Mogi-Guaçu, SP – Presente desde 1991 no mercado brasileiro a Mitsubishi Motors aposta em eventos com experiência off-road para se aproximar e fidelizar os seus clientes no País, receita que é usada desde 1994, quando foi realizada a primeira edição do Mitsubishi Motorsport, rali de regularidade. Depois disto surgiram outros três eventos de grande valor para a marca: Mitsubishi Cup, que a Agência AutoData conheceu de perto e participou da última etapa, o Mitsubishi Outdoor e o Mitsubishi Experience. 

Além de se aproximar dos clientes e criar uma conexão com eles a empresa usa os eventos para mostrar a capacidade off-road dos seus veículos para quem possui um, sendo que apenas na Mitsubishi Cup é necessário um carro preparado: os outros três podem ser encarados com veículos comprados nas concessionárias. E este é o foco da empresa no País, segundo Márcia Neri, sua diretora de marketing: elevar a fidelização e se aproximar do público alvo:

“Os eventos são a essência da nossa marca. É com eles que fazemos os clientes provarem a sensação de ter um veículo 4×4. Nós os levamos para viajar para lugares diferentes, desafiadores, onde não é possível chegar com um carro com tração 4×2”. 

Mauro Correia, presidente da HPE Automotores no Brasil, empresa que representa a marca no País, também estava na etapa da Mitsubishi Cup, em Mogi-Guaçu, e lembrou que essa é a busca da Mitsubishi: estar cada vez mais próxima dos seus clientes sem ficar brigando por volume de vendas e entrando em guerra de preços. 

Para participar da Mitsubishi Cup, que possui quatro categorias, L200 Triton Sport R, L200 Triton Sport ER, L200 Triton Sport RS e Eclipse Cross R, os competidores precisam comprar um carro de competição, que é produzido na mesma linha de montagem dos modelos tradicionais com uma série de mudanças. Para isto a montadora dedica algumas horas do mês, quando tem pedidos encomendados, para fabricar esses modelos, uma vez que é necessário mudar algumas configurações da linha de produção.

Desde 1994 a Mitsubishi já produziu setecentos veículos de competição e eles são entregues aos clientes com uma série de mudanças, caso da folha de aço externa das portas que é substituída por uma de fibra de carbono para deixar o veículo mais leve, câmbio manual de competição, volante de competição, estrutura reforçada, bancos esportivos, pedais recalibrados, assim como a suspensão. O motor é o mesmo usado nos modelos produzidos em série, mas também passa por acertos exclusivos de calibração.

Em 2024 a Mitsubishi já produziu dez unidades do Eclipse Cross R, com oito vendidas, e produzirá mais cinco nos próximos meses. A produção das picapes está suspensa para incentivar os novos compradores a entrarem na competição por meio da categoria do SUV, lançada em 2024. 

O preço de um Eclipse Cross R zero quilômetro é R$ 480 mil e, se algum cliente quiser entrar em alguma categoria da L200, terá que comprar um modelo usado, com os seguintes preços:  R$ 90 mil a R$ 130 mil na L200 Triton Sport ER, R$ 180 mil a R$ 300 mil na L200 Triton Sport R, e R$ 300 mil a R$ 500 mil na L200 Triton Sport RS. 

Quem cuida da venda dos modelos de competição é a Spinelli, empresa organizadora dos eventos, e os interessados fecham a compra com eles, que repassam o pedido para a Mitsubishi.

Quem já possui um carro de competição, tem também uma equipe de mecânicos que o acompanha nos eventos para acertar o desempenho do veículo antes da prova e faz os ajustes e reparos necessários de uma volta a outra. Para competir as duplas formadas por um piloto e um navegador Cup pagam R$ 2 mil de inscrição em cada etapa das sete realizadas anualmente, que acontecem no Estado de São Paulo, próximo de Campinas, por causa do aeroporto de Viracopos, que facilita a chegada dos competidores. 

Para quem gosta da ideia de participar do evento mas ainda não possui nem veículo nem equipe a Spinelli oferece o programa Experience, que custa R$ 30 mil, e o cliente pode participar de uma etapa com um carro da empresa, assim como um navegador profissional para formar a dupla. A partir disso o cliente toma a decisão de comprar um carro e entrar para a grade anual da Mitsubishi Cup. 

Mesmo com um alto investimento a Mitsubishi Cup costuma contar com mais de sessenta duplas por etapa. Os outros três eventos, pelo qual nada se cobra dos clientes, pedem, apenas, a doação de alimentos que são entregues nas cidades sedes. 

Passamos um dia na Mitsubishi Cup

Ao chegar ao evento aconteceu a primeira surpresa: estacionamento lotado e uma estrutura profissional de competição, com as equipes trabalhando nos veículos antes deles entrarem na pista — mas os pilotos não são profissionais, são pessoas que trabalham durante a semana e buscam essa emoção off-road no seu período de descanso e lazer. 

O autódromo Velocitta, em Mogi-Guaçu, SP  foi usado como base para esta etapa, mas o rali acontece próximo dele, dentro de uma fazenda, que junto com outras três formam o circuito de cerca de 35 quilômetros, com largadas controladas por alguns minutos de diferença. O traçado é novo a cada etapa e as duplas só recebem as coordenadas horas antes de entrar na pista, para um breve estudo.

Alguns convidados participam de algumas etapas, utilizando os carros e todo o suporte da Spinelli. Foi o caso da Agência AutoData. Mesmo quem nunca participou de um rali, caso do repórter que escreve esta reportagem, pode encarar a competição com a ajuda de um navegador profissional, que funciona como os olhos de quem dirige e vai avisando sobre cada movimento que deve ser feito, alertando até o momento ideal de trocar de marcha.

Com curvas fechadas passando no meio de canaviais o trabalho do navegador é essencial porque a visibilidade é baixa na maior parte do percurso, mas em alguns momentos longas retas se abrem e permitem uma grande aceleração na terra, passando dos 100 km/h, mas na maior parte rodamos em velocidades menores por questões de segurança e pelas dificuldades da pista. 

A Spinelli oferece todos os aparatos necessários, caso do macacão, capacete, luvas e sapatilhas profissionais de corrida, junto com o protetor de pescoço. O banco é ajustado milimetricamente pela equipe para que a posição de dirigir fique perfeita e um cinto especial é passado para que o corpo quase não se mexa durante a prova. 

Mas o evento vai muito além da experiência na pista uma vez que os competidores levam suas famílias como acompanhantes e, para eles, existe uma série de ações ao longo do dia, caso do test-drive com os modelos vendidos nas concessionárias, simulador de corrida, barbearia, massagem.

O clima do evento é bem familiar, boa parte das equipes se conhece, são amigos e se ajudam quando falta uma peça ou quando alguém precisa de um mecânico a mais para solucionar algum problema. Até os cachorros de algumas famílias são levados para a competição e passam o dia no meio do público. 

Outro ponto interessante é a emissão de CO2, que é uma preocupação atual de toda a indústria automotiva: a companhia compensa todas as emissões geradas a partir da Mitsubishi Cup.