Montadoras seguem produzindo, mas esvaziam escritórios

São Paulo – As linhas de produção de veículos nacionais seguem curso de normalidade apesar de a pandemia de coronavírus ter motivado adiamento de eventos, cancelamento de viagens, forçado reuniões presenciais serem substituidas por teleconferência e a adoção de trabalho remoto nas áreas administrativas de algumas empresas. Nenhuma das fabricantes consultadas pela reportagem de AutoData relatou mudanças na programação da produção, embora tenham redobrado as atenções com relação à limpeza nas linhas, condutas de higiene e de contato com o colega.

 

A General Motors e a Ford seguiram a orientação da matriz às suas operações globais: trabalho remoto a partir da segunda-feira, 16, em todas as áreas cujas atividades possam ser feitas a distância. Mesmo procedimento foi adotado pelo Grupo PSA. Na FCA a medida, que já estava sendo adotada um dia por semana, foi estendida, e a Volkswagen e Renault informaram que intensificará o trabalho remoto.

 

Aos que precisam comparecer aos escritórios ou às linhas de montagem a orientação é lavar bem as mãos, usar o álcool gel – o produto foi espalhado em locais estratégicos – e respeitar distância mínima de 1 metro do colega de trabalho. As janelas foram abertas para que o ambiente seja arejado.

 

Nas operações da Honda, na Hyundai, na Nissan e na Toyota o ritmo segue normal – nas duas últimas funcionários de grupos considerados de risco, como maiores de 60 anos e grávidas, podem fazer trabalho remoto. Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus também operam sem alterações nas linhas e no administrativo.

 

Ainda não há relato, também, de interrupção por desabastecimento de peças. Mas há preocupação com relação à demanda: a reportagem apurou que existe montadora estudando manter apenas 20% do seu ritmo de produção atual com receio de haver uma redução forte nas vendas.

 

Até a sexta-feira, 13, foram emplacados 112,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, média de 11,2 mil unidades por dia útil, um pouco abaixo do resultado de todo o mês de fevereiro, que registrou mediana de 11,6 mil veículos/dia. No mês passado a primeira quinzena fechou com média de 10,3 mil emplacamentos.

 

Fonte do varejo consultada pela reportagem não quis fazer projeção para o mês: “É uma incógnita. Não sabemos ainda se as concessionárias precisarão fechar as portas. Dependerá também das locadoras: se elas reduzirem as encomendas certamente teremos um mês com vendas mais fracas”.

 

Foto: Divulgação.

DAF testa caminhões híbridos na Holanda

São Paulo – A DAF iniciou testes de campo com o modelo CF Hybrid, um caminhão de powertrain híbrido, na Holanda. São dois modelos em operação na transportadora Peter Appel, que abastece supermercados.

 

O DAF CF Hybrid tem dois motores: um deles, a diesel, é o Paccar MX-11 de 10,8 litros e 450 cv de potência, e o outro, elétrico, é produzido pela ZF e gera até 175 cv. A caixa de transmissão é a ZF TraXon especial para powertrain híbrido.

 

Uma vez no modo elétrico o veículo tem autonomia de 30 a 50 quilômetros, o que facilitaria, segundo a montadora, operações de distribuição urbana.

 

Foto: Divulgação.

Pandemia força fechamento de fábricas na Europa

São Paulo – FCA, PSA e Renault interromperam sua produção de veículos em diversos países da Europa por causa do avanço do coronavírus. As duas primeiras decidiram parar as linhas de produção, inicialmente, até o próximo dia 27, e a Renault não tem prazo para voltar a operar. O total de fábricas paradas passa de trinta.

 

A FCA parou a produção em oito unidades: seis na Itália, um dos países mais afetado pelo vírus, uma na Sérvia e outra na Polônia. As unidades italianas representam cerca de 18% da sua produção global.

 

O Grupo PSA iniciou a paralisação nesta segunda-feira, 16, e fechará suas quinze fábricas na Europa até a quinta-feira, 19, instaladas na Alemanha, Eslováquia, Espanha, França, Polônia, Portugal e Reino Unido.

 

No caso da Renault a paralisação envolveu doze unidades, todas na França, sem data para voltar a operar. A situação em outras fábricas que operam no continente dependerá das condições de cada país, mas algumas operações já estão paradas por falta de componentes, como Valência e Valladolid, Espanha.

 

A paralisação também chegou ao setor de duas rodas, com a Ducati já interrompendo sua produção italiana na sexta-feira, 13: a expectativa era de retomar no próximo dia 18, porém a empresa decidiu manter o fechamento até o dia 25.

