34 Junho 2026 | AutoData ESTUDO » INVENTÁRIO DE EMISSÕES “A Cetesb mede o motor zero-quilômetro, depois a cada 10 mil quilômetros até 80 mil quilômetros num veículo submetido à manutenção do fabricante. Isso não é um retrato da média da frota.” O resultado é um documento que, nas palavras de Fábio Branco, “mascara problemas que existem e se torna contraproducente para efeito de legislação e de políticas públicas.” ALERTA PARA O GDI Dois exemplos concretos que representam falhas metodológicas foram apontados por Gabriel. Na interpretação dele, o primeiro diz respeito às emissões evaporativas – tudo que evapora de combustível no veículo sem ser queimado. A série histórica do inventário mostra uma queda contínua dessas emissões até 2021, seguida de uma alta abrupta a partir de 2022. A interpretação natural seria que os veículos pioraram. A explicação real, segundo Gabriel, é outra: em 2022, a fase L7 do Proconve introduziu um método de medição mais rigoroso, passando de um ensaio de uma hora para 48 horas. O método antigo media cerca de 0,02 gramas, enquanto o novo revelou que a emissão real era de 2 gramas ou 100 vezes maior. “Não tem uma notinha para dizer que mudou o método, portanto esse número não tem nada a ver com os anteriores”. Gilberto Martins, diretor de assuntos regulatórios e tecnologia da informação da Anfavea, confirma a mudança metodológica e avalia positivamente o novo padrão: “Os ensaios de emissões evaporativas tornaram-se mais restritivos, passando de um ensaio de duração de 2 horas para 48 horas, representando um grande avanço no controle das emissões evaporativas.” O segundo ponto crítico apontado por Gabriel envolve um fenômeno que o inventário, segundo ele, não percebeu: o aumento das emissões de material particulado pelos motores de injeção direta de gasolina, os chamados GDI, uma tendência que virou padrão na indústria. Só que essa tecnologia produz mais particulado do que os motores sem injeção indireta. “Nos Estados Unidos, o GDI aumentou o particulado em 10 vezes durante 15 anos”, afirma Gabriel. O problema: enquanto os caminhões pesados com tecnologia P7/ P8 chegaram a um milésimo de grama por quilômetro de particulado, automóveis equipados com GDI já emitem três milésimos ou três vezes mais do que um ônibus a diesel moderno. “Um automóvel GDI emitir três vezes Emissões de CO por categoria de veículo Divulgação Fonte: IEMA
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