São Paulo – Os dois pés na sustentabilidade deram fôlego à Renova Ecopeças, empresa do Grupo Porto, para ampliar sua operação de desmontagem veicular na Capital paulista. Tanto na integração à economia circular do automóvel como na questão financeira: todo o aporte de R$ 7 milhões foi totalmente custeado pela empresa, fundada há treze anos.

Na terça-feira, 14, a expansão do centro de desmontagem veicular, já noticiada pela Agência AutoData, foi oficialmente inaugurada. A capacidade subiu de 3 mil para 10 mil veículos/ano e já opera no ritmo de vinte carros por dia, quatrocentos no mês, de acordo com Daniel Morroni, diretor da Porto Serviço, unidade de negócios do grupo responsável pela operação:

“Ampliamos a estrutura e o estoque, subimos de 4,8 mil para 9,5 mil m² de área construída. Nosso plano é crescer 20% por ano em receita, que no ano passado chegou a quase R$ 80 milhões, de forma orgânica, sem depender do Mover, que, certamente, ajudará a expandir o negócio”.

Há cinco anos, garante o diretor, a Renova Ecopeças opera no azul. Os carros são adquiridos majoritariamente da Porto Seguros, outra vertical do grupo, e são desmontados na unidade, na Zona Oeste de São Paulo. Parte do material é corretamente destinada à reciclagem mas o foco é recuperar peças e revendê-las no mercado a preços menores.

“Geramos receita vendendo peças. Um motor, por exemplo, pode custar 80% menos no Renova Ecopeças. Uma porta de automóvel chega a ter 70% de desconto. Revendemos também materiais como o cobre. Assim conseguimos reunir capital para investir no negócio e crescer nossa operação.”

Para chegar ao consumidor final a empresa dispõe de diversos canais: de vendas pelo Whatsapp a venda em loja física, localizada na sede, passando pelo e-commerce e parceria com grandes portais, como Mercado Livre e Shopee. Só pela internet são embaladas e enviadas mais de cem peças por dia.

A respeito do Mover Morrini prefere manter a cautela: todos os seus planos de expansão, por ora, independem da regulamentação de reciclagem veicular prometida pelo governo. Mas garante que ela é bem-vinda: “O mercado poderá ser incentivado com ela. Hoje reciclamos apenas 1,5% dos veículos. Em mercados maduros, como os Estados Unidos, o índice supera os 95%”.