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71 AutoData | Maio 2026 D19 é o maior e mais tecnológico Leapmotor já produzido Os números sustentam a percepção: em 2025 a China exportou 8,3 milhões de veículos, crescimento de 30% sobre 2024 e volume mais que o dobro dos 4 milhões embarcados pelo Japão, segundo colocado no ranking global – posto que o Japão ocupou por décadas antes de perder para os chineses há dois anos. Para o mercado brasileiro o impacto vai muito além da importação de veículos. Trata-se de um redesenho da cadeia de consumo e produção. A qualidade e a automação chinesas chegaram a um nível que obriga as fabricantes tradicionais a escolher pela parceria estratégica ou pela perda de relevância. A avaliação é de Ricardo Roa, consultor especializado e líder do setor automotivo da KPMG, que retornou de sua mais recente imersão no país asiático. Para Roa o que se vê nas ruas de Pequim e Xangai, hoje, é o que vai ditar o comportamento do motorista brasileiro amanhã, num ambiente em que o software e o conforto disputam o protagonismo com a mecânica. FÁBRICAS SEM PRECEDENTES Percorrer os corredores da Auto China 2026 e visitar estandes como o da Xiaomi confirmou para Roa o que os dados já sinalizavam: a manufatura chinesa mudou de nível. O consultor, que visitou as instalações da Xiaomi em Pequim, descreve o que encontrou: “Eu nunca tinha visto uma fábrica As fabricantes chinesas e seus parceiros locais devem investir US$ 7,4 bilhões no Brasil até o fim da década, um terço do total de US$ 22 bilhões que todas as montadoras instaladas no País estão aplicando no mesmo período. daquela forma, totalmente automatizada. É um padrão em que a fábrica inteira é branca, dá uma visão mesmo daquele negócio tecnológico de futuro. Os robôs são brancos, todo o piso é branco, poucos funcionários”. O resultado dessa linha de produção vai além de um mero meio de transporte pois é um dispositivo conectado. A Xiaomi, que migrou dos smartphones para os carros, é o exemplo mais concreto da transição, com veículos que se integram ao ambiente doméstico do usuário. No segmento de luxo a distância com relação aos ícones europeus já não é tão nítida. Durante visita à Nio, empresa dedicada ao topo da pirâmide executiva, Roa destacou o refinamento da experiência de bordo. A grande novidade foi o software de suspensão, que mantém o carro estável mesmo sobre terreno irregular. “A experiência do carro deles é um padrão no estilo Rolls Royce chinês, futurista. O software de suspensão permite que o carro passe em buraco e continue estável. Você pode tomar vinho ali dentro sem derramar.” Esse foco no que Roa chama de experiência 5D, que vai do aroma da cabine a softwares de massagem de série, indica que a China entendeu que o valor agregado deixou de estar no motor e migrou para o bem-estar de quem ocupa o veículo, especialmente no banco traseiro.

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