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89 A tese é pragmática. Segundo a Horse Powertrain, dois caminhos podem gerar impacto semelhante na redução de emissões globais: uma frota composta por 80% de veículos elétricos ou uma combinação equilibrada entre 50% de elétricos e 50% de híbridos avançados. A diferença está justamente na viabilidade. Enquanto a eletrificação total depende de uma profunda transformação da infraestrutura mundial, os híbridos conseguem acelerar resultados utilizando tecnologias já acessíveis e desenvolvidas pela empresa. Brasil é peça-chave nesse tabuleiro E é exatamente nesse ponto que o Brasil ganha relevância estratégica dentro da operação global da companhia. O centro de pesquisa e desenvolvimento da Horse Technologies em São José dos Pinhais, PR, tornou-se referência internacional em tecnologias flex e sistemas híbridos adaptados à realidade latino-americana. Com cerca de 250 engenheiros especializados, a equipe brasileira atua há mais de 25 anos no desenvolvimento completo de soluções de propulsão, incluindo estratégia de mercado, design, calibração, validação, software e certificações. A planta conta com uma das primeiras instalações da América do Sul para oferecer ao mercado automotivo testes de desenvolvimento de calibração de base, testes de durabilidade, testes de emissões para motores e gestão do processo de Conformidade de Produção (COP). Entre os projetos mais emblemáticos está o desenvolvimento do sistema REEV Flex — um extensor de autonomia híbrido movido a etanol. A solução já está em fase final de testes em aplicações da Marcopolo e representa um dos primeiros projetos híbridos nacionais concebidos para explorar o potencial do etanol como ferramenta efetiva de redução de emissões. A operação brasileira também foi responsável pelo desenvolvimento dos motores GDI turbo HORSE H10 e HORSE H13, produzidos localmente entre 2024 e 2025. Hoje, a planta de São José dos Pinhais fabrica quatro famílias de motores — HORSE S10, HORSE H16, HORSE H10 e HORSE H13 — em uma estrutura com capacidade produtiva de 600 mil motores por ano. Com 26 anos de operação, mais de cinco milhões de motores produzidos e 730 colaboradores, a unidade brasileira se consolida como peça-chave dentro da estratégia global da Horse Powertrain. Para Marcio Melhorança, Diretor de R&D Latam da Horse Technologies, entender as particularidades regionais será determinante para acelerar a transição energética de forma sustentável. “O mercado brasileiro e da América Latina exigem soluções que equilibrem custo, infraestrutura e sustentabilidade. A capacidade de compreender esses desafios e garantir as necessidades dos clientes é o nosso principal ativo”, afirma. Em um setor pressionado por metas ambientais cada vez mais agressivas, a Horse Powertrain aposta em uma abordagem menos ideológica e mais orientada à realidade de cada mercado. Em vez de defender uma única solução, a companhia trabalha com um portfólio diversificado que combina motores a combustão eficientes, sistemas híbridos avançados e novas arquiteturas eletrificadas adaptadas às diferentes regiões do planeta. A mensagem é clara: o futuro da mobilidade será múltiplo — e o híbrido pode deixar de ser apenas uma transição para se tornar parte definitiva dessa nova era automotiva.

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