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77 AutoData | Maio 2026 rativa e condução autônoma de nível 2.5 como itens de série. Com a mudança tributária prevista para 2027 a produção local tende a ser a única forma de garantir relevância a longo prazo. O calendário tarifário confirma a urgência: o imposto de importação para elétricos e híbridos montados ou semimontados, SKD, volta aos 35% a partir de julho, e kits totalmente desmontados, CKD, têm alta programada para o mesmo patamar em janeiro de 2027. A corrida para antecipar importações colocou o Brasil como quinto maior comprador de veículos da China em 2025, com 322,1 mil unidades importadas, bem acima das 187,3 mil emplacadas no periodo-, atrás de México, Rússia, Emirados Árabes e Reino Unido. O México oferece um contraponto que merece atenção. Com tarifa de 50% sobre carros chineses o país registrou 306,6 mil veículos da China vendidos em 2025, ou 20% de um mercado de 1,5 milhão de unidades por ano. O protecionismo desacelerou as importações mas os chineses seguem presentes. A fórmula mexicana seria mais destrutiva para nós: enquanto o país opera um modelo exportador com cadeia de fornecedores enxuta o Brasil construiu décadas de cadeia produtiva local, estrutura que uma abertura colocaria em risco. INVESTIMENTOS CHINESES NO BRASIL O histórico das marcas chinesas no Brasil tem mais tropeços do que se costuma lembrar. Lifan, Effa, Chana, Haima e a própria Geely, em sua fase inicial, saíram do mercado deixando clientes sem peças de reposição e veículos desvalorizados. A saída mais recente de Neta e Seres, marcas de passagem fugaz, é o exemplo de que o mercado brasileiro exige fôlego financeiro e rede de concessionárias sólida. Roa pondera: “As chinesas que terão relevância no Brasil são as que já estão se estruturando de uma forma relevante para produzir, ficar e crescer dentro disso”. A escala dos comprometimentos já anunciados deixa claro que elas vieram para ficar. As fabricantes chinesas e seus parceiros locais devem investir US$ 7,4 bilhões no Brasil até o fim da década, um terço do total de US$ 22 bilhões que todas as montadoras instaladas no País estão aplicando no mesmo período. O resultado projetado é uma capacidade instalada superior a 1 milhão de veículos por ano, em dez linhas de produção de nove marcas. Roa avalia que o automóvel deixou de ser definido por cavalos de potência ou torque para se tornar uma plataforma de serviços e conveniência. O “sentimento patriótico” que move o consumo interno na China, onde os estandes das marcas locais estavam visivelmente mais cheios do que os de gigantes europeus e estadunidenses, começa a encontrar eco no Exterior pela percepção de valor. As fabricantes tradicionais que não conseguirem internalizar a agilidade do software e a sofisticação da experiência na cabine correm o risco de se tornar fabricantes de hardware para sistemas operacionais alheios. A pizza, diz Roa, terá pedaços cada vez menores. Mas quem ganha é o consumidor, que agora tem à disposição o que há de mais moderno na mobilidade global – a preços cada vez mais competitivos. O Salão de Pequim de 2026 mostrou que a régua do mercado subiu e que a indústria tradicional terá que correr para acompanhar o novo ritmo.

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