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6 Lentes Maio 2020 | AutoData FaLta a PoLÍtica Lembranças da arte de fazer política me vêm à mente num sábado, seguinte ao Dia de Luta dos Trabalhadores, depois de conversar por quase uma hora com executivo amigo da indústria de veículos que me contou, em óbvio o , os bastidores da relação setor automotivo-governo desde o início da crise da covid-19. Por capacitação, e por experiência, ele tem mantido contatos semanais com equipe do Ministério da Economia, sempre por videoconferência, e o que ele conta não serve para engalanar os seus interlocutores. A síntese, de minha autoria sem a sua revisão, é a de que os liberais do governo mais desejam é que a indústria – e não apenas a de veículos – viva às próprias custas. E nem se preocupam com as consequências dadas as suas origens liberais. Pinochet, aqui, é pouco: interessa apenas o liberalismo econômico. A nal, como diz o presidente deles, “e daí?”. FaLta a PoLÍtica 2 O parágrafo acima é apenas o intróito para lembranças minhas, lembranças vívidas da Anfavea, a entidade que, vocês sabem, representa as empresas que produzem veículos no País e que já foi verdadeira máquina devoradora de es nges políticas. Emprestei meus esforços à Anfavea durante quase dois anos e meio, de setembro de 1987 a janeiro de 1990, servindo aos presidentes André Beer e Jacy Mendonça, um pouco. Demorei outro pouco para entender o sentido de minha contratação, animada pelo diretor da área de comunicação, Sérgio Duarte, diante do presidente André: em tempos de mudanças você tem a obrigação de compreender as várias línguas que a sociedade fala. Pois eu era o bicho diferente naquela oresta, aquele que falava uma língua diferente. E aqueles senhores, e os quase senhores, que compunham a mesa da diretoria realmente tinham algumas curiosidades a respeito do pensar diferente, do pensamento desigual. Não por outra razão representantes de outros segmentos da indústria de veículos, autopeças e concessionárias, particularmente, eram convidados assíduos a um drinque ao m das RDs, reuniões de diretoria, das quartas-feiras. FaLta a PoLÍtica 3 André Beer regia a orquestra com batuta à la Paganini, e tinha à sua frente, junto ao pano de fundo, executivos de primeiríssima ordem, como Harald Uller Gessner, da Karmann-Ghia, Hílton Dácio Trevisan, da Volvo, Jacques Baroukh, da Ford, Mauro Marcondes Machado, da Scania, Walter Rinaldi, da Fiat, Jacy, que sucedeu a André, da Volkswagen, Luiz Adelar Scheuer, que o sucedeu, da Mercedes-Benz, o jovem Zé Carlos Pinheiro Neto, da General Motors, Célio Batalha, da Ford, o jovem Cledorvino Belini, da Fiat. O jovem Waldey Sanchez, da Massey. Por Vicente Alessi, lho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br
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