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7 AutoData | Maio 2020 Reprodução/Whatsapp FaLta a PoLÍtica 4 Não preciso oferecer referências aos mais antigos, que as conhecem. Mas aos mais novos é útil destacar que todos os cavalheiros nominados acima – e também seus outros companheiros de diretoria –, independentemente de origem e formação pro ssional, eram especialistas no negócio veículos: sabiam o que ajudava e aquilo que prejudicava os passos da indústria automobilística brasileira. Eles viviam o negócio, compreendiam rapidinho como e porque uma pincelada tributária aqui, tipo PIS-Co ns, um vermelho do Denatran no PBT, um magenta jurídico-legal ali, e um escurão como a lei da informática da ditadura poderia ferrar toda a cadeia produtiva. Mais: estes caras, nas suas empresas, estavam acima do céu e da terra, e só ouviam aos seus presidentes – normalmente eles é que erigiam o pensamento de seus presidentes. Ou seja: eram conhecidos, reconhecidos e tratados como os líderes de suas empresas, muitas vezes na condição de primus inter pares. Não é por outra razão que falo deles. FaLta a PoLÍtica 5 Além da curiosidade sobre as ideias que a sociedade da época professava, e de entenderem profundamente do negócio veículos, algo mais distinguia aqueles cavalheiros – até onde compreendi as palavras do amigo com quem conversei no dia seguinte ao do Trabalho: para eles economia e contadoria eram uma ferramenta de trabalho, assim como uma tal arte de administrar empresas, a engenharia de forma geral e aquele pessoal do jurídico e do recém-descoberto RH. Mas eles não ignoravam, mesmo, era a política e suas artes, caminhos, descaminhos, desvarios, vitórias, desatinos. Já naquela época existia gente que formava o Centrão no Congresso Nacional – e me dá uma coceira danada de falar de um ou de outro!, de respeitabilíssimo senador da República pedindo concessionária para diretor de montadora como se falasse da noitada anterior no Piantella... FaLta a PoLÍtica 6 Mas naqueles dias, anteriores, até, à nova Constituição, executivos de forma geral prestavam uma atenção danada à política, aos políticos e aos fatos da política. E a imprensa facilitava essa tarefa: depois de 21 anos de ditadura jornalistas das editorias de política nadavam longas braçadas à cata de notícias, de histórias e de reles buxixos e fofocas. E é a este ponto que, a nal, me trazem estas lembranças: talvez me traiam meus entendimentos mas, quem sabe?, pode ser, que as sucessivas diretorias da Anfavea passaram a relegar as relações com políticos a um outro corredor da casa: tiraram-nas da sala da presidência e as colocaram no andar de baixo, e depois em alguma salinha da Casa 2, depois na edícula...

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