Megale: protagonismo estará com quem desenvolver conhecimento.

O governo brasileiro precisa apoiar fortemente os investimentos da indústria automotiva brasileira em pesquisa e desenvolvimento em vez de limitá-lo. Esta é a opinião pessoal de Antônio Megale, presidente da Anfavea, sobre a provável aplicação de uma certa lei-do-Bem-adaptada prevista no texto preliminar do Rota 2030 – cujo anúncio, segundo ele, “deverá ocorrer nos próximos dias ou semanas”.

 

Conforme veiculado na imprensa nas últimas semanas o texto preliminar do programa automotivo prevê incentivo de R$ 1,5 bilhão em investimento em pesquisa e desenvolvimento por ano por montadoras e sistemistas. Esse valor seria abatido de tributos como imposto de renda e CSLL, contribuição social sobre o lucro líquido, como na legislação conhecida como Lei do Bem. Mas, como estes impostos incidem apenas sobre operações lucrativas, criou-se a possibilidade de as empresas receberem estes recursos em um prazo maior – falou-se em quinze anos, mas Megale não confirmou.

 

“O governo concede anualmente R$ 300 bilhões em subsídios para diversos setores. A indústria automotiva ficará com 0,5% deste valor”, disse o presidente da Anfavea na segunda-feira, 21, após entrevista coletiva sobre o Salão do Automóvel 2018. “Minha opinião: o governo precisa apoiar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, não criar um teto. No futuro o protagonismo estará com aquele que tiver mais conhecimento. Limitar o investimento não me parece a melhor visão”.

 

Megale também disse que o texto ainda poderá sofrer alterações até a sua publicação. Segundo ele o Rota 2030 passará por análises das áreas jurídicas dos ministérios da Fazenda e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – e há divergências que ainda podem mexer com alguns pormenores.

 

Outra mudança importante, porém, ficará para uma segunda fase do Rota, prevista para após 2022: as alterações nas cobranças de IPI para automóveis. Atualmente elas incidem sobre as motorizações – modelos de 1 mil cm³ de cilindrada têm uma alíquota, de 1 mil cm³ a 2 mil cm³ de cilindrada outra, e por aí vai. No futuro, após uma fase de adaptação, o IPI deverá incidir sobre a eficiência energética do modelo.

 

“Mudar agora criaria dificuldades, pois o Inovar Auto foi pensado com a tabela atual. Nada será alterado no curto prazo, haverá uma transição.”

 

O que mudará mesmo será a tributação sobre veículos híbridos e elétricos – mas isto, segundo Megale, está fora do Rota 2030.

 

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

Greve na M-Benz de São Bernardo completa uma semana

A greve na fábrica da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, SP, que conta com 8 mil trabalhadores, completou uma semana na segunda-feira, 21, e foi mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Não houve avanço nas negociações com a companhia, de acordo com comunicado divulgado pela entidade.

 

Os funcionários pedem reajuste salarial e mudanças no cálculo da PLR, mas a Mercedes-Benz não concorda e, por isto, a produção está parada. De acordo com Aroaldo Oliveira, secretário geral do sindicato, houve negociações durante o fim de semana, mas sem avanços. Na sexta-feira, 18, uma proposta da montadora foi rejeitada pelos metalúrgicos.

 

Na terça-feira, 22, nova assembleia será realizada, às 7h30, para comunicar aos funcionários o teor das negociações.

 

Foto: Divulgação.

Funcionários da Scania aprovam acordo por dois anos

Em assembleia na quinta-feira, 17, os funcionários da Scania, de São Bernardo do Campo, SP, aprovaram acordo de campanha salarial negociado por dois anos pelo Sindicato dos Metalúrgicos com a montadora.

 

O acordo, que segue até janeiro de 2020, trata da reposição salarial pelo INPC na data-base em setembro e os 2% adicionais a partir de janeiro do ano que vem. Também foi acertado o pagamento da PLR, Participação nos Lucros e Resultados, em duas parcelas: junho deste ano e janeiro de 2019, em valor não divulgado pela entidade sindical.

 

Foto: Adonis Guerra.

Locadoras faturam R$ 2,8 bilhões no trimestre

As três maiores locadoras que atuam no mercado brasileiro – Localiza, Unidas e Movida – apresentaram crescimento nas receitas no primeiro trimestre do ano, ante igual período ano passado. Juntas, faturaram R$ 2,8 bilhões com serviços de locação, gestão de frotas e venda de veículos seminovos.

 

A Localiza foi a que obteve maior resultado das três. Faturou no trimestre R$ 1,8 bilhão, o que representou alta de 36% na comparação com igual período de 2017. A maior parte da receita teve como origem a venda de veículos da frota, unidade de negócio que injetou R$ 1 bilhão 20 milhões no caixa.

