33 AutoData | Outubro 2026 Com relação ao crescente financiamento de automóveis de passeio e do aquecimento de mercado automotivo Tereza Fernandes entende que devem ser avaliados aspectos relacionados ao poder aquisitivo deste grupo específico de consumidores e a concorrência estabelecida pelos veículos chineses: “O preço de carro zero-quilômetro baixou muito e obrigou as montadoras tradicionais a reduzirem também os valores cobrados. Acredito que a oferta de crédito foi a cereja do bolo em um momento em que a competição aumentou”. Na sua avaliação, porém, a inadimplência e o menor crescimento econômico trarão estabilidade aos preços dos automóveis. CONSUMO SEM INVESTIMENTO Marisa Rossignoli, economista da Universidade de Marília e conselheira do Corecon SP, prevê a redução da Selic de 13,5% para 12% de 2026 para 2027, e da inflação de 5% para 4,3% e o câmbio de R$ 5,20 este ano e R$ 5,30 no próximo. Também aposta na retração da taxa de crescimento do PIB, de 1,85% para 1,7%, na comparação dos dois anos. “Este ano tem o governo incentivando o consumo, mas em um contexto de crédito caro, que leva a um endividamento altíssimo das famílias e ao comprometimento do ganho futuro”, observa a economista. Como reflexo a queda do poder de compra deverá ser experimentada nas vendas de fim de ano, acendendo o sinal de alerta. A economista alerta ainda para o fato de a inflação corroer parte da renda e o impacto negativo gerado pela ausência do desenvolvimento de uma indústria de complexidade, agregadora de valor à economia: “Vivemos em um momento de incentivo muito grande ao consumo, mas sem transformações significativas nem investimentos produtivos”.
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