São Paulo – A Abrafiltros, Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas Automotivos e Industriais, criou em julho de 2012 o programa Descarte Consciente para coletar os filtros de óleo que são trocados nos veículos leves e pesados e para realizar a sua reciclagem. Desde que iniciou o programa a entidade já reciclou 15,2 milhões de toneladas de filtros, o que equivale a 41,2 milhões de unidades, considerando um peso médio de 369 gramas. 

Para 2024 a meta é coletar 2,6 milhões de toneladas de filtros, de acordo com Marco Antônio Simon, gestor do programa: “O projeto foi criado para que toda a cadeia envolvida na produção, importação e venda de filtros pudesse cumprir a logística reversa pós consumo, ainda que não seja obrigatória no País. Hoje quatro estados participam do programa: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Espírito Santo”.

Segundo ele o programa, nos volumes de reciclagem que atinge por ano, é algo quase inédito em termos globais, e a Abrafiltros é responsável por gerir todo o trabalho nos estados. O Mato Grosso do Sul é o Estado com maior porcentual de reciclagem na comparação com a quantidade de filtros vendidos anualmente, chegando a 61%, seguido por São Paulo, 32%, Paraná 28% e Espírito Santo, 21%.

O programa possui 4 mil 874 pontos de coleta espalhados pelos quatros estados onde está presente. A expectativa a médio prazo é de que o Mato Grosso faça parte do programa pois as tratativas por lá estão avançadas, e conversas costumam acontecer com outras regiões, mas alguns entraves dificultam o avanço:

“A viabilidade do programa depende de uma política regional para a coleta, pois não faz parte da política nacional de descarte de resíduos sólidos. E já aconteceu algumas vezes das negociações estarem adiantadas mas, por uma mudança no governo, tudo volta à fase inicial e, muitas vezes, não avança como antes”.

Quando o Estado define suas políticas de reciclagem de filtros, e cria um acordo setorial que estabelece as metas de logística reversa, normalmente ela acontece de quatro em quatro anos e a Abrafiltros surge como parceira para cuidar de todo o trabalho necessário para coletar e reciclar, sendo que a adesão das empresas que atuam na região é voluntária, pois elas podem decidir fazer por conta própria, o que é um caminho mais complexo e com gastos maiores, de acordo com Simon.

Para atender às demandas das empresas que precisam deste serviço de logística reversa foi realizada uma série de estudos para entender os custos, a partir do volume de vendas e do porcentual de filtros que a empresa pretende reciclar para gerar proposta financeira para realizar o trabalho. A entidade também procura os parceiros que têm capacidade e estrutura correta para reciclar os componentes usados porque o óleo pode contaminar o solo e o processo de reciclagem requer cuidados específicos.

Por ser um item que não pode ser reutilizado e que pode prejudicar o meio ambiente a Abrafiltros nunca enviou nenhum tipo de resíduo de filtro para aterros sanitários desde a criação do programa. Os componentes metálicos são separados para reciclagem e o restante é enviado para cimenteiras que usam o material como matéria-prima em suas caldeiras para produção de cimento.