92 Maio 2026 | AutoData BALANÇO » VEÍCULOS COMERCIAIS como a guerra movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã em andamento, o valor do petróleo não dá trégua e os custos dos combustíveis pressionam a inflação. Este é outro ponto ressaltado por Cavalcanti: “Os altos preços do diesel e a depreciação das commodities agrícolas no mercado internacional são fatores adicionais que impactam o caixa dos transportadores e, consequentemente, postergam a decisão de compra de caminhões pelos frotistas”. PODE VIR QUEDA DE 10% De qualquer maneira o executivo reconhece que o Move Brasil está trazendo vendas e que, não houvesse o programa, a queda no mercado seria ainda maior. Para o segmento em que a montadora atende, de caminhões acima de 16 toneladas, é aguardado recuo em torno de 10% até o fim do ano. Os pesados e extrapesados tendem a sofrer mais por causa de seu preço maior. “Podemos afirmar que praticamente todas as negociações realizadas em 2026 estão atreladas ao Move Brasil, com exceção das vendas de consórcio ou de pagamentos à vista”, afirmou. “A expectativa é de que o Move Brasil continue sendo temporariamente um instrumento de ativação das vendas de caminhões até que a taxa de juros regular diminua de forma efetiva. Nossa rede de concessionárias já está prospectando negócios a partir do anúncio desta nova fase do programa.” A situação é semelhante à da Scania, que também trabalha com a mesma categoria de veículos. Para Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil, o programa ajuda a trazer alguma estabilidade ao mercado: “Ele não resolve tudo porém contribui para segurar a retração e trazer mais previsibilidade para quem precisa investir”. Até o momento o Scania Banco contabilizou a venda de 740 caminhões por meio do programa, sem contar outras quinhentas operações em andamento, em análise, contratação e produção, o que leva a um volume de R$ 1 bilhão 50 milhões: “Hoje, aproximadamente 80% de tudo que financiamos passa pelo Move Brasil, o que mostra o quanto ele tem sido relevante e como conseguimos apoiar o cliente a acessar esta linha de crédito. Por isto o grande acerto do governo em lançar a segunda etapa do programa”. Apesar do potencial enorme de destravar compras que estavam paradas, uma vez que muita decisão de investimento foi adiada e, agora, tem a possibilidade de voltar à mesa de negociação, Jaern reconhece que a tendência é que este impacto venha aos poucos, ao longo do ano: “Nossa leitura é de um segundo semestre mais equilibrado, com recuperação gradual”. O presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil avalia, porém, que para o setor voltar a crescer de forma consistente não existe alavanca única: “Vejo um conjunto de fatores. São ele: crédito acessível, previsível, um ambiente Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil Denis Güven, presidente e CEO da Mercedes-Benz no Brasil e na América Latina Divulgação/Scania Divulgação/Mercedes-Benz
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