O dia em que o just-in-time parou a indústria

São Paulo – Uma das mais importantes criações da indústria automotiva, o TPS, Sistema Toyota de Produção, também conhecido como toyotismo, responsável por economizar milhões de dólares todos os anos em custos de estoque, pode ter sido um dos vilões do desabastecimento durante a greve de caminhoneiros, que chegou a seu nono dia na terça-feira, 29. O conceito logístico just-in-time adotado pelas montadoras brasileiras deixou todo mundo sem peças e interrompeu as linhas de montagem – desde a sexta-feira, 25, não se produz nenhum veículo no Brasil.

 

Não seria equivocado dizer que o sucesso do just-in-time na indústria automotiva levou outros setores de bens de consumo a repetir o expediente: diminuir ao máximo os estoques e desenvolver uma cadeia logística eficiente de abastecimento, que no Brasil está toda apoiada em caminhões.

 

Segundo o Lean Institute Brasil o TPS foi criado por Taiichi Ohno, chefe de produção da Toyota no Japão ao fim da 2ª Guerra Mundial. Um dos conceitos aplicados pelo sistema é o just-in-time, desenvolvido alguns anos antes pelo filho do fundador da montadora, Kiichiro Toyoda: ele determinou que a montadora não trabalharia com excesso de estoque.

 

“Estoque é custo. A contabilidade não calcula esse custo, mas o gerenciamento, sim”, conta Antônio Jorge Martins, coordenador do MBA de Gestão Estratégica de Empresas da Cadeia Automotiva da FGV. “O dinheiro dessas peças estocadas poderia ser aplicado no mercado financeiro ou em outro investimento da empresa, como o desenvolvimento de novos produtos.”

 

Pelos fatores explicitados por Martins as montadoras passaram a trabalhar com estoque mínimo. Ou seja, o estoque sempre está rodando nos caminhões do fornecedor à fábrica. Com a greve que atravessou mais de uma semana todas as fabricantes deixaram de ser abastecidas: “Se foi zerado o abastecimento de um componente específico fundamental para a produção já é necessário parar a linha toda”.

 

O coordenador da FGV pondera, entretanto, que há duas visões para a situação, também relacionadas a estoques – mas dessa vez de carros. Segundo ele montadoras que estavam muito estocadas poderão aproveitar-se da greve para regular os níveis de veículos nos pátios e nas concessionárias – que, inclusive, também estão vendendo menos com a greve.

 

No sentido contrário, outras poderão sofrer com a greve e perder participação de mercado: “Os custos trabalhistas podem ser equalizados. As montadoras dispensam os funcionários durante a greve e estes acumulam banco de horas, que serão usados no retorno da produção”.

 

Martins se esquivou de projetar o prazo para que a produção brasileira de veículos restabeleça o ritmo anterior ao da greve. Segundo ele dependerá da estratégia adotada por cada empresa: “Alguns colegas relatam que há comitês de gerenciamento de crise dentro de empresas avaliando a possibilidade de manter as linhas mais tempo paradas para que haja retorno mais adequado à realidade do mercado”.

 

Certo mesmo é que os dados de produção de maio serão afetados pelos dias de paralisação dos caminhoneiros. Em abril a média de produção diária chegou a 12,6 mil veículos – e já são três dias úteis sem produzir automóveis, caminhões ou chassis de ônibus no País.

 

Foto: Divulgação.

Trabalhadores da GM SJC aprovam PLR em assembleia

Os funcionários da fábrica da General Motors de São José dos Campos, SP, aprovaram em assembleia realizada na terça-feira, 29, os valores da PLR que serão pagos pela fabricante este ano.

 

Ficou estabelecido que a primeira parcela, de R$ 9,4 mil, será paga em junho. 

 

O valor da segunda parcela será negociado pela GM e o Sindicato dos Metalúrgicos até o fim de agosto. A antecipação deste ano é 4,5% superior à do ano passado, fechada em R$ 9 mil.

 

A GM dispõe, ali, de cerca de 5 mil trabalhadores e produz os modelos S10 e Trailblazer, motores e transmissões.

Kicks vende 38,5 mil unidades em um ano

São Paulo – A produção do modelo Kicks, o SUV médio da Nissan, na fábrica que a companhia mantém em Resende, RJ, completou um ano na terça-feira, 29. A fabricante informou, por meio de comunicado, que o volume fabricado aqui, nos últimos doze meses, foi de 45 mil 60 unidades.

 

As vendas no período somaram 38,5 mil unidades, contando apenas as produzidas aqui. Considerando o volume inicial vendido aqui, composto por unidades produzidas no México, o volume de emplacamentos sobe para 60 mil 920 unidades.

 

Até abril o Kicks figurou como o décimo-terceiro veículo mais vendido do Brasil este ano, com 16 mil 20 unidades. Dentro da categoria de SUVs, no quadrimestre, o modelo foi o terceiro mais vendido: terminou atrás do líder Jeep Compass e do Honda HR-V, segundo dados do Renavam divulgados pela Fenabrave.

