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36 Maio 2026 | AutoData A criação da Anfavea, em 1956, marcou muito mais do que o surgimento de uma entidade representativa. Foi o ponto de partida de um projeto industrial ambicioso que, em curto espaço de tempo, transformaria o Brasil de importador em produtor de veículos. E que, na mesma balada, definiria as características estruturais que o setor carregaria por décadas. As duas seguintes, 60 e 70, foram, essencialmente, o período de construção e consolidação desta base. Foi ciclo de crescimento intenso, coordenado e, em muitos aspectos, bem- -sucedido. Mas também um ciclo que plantou distorções que só se tornariam plenamente visíveis muitos anos depois. ORGANIZAR PARA CRESCER O setor automotivo brasileiro nasceu dentro de uma lógica clara: industrializar rapidamente, substituindo importações e criando capacidade produtiva local. Este plano ganhou forma no governo de Juscelino Kubitschek e seguiu, com ajustes, ao longo dos anos seguintes, inclusive durante o período do regime militar. Sob a liderança inicial de Manuel Garcia Filho, ainda no fim da década de 50, a Anfavea assumiu papel central nesse processo: não apenas representando o setor mas atuando como elo de montadoras com governos. O modelo era claro e funcionou, Por Márcio Stéfani A CONSTRUÇÃO DE UMA INDÚSTRIA Foi um período de consolidação rápida que trouxe bons resultados, mas também distorções com impactos no futuro Fotos: Divulgação/Anfavea ANFAVEA 70 ANOS » DÉCADAS DE 60 E 70 Ata de constituição da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, maio de 1956

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