smartphones. Ou seja: a infraestrutura necessária corresponde à mesma do primeiro mundo, o mundo dos países ricos. COM QUE ROUPA? 5 Cálculos não oficiais expõem que para transformar apenas o Estado da Califórnia em território de possibilidades 100% autônomas serão requeridos dólares ao tamanho de pelo menos uma centena de bilhões. Ou seja: a transformação é cara pra carái, inclusive no primeiro mundo. Então me digam com que roupa nos vestiremos para usar os autônomos por aqui? Aqui, parecem ignorar, basta chover para que o semáforo convencional da esquina embandere e fique três semanas à espera da manutenção. COM QUE ROUPA? Ouço, e me ensurdeço, que o futuro é dos veículos autônomos, certamente movidos a algum tipo de energia – e eu até acredito que sim. Acredito, mesmo, que isto venha a acontecer, mais uma revolução na forma de o homem se locomover desde quando ainda corria de quatro pelas campinas da hoje África. Cá nessas terras brasilis há quem anteveja a novidade chegando amanhã cedo, ou tão brevemente que devemos nos preparar imediatamente. E há quem diga que todo o conhecimento obtido até agora pode ser jogado fora: tudo mudou, arguem. Tudo agora é diferente, garantem. COM QUE ROUPA 6 Há, obviamente, uma outra discussão, que pode vir a ser vital: a sociedade brasileira requer, mesmo, veículos autônomos para amanhã? – e ao preço de quê? Provavelmente, dizem cientistas amigos, se tudo der certo com o País – com sua evolução tecnológica, com a formação de milhares e milhares de engenheiros e físicos, gente capacitada, com a justa distribuição de riqueza que elimine a pobreza – em coisa de duas gerações temos alguma condição de sermos autônomos no que diz respeito à mobilidade. Enquanto isso utilizaremos híbridos com álcool e elétricos plug-in – e estaremos bonitos na parada de acordo com nossas possibilidades COM QUE ROUPA? 2 Não gosto da ideia de que conhecimento acumulado venha a ser substituído assim, sem mais nem menos. Quem jogava fora conhecimento era aquele pessoal descrito pelo filme Fahrenheit 451, de 1966, obra de François Truffaut a partir de original de Ray Bradbury. Mas dizem que, à luz do futuro maravilhoso que por aí se descortina, não passamos de ignorantes. E dizem, vejam, que os donos do conhecimento são os tais de jovens: são esses os que detêm, agora, as chaves dos portões da eternidade e do hálito sempre mentolado à custa de seus hábitos de... consumo. COM QUE ROUPA? 3 Prefiro raciocínios menos espalhafatosos. Tudo acontecerá, sim, mas o ritmo das novidades nos países situados acima da linha do Equador, exceto porções da Europa Central e do Leste, da África e da Ásia, será muito mais rápido do que nos demais – claramente localizo acima da linha do Equador os países ricos e, abaixo, os pobres. Nós. COM QUE ROUPA? 4 Veículos autônomos implicam a
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