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6 LENTES Dezembro 2020 | AutoData Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br PRETENSÕES GLOBAIS Informa Cleide Silva, respeitável repórter, no Estadão da quarta-feira, 2 de dezembro, da disposição de Pablo Di Si, presidente da Volkswagen aqui, e de um grupo de usineiros, coisa de 150 diz ela, reunidos sob a sombra da Unica, de tratarem de envolver o álcool carburante, que só chamam de etanol, como solução para reduzir emissões e, é claro, tornar mais limpo o ar que respiramos. De acordo com a reportagem a ideia é que as empresas associadas à Anfavea abracem a ideia e que a entidade, então, “assuma a causa”. Não assumiu ainda porque, certamente, a ideia não ganhou o consenso das empresas, que podem ter ideias diferentes a respeito da utilização de álcool em seus carros. Lembro-me, bem, da afirmação de engenheiros de três grandes corporações, quando se desenvolvia o sistema flex, de que aquele projeto seria o canto do cisne do álcool. PRETENSÕES GLOBAIS 2 Ninguém duvida do papel, muito importante, do álcool carburante na matriz energética do País. Regionalizado pela América do Sul, então, teria se tornado garantia para ar mais limpo: imaginem como seria, hoje, se tivesse havido disposição política ontem. Não houve, e o setor sucroalcooleiro passou a vida dividindo o tempo em quebrar usinas e em ressuscitar usinas para tentar aproveitar mais uma oportunidade que passa à porta. Dessa vez a ideia é se juntarem ao governo e à Anfavea para tornar o álcool “uma das soluções globais para mover carros elétricos sem gerar poluentes”. PRETENSÕES GLOBAIS 3 Desconfio que será mais um esforço tipo vôo de frango pois o tempo do álcool como carburante é, hoje, muito curto: outras tantas alternativas surgiram e serão transformadas em realidade mais barata e mais tecnológica, mais contemporânea, enfim. Como é que um absoluto regionalismo, que ainda precisa ser muito bem trabalhado e acordado, e colocado em prática, e que ainda depende do governo – não estava na hora de se medir o Risco Bolsonaro? –, e que não conseguiu, em cinquenta anos, sair fora das fronteiras do Brasil, pode ter pretensões globais? VITÓRIA EM ITABIRA O ramo de veículos é rico e intenso de contrastes, em qualquer segmento que se olhe. Às vezes, mais raivosos por boas ou más razões, só distinguimos mediocridades, lugares comuns, a mesmice. Mas temos muito boas notícias de vez em quando, como a da eleição de Marco Antônio Lage para a Prefeitura da sua Itabira, lá nas terras de Minas, pouco menos de 100 quilômetros de Belo Horizonte. Ou seja: depois de deixar a FCA, de conhecer seu amado Cruzeiro por dentro e de passar pela Cemig Marco Antônio tornou-se político e obteve a indicação em primeira eleição. Seus 33 mil 141 eleitores, que lhe deram 50,59% dos votos, disseram não à política tradicional da cidade, disseram não a vinte, 25 anos de mesmice. Como profissional da Comunicação e do Jornalismo ele foi, sempre, um obstinado pela perfeição, essa mesma perfeição que não existe na política. Mas sem dúvida será obstinado por fazer o melhor pelas pessoas de sua cidade.

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