33 AutoData | Junho 2026 lado do também especialista Fábio Branco. Para Gabriel, o documento não está cumprindo a função pelo qual foi criado. “O inventário é um elemento de planejamento do futuro. Você mede a qualidade do ar, organiza um inventário para descobrir quem é o culpado. Faz uma legislação para corrigir, depois vê o resultado e refaz o inventário. Isso tudo deve estar interligado.” Segundo ele, o documento publicado pelo Iema não cumpre essas etapas. “Ele deveria ser uma ferramenta para realimentar os programas de controle”. OLHANDO PARA O PASSADO O inventário constitui a base técnica da nova Política Nacional de Qualidade do Ar, estabelecida pela Lei nº 14.850/2024 e tem méritos inegáveis. Documenta, com precisão, a trajetória de redução de poluentes dos veículos locais promovida por décadas de regulação. Um automóvel a gasolina fabricado antes de 1983 emitia 33 gramas de monóxido de carbono por quilômetro. Um veículo de 2024 emite cerca de 0,16 gramas, o que representa uma redução de 99% no fator de emissão por veículo. Para os óxidos de nitrogênio, o percurso é semelhante: de 1,4 g/km nos anos anteriores à regulação para menos de Fonte: IEMA 0,007 g/km nos modelos mais recentes. Erwin Franieck, conselheiro da SAE Brasil e responsável pelo Comitê de Fontes Renováveis de Energia, reconhece esses méritos. “O inventário é muito bom para os gases de curta duração, porque mostra o ganho real na redução de emissão do NOx, do monóxido de carbono, dos particulados, de tudo que estava sendo controlado até agora por lei e verificado obrigatoriamente no licenciamento de cada veículo pelas montadoras”, observa. Pela primeira vez, o Brasil monitora sistematicamente os PCVC, Poluentes Climáticos de Vida Curta, como o carbono negro e o metano. Essa mudança é vital. Enquanto o CO2 permanece por séculos na atmosfera, esses poluentes agridem o clima e a saúde de forma imediata. Reduzi- -los é o atalho mais rápido para o resfriamento do planeta e para a redução de gastos no SUS com doenças respiratórias. Gabriel Murgel Branco tem outra posição sobre a abrangência. Ele aponta que o inventário é pautado pelas regulamentações existentes e não pelos dados reais de campo. O documento adota os fatores de deterioração medidos pela Cetesb “como se representassem a média da frota que está circulando”, o que, segundo o especialista, constitui um erro de interpretação. Emissões totais de MP por tipo de emissão Divulgação/SAE
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