43 AutoData | Maio 2026 um papel ainda mais relevante. Mais do que representar as montadoras a entidade passou a funcionar como um ponto de articulação institucional em meio a um cenário em que regras mudavam constantemente e a previsibilidade praticamente inexistia. Era, muitas vezes, o único canal estruturado de interlocução entre o setor industrial e o governo. Ao mesmo tempo o País caminhava para a redemocratização, culminando com a eleição de Fernando Collor de Mello, encerrando um longo ciclo político sem eleições diretas. A eleição de Collor pode, sim, soar como algo irônico. Dentro das fábricas o ambiente também se transformava. O ressurgimento, no final dos anos 70, do movimento sindical, especialmente no ABC paulista, alterou de forma estrutural a relação do capital com o trabalho. Sob a liderança primeiro de Luiz Inácio da Silva, seguido por Jair Meneghelli e, posteriormente, por Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, as greves aconteceram com intensidade inédita ao longo dos anos. A indústria automotiva tornou-se o epicentro deste embate. E, novamente, a Anfavea viu seu papel se expandir: além da representação institucional passou a atuar como elemento de coordenação interna do setor, alinhando posições das montadoras em um momento de forte pressão sindical e crescente exposição pública. Foi durante a gestão de André Beer que a Anfavea ampliou de forma significativa sua presença institucional junto à sociedade brasileira. Em meio a um ambiente econômico e político extremamente conturbado a entidade deixou de atuar apenas como representante das montadoras junto ao governo e passou a desenvolver uma relação muito mais ampla com diversos setores da sociedade. As relações com a imprensa evoluíram naquele período, aumentando a exposição pública e contribuindo para uma compreensão mais ampla da importância econômica de sua indústria para o País. Não por acaso foi justamente naquela década que a própria imprensa especializada começou a ganhar força e relevância no Brasil, acompanhando a crescente complexidade do setor. Outro marco importante da gestão André Beer foi a criação do Renavam, resultado de uma articulação conjunta conduzida pela Anfavea e pelo então ministro da Justiça, Paulo Brossard. O Registro Nacional de Veículos Automotores representou um avanço institucional extremamente relevante para o País, criando uma base 1981 - 1983 Newton Chiaparini 1983 - 1989 André Beer 1989 - 1992 Jacy de Souza Mendonça Protocolo de adesão das fabricantes ao então denominado álcool etílico hidratado, em meados da década anterior, incentivou a produção de modelos com motorização específica na década de 1980 Fotos: Divulgação/Anfavea
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