AD 348

8 » LENTES Setembro 2018 | AutoData DESIMPORTANTE? NÃO. Quem não quer saber o que os candidatos a presidente desta República estariam dispostos a fazer pelo setor automotivo se fossem eleitos? Nós, da AutoData Editora, também queríamos saber – e enviamos correspondência às assessorias de seis candidatos que não vale a pena nominar aqui. Silêncio profundo se instalou e permanece, e permanecerá até o fim dos tempos. Por que agem assim? O setor tornou- se desimportante? A conversa pode alongar-se até amanhã cedo mas tenho uma boa pista: o setor continua muito importante mas, hoje, as empresas funcionam à sombra das regras de seu sistema de compliance. Uma dessas regras, para todas as empresas, é não agir ao arrepio da lei. DESIMPORTANTE? NÃO. 2 Não há mais doações oficiais para campanhas, santo remédio para que políticos recalcitrantes revissem o seu próprio balaio de ideias. E o espaço para doações diretas ao caixa 2 também foi substancialmente reduzido. Mais: o compliance das empresas com sede nos Estados Unidos, por exemplo, implica que, no caso de serem pegas aqui com as mãos na cumbuca, ou na Tailândia ou no Quirguistão, seja preso funcionário seu na sede. Ou seja: em tese o crime não compensa como pode ter compensado no passado. E, quando não há polpuda doação à vista, não há setor da economia que sensibilize candidatos. MAIS NOVIDADES EM AGOSTO Como antecipado neste Lentes na sua edição de agosto, número 347 de AutoData , coisas realmente aconteceram lá pelas bandas daquela entidade, como anunciado, a partir do instante em que presidentes de suas associadas passaram a questionar – e não mais apenas nos desvãos das escadas –, a direção que o presidente tem dado ao seu mandato. Afinal são as associadas que, por meio de suas contribuições financeiras, sustentam a entidade-mãe – e, como os tempos ainda são difíceis, cada centavo de custo é examinado com lupa. As associadas questionam muito os custos e também a necessidade, a importância e a oportunidade de o presidente manter pelo menos dois assessores. Pode ser este o rubicão das discórdias, além de questões muito práticas, diretamente ligadas à atividade, que presidentes de associadas censuram o senhor presidente por haver abandonado. MAIS NOVIDADES EM AGOSTO 2 É sabido que, na atividade associativa, os ventos que hoje nos batem na cara são resultado de escolhas feitas muito antes. No caso dessa entidade há bem dois anos atrás o presidente foi alertado, me lembro bem, para, por favor, se preocupar um pouco menos com a preparação com relação ao futuro que pregavam assessores, para, por favor, colocar os pés na terra firme dos problemas que já se abatiam sobre os associados de suas associadas. Ele disse que daria conta de tudo – e o que se vê hoje é que presidentes das associadas realmente condenam a sua ausência do presente e criticam seus périplos mundo afora, tão distantes de necessidades práticas e urgentes do momento. Momento ao qual o presidente sempre chega atrasado. MAIS NOVIDADES EM AGOSTO 3 O desalentador, no caso, é que, aparentemente, o presidente perdeu o tempo da sua dança de acordo com os acordes que lhe vêm aos ouvidos. Parece ter trançado os pés, ter-se enrodilhado com as maravilhas do futuro. E o resultado foi assim: decidiu-se por uma visita pessoal ao seu crítico mais contundente levando a tiracolo um dos assessores muito censurado – estava decidido a demonstrar que as coisas não estavam, assim, tão más. E ouviu uma resposta definitiva: “Você, presidente, sempre será muito bem recebido aqui. Sozinho”. Pano rápido.

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