 

Para ser produzido aqui a fábrica de Resende recebeu coisa de 150 novos equipamentos e um segundo turno foi aberto, com a contratação de seiscentos funcionários. O investimento feito pela fabricante na região para receber a nova linha foi de R$ 750 milhões. Afora o Brasil o Kicks é vendido na Colômbia, Chile, México e Peru.

 

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Fundação Marcopolo comemora 30 anos

A Fundação Marcopolo comemora 30 anos de existência com foco em promover a qualidade de vida dos seus funcionários e de seus familiares e o desenvolvimento social de crianças e adolescentes nas comunidades onde a companhia está presente, de acordo com comunicado divulgado na terça-feira, 29.

 

Para atingir seus objetivos a instituição realiza programas sociais nas áreas de cultura, educação, esporte e lazer, que beneficiam cerca de 60 mil pessoas por ano.

Faltam motoristas de caminhão profissionais na América do Norte

Faltam caminhoneiros profissionais no mercado de trabalho da América do Norte, revelou relatório da Telemundo, emissora de televisão estadunidense. As informações foram divulgadas pelo site Flash de Motor, de Caracas, Venezuela, na segunda-feira, 28.

 

O relatório conta que várias associações que representam os motoristas alertam sobre a falta de reconhecimento da profissão, que faz com que os profissionais busquem outras atividades e que não gera interesse nos jovens, o que pode agravar a situação.

 

O que também afasta os profissionais é o número de horas trabalhadas diariamente no volante.

 

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Ford mira reposição com marca Omnicraft

A Ford anunciou na terça-feira, 29, que passará a operar, aqui, no segmento de reposição com a marca Omnicraft, com a qual abastece o mercado de peças para veículos de outras fabricantes nos Estados Unidos. A companhia oferecerá no Brasil linha de treze produtos até dezembro — a princípio apenas pastilhas de freio e filtros.

 

A marca foi lançada em 2017 nos mercados estadunidense e europeu, “e continua em expansão pelo mundo”, segundo a empresa. Afora a linha de reposição para veículos de outras montadoras a Ford detém, também, a marca Motorcraft, de peças originais.

 

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Greve derruba média diária de vendas

São Paulo – O mercado brasileiro de veículos já começou a sentir os reflexos da paralisação dos caminhoneiros, que na terça-feira, 29, chegou ao seu nono dia: até o dia anterior as vendas acumuladas somavam 185,5 mil unidades, coisa de 9 mil 315 unidades vendidas/dia, resultado de dezenove dias úteis de operação, de acordo com dados preliminares do Renavam.

 

Desde sexta-feira, 25, a trajetória descendente dos licenciamentos passou a se acentuar, com 8 mil unidades emplacadas, recuando para 7 mil na segunda-feira, 28. No mês passado a média diária de vendas foi de 10,3 mil unidades.

 

Na concessionária Volkswagen Sorana, na Zona Norte de São Paulo, o movimentou caiu mais de 60%, de acordo com o vendedor Ney Alvarenga: “Nós vendemos cerca de setenta veículos nos fins de semana e, no último, foram trinta vendas. No domingo até fechamos a loja mais cedo por falta de movimento, o que é muito raro”.

 

Na Zona Sul a concessionária Ford Caoa também observou menor fluxo de clientes, segundo o vendedor Francisco Nascimento: “Não há combustível para que os clientes avaliem os carros que pretendem comprar na concessionária e, com isto, tudo fica parado. Vendemos menos da metade do que costumamos vender em um fim de semana normal. Geralmente, no fim do mês, o movimento aumenta, mas essa greve acabou com a nossa expectativa”.

 

Na Fiat Amazonas, na Zona Leste, quase não houve movimento durante os últimos dias de greve, relatou o vendedor José Luiz da Silva: “Acho que apenas um veículo foi vendido no último fim de semana. Eu mesmo não vendi nenhum, e nossa loja está completamente parada”.

 

A falta de combustível também afetou as vendas que já foram feitas, pois os clientes não conseguem retirar o veículo, recorda Nascimento: “Costumamos colocar 5 litros no tanque quando o cliente vem retirar o carro, para que possa chegar ao posto mais próximo e abastecer. Mas nesta semana as entregas estão paradas porque não temos combustível”.

 

O mesmo acontece na concessionária Volkswagen Sorana, segundo Alvarenga: “Quem tem carro para retirar está com medo, pois não há combustível nos postos. Nós conseguimos abastecer os veículos antes de a gasolina acabar e eles estão com 40 quilômetros de autonomia mas, mesmo assim, os clientes não estão retirando”.

 

Além da queda no movimento e da impossibilidade de os clientes retirarem os carros, a greve dos caminhoneiros também afeta as poucas vendas que foram fechadas durante o período, nota o vendedor da Sorana: “Como os carros não estão chegando, pois estão parados nas cegonheiras, os clientes que compraram terão que aguardar a normalização da situação para retirar seus veículos”.

