São Paulo – O Chile definiu plano para eletrificar veículos e máquinas comercializadas para trazer previsibilidade para o setor no País. Criado há mil dias, o plano nacional de eletromobilidade começará pelos automóveis e comerciais leves e pela frota de ônibus utilizada no transporte público nacional, que deverá ser elétrica ou movida a outro tipo de energia zero emissões a partir de 2035.
De acordo com Diego Mendoza Benavente, secretário geral da Anac, Associação Nacional Automotriz do Chile, até 2035 o país precisará criar formas de incentivar a demanda por esse tipo de veículo, para que a frota seja modernizada: “Incentivos são necessários para que este plano se torne realidade. Reduzir os impostos pode ser uma saída interessante”.
As máquinas agrícolas e de construção utilizadas em operações do agronegócio, mineração e florestal são o terceiro segmento que deverá ser 100% eletrificado, mas com prazo um pouco maior para as máquinas pequenas, que deverão ser todas elétricas até 2040. Para as máquinas maiores o prazo é menor, e todo o portfólio vendido no país deverá ser zero emissão até 2035.
Para os caminhões vendidos no Chile, responsáveis pelo transporte de 95% de tudo que é comercializado, o prazo é até 2045 para que todos os modelos ofertados sejam elétricos ou zero emissão a partir de outro tipo de energia, caso da célula de hidrogênio, que poderá ser uma alternativa para os veículos de carga que percorrem longas distâncias.

O plano de eletrificação tem como objetivo melhorar a qualidade de vida da população chilena por meio da neutralidade de emissões dos veículos vendidos no país, acelerando o uso de automóveis, máquinas, caminhões e ônibus que não emitam CO2 enquanto circulam.
A projeção da Anac para 2024 aponta para a venda de 17,3 mil unidades eletrificadas no Chile, quase o dobro do que foi vendido em 2023. Dessa forma a participação dos veículos eletrificados chegará a 5,2% do total, contra fatia de 3% em 2023. Para 2025 a expectativa é vender 28,6 mil veículos com algum tipo de eletrificação, chegando a 7,1% do mercado.
Considerando apenas os híbridos plug-in e os elétricos as vendas deverão somar 5 mil unidades em 2024, com participação de 1,5%, subindo para 2,5% em 2025, com 9,9 mil veículos.
Anac 30 anos
Para apoiar o plano de eletrificação no país a entidade lançou este ano, quando completa 30 anos de atuação, o seu plano de mobilidade sustentável, baseado em fundamentos considerados importantes para a modernização da frota que circula no país. O primeiro busca uma mobilidade segura, melhorando as normas de segurança, para que os novos veículos, que reduzem as emissões, também elevem o nível de segurança ativa e passiva.
O segundo ponto é a mobilidade eficiente, para que o programa de etiquetagem veicular, criado em 2012, siga avançando e exigindo uma redução no volume de CO2 emitido. O terceiro é baseado na conectividade, para que os modelos importados contenham um nível cada vez maior, melhorando a interação do usuário final com o veículo.
O quarto ponto está ligado diretamente ao plano de eletrificação e solicita incentivos para os modelos que são movidos a novas energias, assim como a criação de toda a infraestrutura de recarga para que os chilenos tenham como abastecer seus veículos híbridos plug-in e elétricos sem maiores preocupações. Esse é um ponto considerado desafiador e de grande importância pelo secretário da Anac.
O quinto elemento trata da mobilidade inclusiva, para que os condutores, principalmente de veículos comerciais de carga e de transporte de passageiros, tenham conhecimento sobre as novas tecnologias. O sexto é focado na economia circular para reciclagem dos componentes automotivos, o que já ocorre com pneus, e deverá avançar para lubrificantes e baterias.
O último ponto olha para os veículos autônomos do futuro, que deverão se integrar ao resto da frota de forma segura, com condução segura e inteligente.