São Paulo – O encurtamento do prazo de retomada e bens de inadimplentes previsto no marco legal de garantias, aprovado no ano passado, traz benefícios para as instituições financeiras que operam com financiamentos de veículos. Paulo Henrique Noman, presidente da Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Abac, Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, e Cezar Janikian, CEO da Financeira Santander, debateram o tema no Seminário Megatendências, organizado por AutoData de 19 a 20 de março.

Janikian disse aguardar a normatização do marco legal pelos órgãos competentes para alterar os contratos de financiamentos e os impactos positivos começarem a aparecer: “Ninguém quer retomar o bem: só acontece em último caso, depois de esgotarem todas as negociações possíveis. Mas com a mudança podemos garantir que as taxas de juros vão cair, porque o risco diminui”.

O tamanho da redução na taxa de juros ainda não pode ser estimado porque o efeito do marco tem que ser sentido na prática. Hoje a cada dez carros que o Santander tenta recuperar apenas três retornam, número que deverá aumentar com a alteração na lei.

Atualmente as financeiras precisam notificar judicialmente o dono do veículo, que precisa estar ciente da tentativa de retomada do bem, para iniciar o processo que leva cerca de um ano. Com a alteração na lei será possível retomar o veículo com uma notificação extrajudicial, após o comprador ficar inadimplente por seis meses, com um prazo de mais quatro a seis meses para a retomada do bem.

Rossi, presidente da Abac, disse que a retomada do bem em menor prazo ajudará o setor: “A mudança vai ajudar na retomada do bem antes que ele esteja mais deteriorado do que o esperado, porque um cliente que não está pagando o carro também não está cuidando dele”.

Já o presidente executivo da Anef, Paulo Henrique Noman, disse que alguns pontos do marco estão sendo avaliados pela justiça, mas que deverão ser aprovados em breve:

“Vai ajudar a afastar uma parcela de consumidores que já compram o carro pensando em não pagar, porque sabem que a retomada é muito complicada atualmente. É para esse público que o novo marco serve, porque nenhuma empresa que financia a venda quer retomar o bem, queremos que o financiamento seja pago até o final”.