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58 Novembro 2021 | AutoData AUTODATA 30 ANOS » MEMÓRIA Tudo leva a crer que 1995 poder ser, acima de tudo, o ano da consolidação de iniciativas como as que foram tomadas pela Scania em meados deste ano, de substituir gradativamente a linha de mon- tagem tradicional por células de produção que possibilitam a participação bemmaior dos funcionários nas decisões. Tudo a partir de negociações prévias com os trabalhadores e seus sindicatos, num processo que foi definido por Mauro Marcondes, diretor da empresa, como “um grande passo, um grande avanço”. As perspectivas parecem permitir, em síntese, uma boa dose de otimismo com relação ao próximo ano. Mas a prudência recomenda não descuidar de algumas nuvens que insistem em permanecer no horizonte, como é o caso do descompasso da oferta com a demanda nos populares, que ainda gera a cobrança de um sobre- preço tido como inaceitável pelo governo, hoje emprenhado no sucesso plano de estabilização econômica. PRUDÊNCIA É uma situação que, se não resolvida rapidamente pelas montadoras, por certo poderá levar a uma redução ainda maior das alíquotas de importação de acordo com advertências do governo. A prudência igualmente recomenda maior cuidado nas relações com o setor de autopeças, um parceiro incondicional em toda a fase inicial do ciclo de moder- nização hoje atravessado pelo setor mas que, agora, começa a emitir sinais de que sua taxa de contribuição ao processo pode estar próxima do limite. E aos consumidores, de qualquer for- ma, a quem certamente caberá, em 1995, o maior de todos os dilemas. O maior e também o melhor. O dilema de ter que escolher sue au- tomóvel, caminhão, ônibus entre dezenas de marcas e centenas de modelos em oferta. Todos de primeiro mundo. Sem qualquer traço de semelhança com uma carroça. Fatia dos importados aumentará Por S. Stéfani A falta de um melhor conhecimento acerca de quais serão, exatamente, as diretrizes do novo governo impede que haja consenso sobre o desempenho que pode ser esperado do setor automobilístico em 1995. Todas as montadoras trabalham, contudo, com a projeção de que as vendas do setor deverão apresentar um crescimento mínimo de 10% a 15%, tanto na área de automóveis quanto na de veículos comerciais, caminhões e ônibus. O que varia, no caso, é a expectativa de cada uma com relação ao máximo que poderá ser alcançado. Há quem aposte em 15%. Mas há também, quem arrisque previsões de 20%, 25% e até de 30%. Ao prever um crescimento mínimo de 10%, vale ressaltar, todos já levam em consideração a hipótese, tida como mais provável, de que o novo governo tenderá a manter a economia nas rédeas curtas, como forma de evitar a retomada da inflação via descompasso da demanda com a capacidade de oferta. Ou seja, há o sentimento generalizado, no setor, de que a demanda reprimida é, hoje, tão marcante que as vendas domésticas crescerão, no próximo ano, por mais que o governo mantenha as taxas de juros elevadas e o crédito limitado. Também é relativamente comum, entre os executivos do primeiro escalão do setor, a impressão de que os automóveis importados deverão ficar com pelo menos a metade, senão a maior parte, do crescimento das vendas que será registrado em 1995. As vendas domésticas, em síntese, possivelmente apresentarão crescimento razoável no próximo ano. Mas a produção, nem tanto.

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