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6 lEntEs Junho 2020 | AutoData Ensinar E aprEndEr Mais de cinquenta anos atrás um querido amigo, geneticista de pro ssão e engenheiro agrônomo de formação, Warwick Estevam Kerr, que pelo melhor interesse da ciência importou para Rio Claro, SP, as abelhas africanas, me escrevia dizendo que as prisões políticas eram local de ensino, de um lado, e de aprendizado, de outro. Citava como exemplo os campos de concentração dos nazistas onde, a par do trabalho escravo e do zyklon B, os presos desenvolviam intenso programa de aulas multidisciplinares. Músicos ensinavam música para leigos e, principalmente, para outros músicos – e assim o faziam professores e cientistas, marceneiros, peleteiros, ourives e carpinteiros. Falsários. De acordo com o saudoso Kerr é absolutamente compreensível o crescimento da importância exponencial das ciências a partir de 1945, quando milhares de pro ssionais deixaram seus infernos e voltaram à ativa em laboratórios e em salas de aula e de pesquisa. E de espionagem. Ensinar E aprEndEr 2 Essa lembrança, do professor Kerr, me voltou agora, nesses dias da covid-19 e da clausura forçada. Pesquisarei o assunto e voltarei a ele se descobrir que gente da indústria de veículos se juntou, nesses dias, para ensinar e para aprender – para, juntos, compreenderem melhor. Pois é o que ele certamente teria feito, e incentivado, se estivesse conosco. Com a colaboração de Leandro Alves Por Vicente Alessi, lho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br rocha acima Compra, venda, fusão e incorporação de empresas são termos que estiveram muito em voga, inclusive no setor de veículos, em tempos nem tão distantes como os das primeiras edições de AutoData, que completará 28 anos em outubro. Pois a AutoData Editora surgiu exatamente no olho daquele furacão conhecido como globalização e dentre um de nossos vários orgulhos está o fato de termos sidos dos primeiros a debulhar o assunto para nossos leitores. De neoliberais a liberais puro-sangue, passando por marxistas, como o historiador e cientista social Jacob Gorender, AutoData ouviu de tudo para melhor compreender aquilo que seria uma onda econômica avassaladora na qual avoejamos até agora. Mas hoje, quase trinta anos depois, o próprio conceito de globalização parece ter perdido espaço substancial por causa da pandemia e cooperação é a palavra da moda por meio de joint-ventures. rocha acima 2 A propósito dessa ideia, cooperação, a coluna AutoData, publicada semanalmente no portal UOL, postou recentemente instigante nota sobre atuais parcerias globais tendo a Ford como agente – com a Volkswagen, por exemplo, mantém uma com foco em veículos comerciais – e destacando uma delas, muito pouco conhecida, com a indiana Mahindra. A Mahindra apenas concentrará todo o desenvolvimento de engenharia, produtos e serviços para mercados emergentes, exatamente onde um certo Brasil está assinalado. Talvez seja essa a primeira notícia concreta sobre o que o grande capital reserva para o País desde que a Ford desativou a fábrica do Taboão.

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