351-2018-12
18 FROM THE TOP » CARLOS ZARLENGA, GENERAL MOTORS Dezembro 2018 | AutoData No começo da entrevista o senhor elo- gioua redeChevrolet. Outrasmontadoras anunciaram recentemente criação de lojas digitais. Emque pé a GMestá neste processo? Já temos isso há quase dois anos. Uma coisa é falar ‘eu tenho digital de não sei o quê’, outra coisa é fazer a transação de forma digital, junto com seu parcei- ro. Eu não estou procurando um grande anúncio da empresa, estou procurando a eficiência do negócio. O senhor não acredita neste formato? Vou dar umexemplo para mostrar o que penso sobre o processo digital. Um ano considerando o Mercosul, 4 milhões de unidades de capacidade produtiva, uma das maiores do mundo. Temos escala, que é o mais difícil, e mesmo assim não conseguimos ser competitivos para ex- portar. Como é possível que no Uruguai, ummercado totalmente aberto, sejamais barato trazer um carro da Coréia ou do México do que da Argentina e do Brasil? Devolvendo apergunta: comoépossível? Isso acontece por uma ineficiência em toda a cadeia, somada a uma dasmaiores pressões tributárias domundo e também por grupos de interesse que se benefi- ciamda ineficiência. Criam-se privilégios para poucos que tiram oportunidade de gerar benefícios paramuitos. Várias vezes o ponto é colocado emcima das monta- doras, dizendo que aqui o carro é omais caro domundo então o lucro é omais alto do mundo. Isso é fácil de desmistificar: há vários balanços disponíveis por aí, é só olhar e ver que não temos o maior lucro do mundo – aliás ele é bem baixo. O preço é alto porque a participação de impostos é absurda. Como a indústria pode crescer com uma carga tributária dessas? Vamos pegar, como exemplo, um semicondutor. Só para transformar areia emuma tela no painel do carro, con- siderando apenas os custos trabalhistas deste processo, pagamos 130% de custo adicional frente ao que o trabalhador leva para casa. Depois pegue a logística: aqui temos os maiores custos do mundo em uma modalidade só, a rodoviária. Faltou então, em sua opinião, uma visão demais longoprazo, digamos até... 2030? Adiscussão demais oumenos incentivos foi uma perda de tempo, a discussão fun- damental deveria ter sido o longo prazo da indústria, ainda que as negociações levassem mais tempo do que levaram. O mundo está virando elétrico, e o que o Rota fala o que sobre isso? Não há no programa nemuma base para criar uma cadeia de suprimentos para isso. Este é umquadro quevai acontecer exatamente dentro do prazo do Rota.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=