 

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Neo Parts chega com força e foco

Depois de parceria firmada no final do ano passado entre a Neo Rodas, uma das mais jovens e inovadoras fabricantes de rodas do Brasil, e o Grupo “A”, tradicional fabricante de autopeças e rodas da Colômbia, as duas empresas lançam agora, a Neo Parts, empresa com sede no Brasil e que passa a distribuir os produtos de todas as linhas para automóveis de passeio, veículos comerciais, caminhões, ônibus, carretas e motocicletas, entre outros, tanto para as montadoras como para o mercado de reposição.

 

A Neo Parts vai comercializar, inicialmente para os países do Mercosul, diversos componentes produzidos pelas empresas do Grupo “A”, além das rodas de aço (Cofre) e de alumínio (Madeal): amortecedores (G-Control), pastilhas e lonas de freio (Incolbest), molas de suspensão planas e helicoidais (Imal), embreagens (BMB) e diversos componentes para aplicação agrícola (Bonem).

 

As empresas do Grupo “A” possuem larga experiência no mercado automotivo leve e pesado (algumas com mais de 60 anos de atuação), com fornecimentos a várias montadoras da região andina, além de forte atuação no mercado de reposição na América Latina e nos Estados Unidos. Diversas fábricas do grupo foram premiadas por montadoras tradicionais como GM, Renault e Hino por oferecer produtos da mais alta qualidade. Ao todo, são 10 plantas que contam com instalações completas: engenharia, laboratórios e certificações próprias. Estas plantas terão a presença local reforçada pela equipe técnica e comercial da Neo Parts.

 

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Apresentada conceitualmente no Congresso SAE Brasil, que aconteceu em outubro do ano passado, o lançamento da Neo Parts demandou profundo estudo do mercado latino-americano de autopeças. “Concluímos que diversos setores deste mercado têm demandas muito específicas, além disso há nichos que não são atendidos pelos fabricantes tradicionais seja por questão de volume ou, ainda, políticas comerciais”, diz Murillo Di Cicco, diretor de novos negócios da Neo Parts. “Vamos atuar nesses nichos oferecendo alta qualidade, confiabilidade, excelência em serviços e logística e, sobretudo, preços competitivos”.

 

De acordo com Di Cicco, a Neo Parts está em conversas avançadas com cinco montadoras do Brasil e ao menos 10 outras empresas do setor para a confirmação de novos negócios. Segundo o executivo, “o projeto possui enorme potencial, mas existe uma fase de maturação relativamente longa, que envolve além da apresentação das empresas e negociações comerciais, todo o processo de validação junto às montadoras, que inclui auditorias das unidades produtivas e validação com o Inmetro, como é o caso de alguns itens de segurança”.

 

Di Cicco diz que deve ser feito todo o planejamento logístico para cada produto que inclui, também, a regulação de estoques. “Quando saímos do mercado puramente OEM e partimos para o mercado de reposição, as variáveis se multiplicam”.

 

A Neo Parts contará com estrutura específica em Itupeva, SP, incluindo um centro de armazenagem e distribuição dos produtos, sendo que a operação e seus resultados serão independentes da Neo Rodas, com gestão própria do ponto de vista empresarial e comercial, com o compartilhamento de alguns serviços administrativos como controladoria, jurídico e recursos humanos.

Chevrolet Tracker nacional parte de R$ 82 mil

São Paulo – A General Motors divulgou em seu site preços e versões da nova geração do SUV Tracker, que meça a desembarcar na Rede Chevrolet. Produzido em São Caetano do Sul, SP, o modelo traz seis airbags – dois frontais, dois laterais e dois de cortina –, ESC e TCS, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência e alerta de ponto cego, além de wi-fi e sistema de auxílio à baliza.

 

A versão de entrada, 1.0 turbo MT, sai por R$ 82 mil e oferece wi-fi, central multimídia com tela de 8 polegadas e o mesmo motor de três cilindros que equipa a família Onix. Ao adicionar câmbio automático e outros itens, salta para R$ 89,9 mil.

 

As opções com motor 1.2 são a Turbo AT, R$ 90,5 mil, Turbo LTZ, R$ 99,9 mil, e Turbo Premier, R$ 112 mil. São seis alternativas de cores: azul claro, azul marinho, cinza, prata, preta e vermelha.

