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38 Maio 2026 | AutoData panhado de uma lógica clara e arriscada: expandir primeiro, ajustar depois. Desta forma o mesmo modelo que garantiu a expansão começou, já a partir dos anos 70, a revelar suas fragilidades. O mercado fechado, essencial no início, passou a gerar acomodação. A competição internacional praticamente inexistia e a inovação avançava em ritmo inferior ao de mercados mais abertos. A indústria crescia voltada quase que exclusivamente para o mercado interno. Além disso o choque provocado pela crise do petróleo de 1973 expôs um ponto crítico: a dependência de combustíveis fósseis e a vulnerabilidade da economia brasileira a fatores externos. O modelo começava a mostrar seus limites. Foi justamente neste momento que a Anfavea voltou a desempenhar papel relevante na formulação de soluções estruturais para o País. A entidade participou ativamente das discussões que ajudaram a construir, já no fim da década de 70, o Programa Nacional do Álcool, o Pró-Álcool, talvez uma das mais ousadas políticas de substituição energética já implementadas no mundo automotivo. A aproximação de governo, montadoras, fornecedores e produtores do setor sucroenergético criou as bases para o desenvolvimento dos veículos movidos a etanol. CONFLITOS E AMADURECIMENTO O fim da década de 70 também marcou o início de transformação importante nas relações da indústria com seus trabalhadores. As grandes greves do ABC paulista, impulsionadas pelo fortalecimento dos movimentos sindicais e lideradas pelo presidente do sindicato de São Bernardo do Campo, Luiz Inácio da Silva, depois Lula da Silva, revelaram tensões profundas existentes dentro do modelo industrial brasileiro. As relações montadoras-trabalhadores tornaram-se duras, muitas vezes conflituosas, colocando a Anfavea no centro de negociações extremamente delicadas. Ao mesmo tempo, porém, este processo acabou produzindo amadurecimento institucional importante. A partir dali o diálogo evoluiu gradualmente, criando mecanismos mais estruturados de negociação que seriam fundamentais para a estabilidade futura do setor. UMA ENTIDADE, UM PROJETO DE PAÍS De 1956 ao final dos anos 70 a Anfavea teve apenas cinco presidentes: Manuel Garcia Filho, Lélio de Toledo Piza, Sebastião Dayrell Lima, Oscar Augusto de Camargo e Mário Bernardo Garnero. Mais do que um dado histórico isto revela a natureza daquele momento: estabilidade institucional, forte coordenação com o Estado e alinhamento estratégico da indústria com a política econômica. Dentro desse contexto a entidade não apenas acompanhou o crescimento do setor: foi parte ativa de sua construção. Ao fim da década de 1970 o Brasil já havia consolidado uma das mais relevantes bases industriais automotivas do mundo emergente. Uma estrutura que ajudou a impulsionar a industrialização nacional, descentralizou o desenvolvimento econômico, integrou o território brasileiro e passou a exercer influência decisiva também sobre o agronegócio e a matriz energética do País. E atendeu a uma das premissas do GEIA: a substituição das importações. O autor deste texto utilizou recursos da Inteligência Artificial para efetuar sua revisão gramatical. Esta imagem simboliza o início grandioso da construção da indústria automotiva no Brasil, com o presidente Juscelino Kubitschek na inauguração da fábrica da Volkswagen, no ABC Paulista, em 1959 Divulgação/VW ANFAVEA 70 ANOS » DÉCADAS DE 60 E 70

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