 

O mesmo acontece na Fiat Amazonas, atesta Silva: “Estamos informando os clientes que compraram recentemente que a entrega dos veículos levará um tempo maior, pois a maioria está parada nos caminhões que não podem passar pela greve”.

 

Colaborou Bruno de Oliveira

 

Fotos: Divulgação.

Governo tira transportadoras da reoneração da folha

São Paulo – O acordo firmado pelo governo com as entidades que representam os caminhoneiros tirou o setor de transporte rodoviário de carga da lista dos que deixarão de ter a desoneração na folha de pagamento. No domingo, 27, o presidente da República fez um pronunciamento anunciando as medidas, que incluiu desconto de R$ 0,46 no preço do litro do óleo diesel nas bombas dos postos de combustível, congelamento do preço por sessenta dias, eliminação da cobrança do pedágio de eixos suspensos e a criação de um valor mínimo para o frete.

 

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o custo do desconto no diesel é da ordem de R$ 10 bilhões. Técnicos do governo analisariam durante a segunda-feira, 28, quais setores seriam incluídos na lista de reoneração da folha de pagamento, que precisam reduzir em R$ 3,8 bilhões os gastos. A expectativa é que o Senado Federal aprove a medida na terça-feira, 29.

 

A lista que passará por votação no Senado inclui o setor de autopeças e materiais plásticos, dentre outros. A reportagem apurou com uma fonte do setor que o Sindipeças se mexe nos bastidores para retirar o setor da lista dos reonerados.

 

Apesar do pronunciamento do presidente, na segunda-feira (28) ainda havia entre 20% e 30% de caminhoneiros mobilizados. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria, CNI, pediu o desbloqueio das vias. “O Brasil está parado. Precisamos retornar à normalidade. O movimento dos caminhoneiros foi atendido nas suas demandas. É hora de deixar trabalhar quem quer trabalhar”.

 

A Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB, estima que o País deixou de exportar ao menos US$ 1 bilhão com a paralisação. À Agência Brasil, o presidente José Augusto de Castro disse que o setor de manufaturados perdeu aproximadamente 5% do valor mensal de embarques. “Você deixa de entregar no prazo efetivo e acaba tendo que cancelar a operação. Você teria ali, pelo menos, mais US$ 500 milhões de perdas”.

 

No começo da noite, o presidente da República afirmou ter “absoluta convicção” de que a paralisação dos caminhoneiros se encerra na terça-feira, 29.

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Veículos híbridos BMW ganham carregador sem fio

São Paulo – A divisão de veículos elétricos do Grupo BMW, BMWi, apresentou “um inédito” carregador sem fio para baterias de veículos híbridos plug-in. Segundo a empresa o sistema, que funciona por indução, começará a ser produzido em julho e faz parte do plano da empresa de liderar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para carregamento de veículos eletrificados.

 

O carregador será vendido como opcional. Consiste de uma estação de carregamento indutivo, que pode ser colocada em garagens ou ao ar livre, e um componente secundário que deve ser colocado na parte inferior do veículo. A indução é realizada a uma distância de 8 centímetros, segundo a BMW: enquanto a estação gera o campo magnético o componente induz a corrente elétrica que carregará a bateria.

 

O BMW Wireless Charging pode ser encomendado por meio de leasing para o modelo 530e iPerformance. As vendas começarão pela Alemanha, e depois no Reino Unido, Estados Unidos, Japão e China – não há previsão de chegada ao mercado brasileiro.

 

Foto: Divulgação

Fred Bohley é o novo VP da Allison

São Paulo – A fabricante de transmissões Allison informou, na segunda-feira, 28, a partir de sua sede global, em Indianapolis, IN, que Fred Bohley foi nomeado seu vice-presidente, diretor financeiro e tesoureiro. De acordo com comunicado divulgado pela empresa o executivo assume os novos postos na sexta-feira, 1º.

 

Desde 1991 na companhia Bohley começou a carreira no departamento financeiro. Passou para o de marketing em 2001 depois de promoções. Dois anos depois mudou-se para São Paulo e assumiu a diretoria de operações da América Latina. Retornou à matriz em 2006 para trabalhar novamente na área de marketing.

 

O retorno à área financeira ocorreu em 2007 e, dez anos depois, tornou-se tesoureiro da companhia. Agora assume a função de CFO.

 

“Estou honrado em assumir o papel de diretor financeiro”, disse Bohley. “Estou ansioso para trabalhar com [o presidente] David [S. Graziosi], a equipe de liderança da Allison e nosso conselho de administração para garantir que a Allison permaneça como líder do setor em transmissões totalmente automáticas, enquanto também analisa novas oportunidades que estão por vir. Estamos focados em melhorar a maneira como o mundo trabalha.”