 

Os clientes já podem agendar test-drive pelo site da Chevrolet e a campanha publicitária já circula desde a semana passada. Os pormenores do modelo serão divulgados na quarta-feira, 18, via streaming para a imprensa especializada – haveria um encontro no São Paulo Expo que foi cancelado por causa da pandemia de coronavírus.

 

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João Oliveira é o novo presidente da Abeifa

São Paulo – Os associados da Abeifa elegeram na quarta-feira, 11, João Oliveira, diretor-geral de operações e inovação da Volvo Cars, presidente para o período 2020-2022. A eleição teve chapa única, formada, também, pelo vice-presidente Divanildo Albuquerque, da Jaguar Land Rover, e Julia Boch Rios, da Porsche.

 

Oliveira, nono presidente da história da entidade, substitui José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, no cargo. O empresário concluiu quatro mandatos, em dois períodos distintos de quatro anos.

 

Fundada em 1991 a Abeifa chegou a ter 32 montadoras associadas. Hoje representa quinze marcas: BMW, BYD, Caoa Chery, Ferrari, JAC Motors, Jaguar, Kia, Lamborghini, Land Rover, Maserati, Mini, Porsche, Rolls Royce, Suzuki e Volvo – BMW, Caoa Chery, Jaguar, Land Rover e Suzuki mantém, também, produção local.

 

O novo presidente, formado em engenharia mecânica, ingressou como estagiário na Volvo Cars, há mais de dezesseis anos. Segundo Oliveira sua gestão terá como meta lutar pela redução no imposto de importação, hoje na casa de 35%, para 20%, alíquota equivalente à TEC, Tarifa Externa Comum, do Mercosul.

 

A eleição de Oliveira coincide com mudanças no ranking de vendas das associadas da Abeifa: em fevereiro a Volvo liderou, superando a Kia, tradicional dona do lugar mais alto do pódio da entidade.

 

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Novo Câmbio CVT reduz o consumo do Arrizo 5

São Paulo – A transmissão CVT de nove velocidades presente no Caoa Chery Arrizo 5 2021, que começa a chegar à rede, ajuda a reduzir o consumo de combustível em até 11% na comparação com a versão anterior, segundo cálculos da empresa.

 

A decisão de equipar o Arrizo 5 com câmbio CVT de nove marchas veio depois de meses de estudo e pesquisa focados em tornar o carro mais agradável ao modo de dirigir do consumidor brasileiro.

 

O nome das versões mudou para RX e RXT, contra RT e RTS. A lista de itens de série também traz novidades como freio de estacionamento eletrônico e função Auto Hold, quadro de instrumentos com novo display colorido e funções redesenhadas.

 

As duas versões seguem em produção na unidade de Jacareí, SP. A RT tem preço de R$ 74,6 mil e a RTS, com rodas também novas, será comercializada por R$ 83,6 mil.

 

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Márcio Pedroso nomeado presidente global da Volvo Financial Services

São Paulo — Márcio Pedroso é o novo presidente mundial da Volvo Financial Services, divisão financeira do Grupo Volvo. Pedroso é o primeiro brasileiro a comandar globalmente uma área de negócios da companhia e assumirá o cargo na segunda-feira, 16, com mais de dezenove anos de Volvo.

 

O executivo iniciou sua trajetória na unidade brasileira da Volvo Financial Services em 2001 e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos de liderança no Chile e México. Depois retornou ao Brasil, assumindo a presidência da divisão nacional em 2011. Seu último cargo foi como presidente responsável pela região das Américas.

 

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Locadoras tornam-se boas clientes, também, de caminhões

São Paulo – Importantes clientes do segmento leve, as locadoras de veículos começam a expandir sua atuação em caminhões. As fabricantes começam a notar aumento na demanda por clientes tradicionais do ramo e, também, de novos competidores. Dos 4,5 mil caminhões Mercedes-Benz vendidos no primeiro bimestre ao menos 650 foram para locadoras. Na Volkswagen Caminhões e Ônibus o volume chega a 15% do total das vendas.

 

A locação de caminhões não é uma novidade no mercado, mas desde o ano passado vem ganhando força e atraindo novas empresas. Segundo Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, as 650 unidades representam o dobro do volume negociado às locadoras em 2019. “Percebemos que essas empresas testaram o modelo de negócio nos últimos dois anos e agora estão dispostas a fazer investimentos maiores”.

 

Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós vendas da VWCO, disse que fatores como não ser necessário imobilizar recursos comprando caminhões, tendo no aluguel um custo mensal sem a preocupação de gastar com a manutenção dos veículos, tornam a locação atrativa para alguns frotistas.

