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75 AutoData | Outubro 2026 O ano de 2027 marcará uma nova etapa para a indústria automotiva brasileira. Qual será o papel do Brasil? Desenvolver veículos e tecnologia ou se limitar a consumir produtos importados e montar componentes do Exterior? Embora as projeções econômicas sejam de leve melhora, com queda na inflação (4,2% para 4,1%, Focus), Selic (13,75% para 11,85%, Focus) e inadimplência (6,6% para 5,9%, Febraban), acreditamos em estagnação do setor ou pequena queda, com grande pressão competitiva e margens reduzidas para veículos novos e usados. O desafio será manter a indústria nacional forte. Temos muitos novos competidores, mas este não é o problema. Concorrência é positiva, mas precisa acontecer com as mesmas regras para todos. Temos urgência em isonomia! O avanço desenfreado das importações, com benefícios concedidos a veículos eletrificados montados em CKD SKD, O futuro se produz no Brasil na maioria chineses, até com cota que zera taxas, preocupa. Só em 2026, a Anfavea prevê 650 mil veículos importados prontos no Brasil, além de 180 mil montados em CKD ou SKD. Esse excesso vira estoque: hoje são 315 mil importados estocados, gerando guerra de preços e redução de margem. É preocupante! O impacto é a perda de competitividade e desindustrialização. A indústria automotiva representa 20% do PIB industrial brasileiro e gera 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos. Não podemos transformar essa indústria forte em apenas montadora de CKD e SKD: é um risco para o desenvolvimento social e econômico. Precisamos fortalecer pesquisa, desenvolvimento, produção, exportação e impulsionar fornecedores. Isso exige uma política industrial que reconheça o valor gerado no País. A Volkswagen acredita no Brasil e segue investindo R$ 16 bilhões. Em 2027, iniciaremos nossa maior ofensiva de picapes com a Tukan, 100% brasileira, e a Nova Amarok. E os híbridos VW desenvolvidos aqui estão chegando! Outra prioridade será manter a liderança de vendas da VW no varejo, que reflete a preferência do consumidor. O Brasil tem todas as condições para ser protagonista da nova mobilidade. Nossa oportunidade está em transformar o País em polo exportador de veículos, projetos e tecnologias. A competitividade do futuro exigirá eficiência, velocidade e adaptação. Estamos prontos, mas precisamos de um ambiente que valorize o desenvolvimento e a produção locais, com as mesmas regras para competir de forma isonômica, redução de juros e da carga tributária, que representa mais de 40% do valor do automóvel. O ano de 2027 será muito desafiador para a indústria brasileira por conta da economia, da oferta excessiva de veículos e redução de margem. Mas continuamos acreditando e defendendo a indústria nacional. Isso é defender empregos e crescimento sustentável. Só assim construiremos um futuro forte! Divulgação/Volkswagen Ciro Possobom é presidente e CEO da Volkswagen do Brasil PERSPECTIVAS 2027 » OPINIÃO/VOLKSWAGEN

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