93 AutoData | Maio 2026 econômico mais estável e a necessidade de renovar a frota com foco em eficiência. Quando estes elementos se combinam o mercado evolui naturalmente, com caminhões mais modernos, de menor consumo, menos emissões e muito mais segurança nas estradas. Se tudo isto vier acompanhado de melhora do cenário econômico, teremos boas condições de ver crescimento acontecer em 2026”. Para a Mercedes-Benz o incentivo governamental foi o divisor de águas em um período marcado por taxas de juros elevadas que afastavam o comprador do showroom, opina o presidente e CEO da empresa no Brasil e na América Latina, Denis Güven. Ele lembra que o impacto é direto na planilha do frotista, especialmente os grandes transportadores: “É um programa muito importante, ajuda nossos clientes a pagarem 5% ou 6% menos para financiar. É um bom programa que estabiliza o mercado em um período em que os preços de juros têm um grande impacto negativo na demanda”. A expectativa é que, de fato, o Move Brasil 2 ajude a atenuar a queda na demanda, principalmente dos extrapesados, cujas vendas retraíram 20,5% no ano passado frente a taxas de 18% a 20%. E, agora, estarão em torno de 11,3% a 12,4% para os autônomos e de 14,2% a 14,9% ao ano para os frotistas. MOVE DEVE ESGOTAR-SE EM DOIS MESES Com a decisão do Grupo Traton de separar suas instituições financeiras e lançar a Traton Financial Services no Brasil, em julho do ano passado, em substituição ao Volkswagen Financial Services, que se ocupa das operações relacionadas aos automóveis e veículos comerciais leves, a Volkswagen Caminhões e Ônibus ficou um tempo sem poder oferecer crédito por seu próprio banco para o programa, até que a nova empresa fosse registrada no Move Brasil. Nesta situação o processo de habilitação ocorreu, de fato, apenas na segunda quinzena de março, quando os recursos já haviam se esgotado. Ainda assim vendas de caminhões da marca com estes recursos foram feitas por bancos comerciais, mas em volume menor. Não por outra razão existe uma alta expectativa da montadora para a segunda etapa da iniciativa. De acordo com Eduardo Portas, CEO da Traton Financial Services Brasil, “o programa ainda não está disponível [em 13 de maio, data da entrevista], estamos aguardando a circular do BNDES com as últimas instruções para início do protocolo. A expectativa é grande porque o programa foi anunciado em 30 de abril e, com esta informação, muitos clientes estão aguardando o programa para fecharem os negócios”. A tendência é que esses recursos se esgotem rapidamente, “em no máximo dois meses. É, portanto, ação de curto prazo”. Apesar do otimismo com a iniciativa o executivo reconhece que, enquanto houver recursos do Move Brasil o ritmo de queda do mercado será reduzido mas, quando se esgotarem, dependerá de como ficará o mercado. “É muito difícil fazer qualquer projeção no momento, pois as variáveis já mudaram rapidamente do fim de 2025 até abril em razão da guerra. Temos de fazer reavaliações semanais de acordo com as atualizações”, disse Portas, ao resgatar as ideias de crescimento consistente do PIB, taxa de juros em patamar que permita o financiamento com mais facilidade e um programa perene de renovação da frota — o que, por enquanto, não tem dado sinais de que possa acontecer ainda este ano. Eduardo Portas, CEO da Traton Financial Services Brasil Divulgação/Traton
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