 

“O acesso ao crédito também tem motivado algumas empresas a alugarem caminhões. Não é preciso gastar a linha de crédito nos bancos para comprar os veículos: elas alugam, usam e quando não tiverem demanda devolvem o caminhão, podendo investir em áreas mais importantes para seus negócios”.

 

Tanto Alouche quanto Leoncini afirmaram que transportadoras e concessionárias começaram a iniciar serviços de aluguel de veículos. As transportadoras deslocam parte da frota para atender a locação – há empresas com cerca de 12 mil veículos na frota disponíveis para locação, com perspectiva de expansão ao longo do ano. No caso das concessionárias, há grupos comprando caminhões para “experimentar o negócio”.

 

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Os executivos acreditam que o segmento chegou para ficar e tem perspectiva de crescimento nos próximos anos, embora não tão rápido quanto o avanço no segmento de automóveis e comerciais leves, que chega a representar um terço dos licenciamentos dependendo do mês.

 

“A locação não vai dominar o mercado. Acredito que avançará até um certo limite e depois fará parte do mercado de caminhões com determinada participação. Tudo depende de como os serviços serão oferecidos nos próximos anos”, disse Alouche.

 

Leoncini disse que a Mercedes-Benz mantém conversas com a sua rede para deixar claro que não existe risco para os negócios dos concessionários: “Eles ficam com receio porque viram o avanço que teve no mercado de automóveis, mas deixamos bem claro que não existe esse risco. As locadoras vão avançar, mas não terão fôlego para consumir 30% do mercado de caminhões por ano. Também fazemos questão negociar com as locadoras sempre com um concessionário envolvido, nunca de forma direta, e o volume que eles comprarão no ano não chegará a 10% do nosso volume total”.

 

O crescimento do segmento de locação de caminhões também reflete em algumas empresas de implementos rodoviários, caso da 4Truck, que atualmente atende grandes empresas como a Ouro Verde, Maestro Frotas, Grupo Júlio Simões e Grupo Unidas. Osmar Oliveira, CEO da 4Truck, disse que em janeiro o volume comercializado para locadoras representou 50% total: “É difícil projetar quanto aumentará até dezembro na comparação com 2019, mas elas estão avançando. Em 2018 quase não vendemos para locadoras, mas no ano passado já representaram 15% do total”.

 

Atualmente as locadoras e demais empresas que atuam no segmento oferecem serviços diversos, como a locação do caminhão, veículo e motorista e opções completas que incluem toda a manutenção dos veículos e disponibilidade 24 horas para eventuais necessidades. Os executivos citaram algumas áreas que possuem grande procura por locadoras: cana-de-açúcar, mineração, serviços de distribuição nas cidades, como bebidas, remédios, produtos vendidos pela internet e coleta de lixo.

 

Fotos: Divulgação.

Comprar um carro novo deve ficar mais caro

São Paulo – Conta simples do presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes: a valorização cambial de janeiro ao início de março, em torno de R$ 0,60, causou impacto de R$ 8 bilhões nos custos da indústria somente com relação à importação de peças.

 

Outra conta simples: cada automóvel produzido ficou, em média, R$ 2,6 mil mais caro.

 

Embora o cálculo utilize matemática básica – há ainda diversos outros fatores a serem ponderados, como o hedge das exportações, o ganho de produtividade etc – é um indício de que estão por vir correções nas tabelas de preços das montadoras nos próximos meses. Claro que ninguém na indústria confirma oficialmente reajuste dos preços atrelado ao dólar, mesmo que alguns modelos recém-apresentados, como o Toyota Corola e o Chevrolet Onix, sejam ofertados com valores anabolizados em todas as versões.

 

Em conversas da equipe de AutoData com alguns representantes das montadoras o que mais escutamos é que “será muito difícil segurar os preços”. A maior dificuldade do momento é absorver o aumento de 15% somente no custo cambial. E isso foi na semana passada, antes da trágica segunda-feira, 10, e desta quinta-feira, 12, momentos de grande apreensão e paralisação da Ibovespa com valorização expressiva da moeda norte-americana.

 

O presidente da Anfavea admitiu a possibilidade do repasse, mas lembrou que isso dependerá dos planos de cada montadora.

 

Este texto foi publicado originalmente no UOL, onde AutoData mantém uma coluna semanal todas as sextas-feiras.

 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.