» EDITORIAL AutoData | Setembro 2026 Diretor de Redação Leandro Alves Conselho Editorial Isidore Nahoum, Leandro Alves, Márcio Stéfani, Pedro Stéfani, Vicente Alessi, filho Redação Pedro Kutney, editor Colaboraram nesta edição André Barros, Andrea Ramos, Lúcia Camargo Nunes, Natasha Werneck, Soraia Abreu Pedrozo Projeto gráfico/arte Romeu Bassi Neto Fotografia DR/Divulgação Capa Fotomontagem IA Gemini divulgação/ Mercedes-Benz Comercial e publicidade tel. PABX 11 3202 2727: André Martins, Luiz Giadas, Renato Vieira, Rosa Damiano, Valdir Vieira e Vanessa Vianna Atendimento ao cliente tel. PABX 11 3202 2727 Departamento administrativo e financeiro Isidore Nahoum, conselheiro, Thelma Melkunas, Hidelbrando C de Oliveira ISN 14157756 AutoData é publicação da AutoData Editora e Eventos Ltda., Av. Guido Caloi, 1000, bloco 5, 4º andar, sala 434, 05802-140, Jardim São Luís, São Paulo, SP, Brasil. É proibida a reprodução sem prévia autorização e permitida a citação com identificação da fonte. Jornalista responsável Leandro Alves, MTb 30 411/SP autodata.com.br AutoDataEditora autodata-editora autodataseminarios autodataseminarios Por Pedro Kutney, editor O Brasil acordou – e dormiu O Brasil acordou.” Esta sentença, pronunciada há exatos setenta anos pelo presidente da República, Juscelino Kubitscheck, inaugurou não só uma fábrica mas um setor industrial inteiro no País. A linha de produção de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, inaugurada em 28 de setembro de 1956, marcava a mudança de estação climática no Hemisfério Sul combinando de forma conotativa o início da primavera da indústria automotiva no País. Naquele setembro JK inaugurou uma das primeiras de muitas fábricas erguidas sob as políticas de incentivo de seu governo que desenvolveram – com inesperado êxito para os mais céticos – a indústria produtora de veículos e suas partes no Brasil, formando uma extensa cadeia industrial até então inexistente em um País eminentemente agrícola e com deletéria herança escravagista, dependente das importações de bens industrializados de maior valor agregado, como são os veículos automotores, que colocavam no vermelho a contabilidade das contas externas. A exemplar trajetória de sete décadas da Mercedes-Benz no Brasil – contada em 49 páginas desta edição especial de AutoData – ensina como o considerado impossível tornou-se possível. Diziam que o clima brasileiro era impróprio para fundir blocos de motor – e um imigrante judeu polonês veio ao Brasil provar que não era, patrocinando a primeira fundição nacional para motores diesel usados pelos caminhões e ônibus Mercedes-Benz. Também diziam que seria inalcançável atingir índice de nacionalização mínimo de 90% em apenas três anos – e os brasileiros da Mercedes-Benz foram dos primeiros a bater a meta. Tudo isso prova que, com capital e vontade política, foi viável construir do zero todo um setor industrial. São estes raramente bem-sucedidos episódios da história nacional que ajudam a superar o complexo de vira-latas tão comum aos brasileiros. Muitos anos depois, financistas e governos com este indelével complexo, que nutrem profundo desprezo pela participação da indústria no desenvolvimento nacional, começaram a dilapidar essa importante herança industrial. E o Brasil voltou a dormir, jogando fora PIB industrial, enquanto os países industrializados da Europa e América do Norte permaneceram acordados, Japão e Coreia entraram no jogo, e a China despertou com vigor que provoca pesadelos em muitos deles. Não existe país desenvolvido sem indústria forte e o setor automotivo é um de seus principais pilares de sustentação – como bem já sabiam JK e seus economistas desenvolvimentistas ainda na década de 1950. Em anos recentes alguns governos vêm tentando recuperar essa herança industrial com políticas que ainda carecem de ajustes. O fato é que já passa da hora de o Brasil acordar de novo – e talvez o passado, com histórias como a da Mercedes-Benz, possa ensinar a traçar melhor o futuro.
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