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7 AutoData | Dezembro 2020 Divulgação UM PRESS RELEASE Não é, positivamente, um bom sinal quando press releases tornam-se, em si, assunto de pauta. Há décadas assistimos ao esforço de profissionais por um texto que chegue atraente às mãos dos jornalistas e os motive. E sabemos, por experiência, o quanto é difícil contentar chefia e cliente. A língua portuguesa é plena de manhas e todos os dias aprendemos algo, não necessariamente novo. Mas gostaria de insistir, com os produtores de press releases que brindam, diariamente, as redações da AutoData Editora com seus materiais, para que, por favor, escrevam em português inclusive o cargo do profissional cuja declaração aproveitam. Dizer que alguém é head of product management & dealer strategy diz muito pouco aos nossos corações e mentes. PEDINCHÕES A Abeifa e suas associadas declararam-se, no primeiro dia de dezembro, em luta pela redução do imposto de importação. Dizem que o dólar supercotado lhes tira a competitividade e que a redução do II, de 35% para 20%, “dará alívio e sobrevivência ao setor”. Têm razão: os impostos e taxas e assemelhados que vigem sobre empresas e sobre cidadãos deste País merecem profunda revisão, já dizia André Beer 1 há cinquenta anos. Nesse tempo todo os setores abrasados pelo peso dos impostos pediram a ajuda de sucessivos governos para, digamos, proteger as suas atividades, e os postos de trabalho que elas representam e, afinal, o seu lucro honesto. Como esses sucessivos governos sempre incentivaram o pedinchonismo as situações propositadamente não foram arrumadas e volta e meia os grandes defensores da livre iniciativa e do Estado mínimo correm atrás das benesses do governo de plantão. 1 A propósito: em 9 de novembro completou-se o primeiro ano de sua morte. PEDINCHÕES 2 Talvez fosse, já, a hora de a Abeifa e outras entidades de classe se juntarem às lutas da dita sociedade civil e alargarem os esforços no sentido de dar ar de decência a nossos impostos, taxas e assemelhados. Talvez não seja a governos que devam adular na hora de certos apertos que estarão sempre presentes: se tivessem adotado outra postura, no passado, quem sabe esse tipo de questão já estaria resolvida? Talvez devessem, também, começar a medir o Risco Bolsonaro nas suas vidas.

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