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27 AutoData | Maio 2026 Automação é o desafio da indústria nacional para acelerar até os próximos 100 milhões País desde que o presidente da República, Juscelino Kubitschek, decidiu, em 1956, que o Brasil teria uma indústria automotiva de peso. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, contabilizava, até abril, 99 milhões 422 mil 402 veículos produzidos no País desde janeiro de 1956 – somente as unidades completamente fabricadas, sem contar os kits CKD exportados. Se somados os aproximadamente 550 mil veículos montados no Brasil de 1904 a 1955, em sua maioria a partir de conjuntos importados desmontados, os SKD e CKD, o total já ultrapassou a marca histórica e estaria em 100 milhões 38 mil 402 unidades até o mês passado. Com a produção de abril de 2026 alcançando 225,8 mil veículos, e com o ritmo do primeiro quadrimestre somando 872,6 mil unidades, projeta-se que o centésimo milhão completo será atingido até o fim de junho ou, o mais tardar, em julho, em plena Copa do Mundo. O marco chega emoldurado por outra data importante: em 15 de maio a Anfavea completou 70 anos, fundada durante o mesmo governo que deu origem à indústria que representa. São duas datas que se entrelaçam e que juntas contam a história de como um País que, no início dos anos 1950, gastava mais com a importação de veículos e autopeças do que com petróleo ou trigo, se tornou um dos dez maiores produtores mundiais, posição que mantém há décadas, com a particularidade de ter desenvolvido cadeia produtiva de alta sofisticação e de baixa dependência de insumos importados. “Este modelo que foi criado no Brasil emprega 1,3 milhão de pessoas e representa 20% do Produto Interno Bruto industrial”, afirmou Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, ao admirar a dimensão do setor no início de 2026. A frase resume bem o que está em jogo quando se fala de 100 milhões de veículos: a medida de uma aposta industrial que o Brasil fez há setenta anos e que, apesar de todos os percalços, se sustentou. Divulgação/Renault A PRÉ-HISTÓRIA ANTES DE JUSCELINO Antes de existir uma política industrial organizada para o setor já havia montadoras no Brasil. A Ford chegou em 1919, quando começou a montar o icônico Modelo T na região central de São Paulo – embora um empresário baiano, Antônio Navarro Lucas, já tivesse obtido licença da companhia para montar dez unidades por mês em Salvador desde 1918. A General Motors desembarcou seis anos depois, em 1925, montando automóveis, utilitários e caminhões em prédio alugado no bairro paulistano do Ipiranga. Apenas três anos depois os volumes de produção da GM superaram 50 mil veículos, número equivalente à toda a frota nacional em 1925. Estas primeiras linhas de montagem trabalhavam com kits importados e apostavam em um mercado que mal tinha estradas. Ainda assim, ao longo de cinco décadas, estes pioneiros – Ford, GM, International Harvester, FNM, Vemag, Brasmotor, Volkswagen e Willys-Overland – montaram no País cerca de 550 mil veículos segundo estimativas baseadas nos volumes divulgados pelos próprios fabricantes, pois não havia controle estatístico oficial da produção naquele período. Estes números modestos escondem uma contribuição fundamental: a criação dos primeiros fornecedores nacionais de componentes, que chegaram a alcançar

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