 

Dentre as três, a Movida obteve o segundo melhor desempenho no trimestre. O faturamento no período foi 16,4% maior do que o registrado nos três primeiros meses de 2017. Com isso, a receita alcançou R$ 604,2 milhões. As vendas de veículos renderam R$ 336 milhões, 9% a menos do que no primeiro trimestre do ano passado.

 

A Unidas, por sua vez, registrou receita de R$ 453 milhões no trimestre, 22,6% a mais do que a registrada em igual período em 2017. A empresa faturou com a venda de seminovos, no período, R$ 223,8 milhões, 19% a mais do que a receita do mesmo trimestre do ano anterior.

 

Foto: Divulgação.

Vendas do Grupo VW crescem no quadrimestre

As vendas globais do Grupo Volkswagen registraram alta de 8% no quadrimestre, indicou balanço divulgado pela companhia na sexta-feira, 18. Foram vendidos 3 milhões 336 mil veículos. As regiões que apresentaram maior crescimento no período foram Ásia e América do Sul.

 

Na Ásia foram vendidos 1 milhão 294 mil 500 veículos, alta de 12% na comparação com o volume vendido no quadrimestre de 2017. A China, maior mercado da companhia na região, absorveu desse total 1 milhão 191 mil 200 veículos, 12,9% mais.

 

Na América do Sul as vendas de veículos do Grupo VW chegaram a 161,2 mil unidades, alta de 12%. No Brasil, principal mercado da região, foram vendidos 90,9 mil veículos da Volkswagen, Scania e MAN, as marcas do grupo que atuam aqui.

 

No mercado europeu o grupo vendeu 1 milhão 466 mil 400 veículos, 5,4% a mais do que o volume vendido no quadrimestre do ano passado. A Alemanha, onde fica a sede do Grupo VW, absorveu 433,4 mil veículos: alta de 5,2%.

 

Crescimento também na América do Norte, onde foram vendidos 293,2 mil veículos, volume que representou alta de 2,6% no mercado da região. Nos Estados Unidos, 187,5 mil veículos vendidos, alta de 8%.

 

MARCAS – No quadrimestre  a Volkswagen vendeu 1,9 milhão de automóveis no mundo, 7% a mais do que no jan-mar do ano passado. Os veículos Audi foram 578,6 mil unidades, alta de 8%. Os Skoda, vendidos na Europa, foram 380,8 mil unidades, 11,3% mais.

 

Nas marcas de veículos comerciais, as vendas dos caminhões Volkswagen chegaram a 161,7 mil unidades, leve queda de 0,4%. Os veículos MAN foram 33,4 mil unidades, alta de 27%. As vendas da marca Scania apresentaram alta de 8,9% no quadrimestre, com 27,7 mil unidades.

 

Foto: Divulgação.

Here fornece 90% dos mapas dos veículos brasileiros

Principal fornecedora de mapas para os sistemas multimídias dos automóveis brasileiros, a Here Technologies conta com uma frota de veículos dedicada a rodar as cidades brasileiras e fazer o reconhecimento dos locais. Equipados com quatro câmeras capazes de filmar em 360º, um sensor e um GPS, todos instalados no lado externo, na parte de cima da carroceria, os veículos contam ainda com um smartphone conectado a um sistema responsável por levar a conexão de internet até um tablet — neste está instalado o aplicativo da Here, que determina a rota a ser mapeada.

 

Na sexta-feira, 18, a reportagem da Agência AutoData foi convidada a rodar com um dos carros da frota e conhecer de perto o funcionamento do mapeamento da cidade. O veículo chama a atenção de quem está na rua por causa das câmeras e GPS, visíveis na parte de cima da carroceria. Por dentro, o celular roteia a internet para o tablet, responsável por determinar a rota a ser mapeada. Ao partir com o veículo, bastou o motorista seguir as orientações do aplicativo que traçou a rota e manter a velocidade permitida para o sistema captar as informações em 360º.

 

Pelo tablet, é possível acessar as câmeras, checar a visibilidade e o seu correto funcionamento. Para que o mapeamento funcione, é preciso que não esteja chovendo e que a iluminação natural esteja boa — em dias nublados e em ruas muito arborizadas, as câmeras não conseguem captar as imagens com nitidez.

 

Especializada no desenvolvimento de mapas e coleta de dados para gerar informações de trânsito, a Here estima ter 90% de participação no mercado brasileiro para montadoras. Segundo Vinícius Ferreira, gerente sênior de produto para América Latina, todas as montadoras no País são clientes da empresa.

 

Após receber os mapas da Here, a montadora passa ao sistemista de sua preferência a tarefa de compilar as informações e transmitir para o kit multimídia dos veículos. Para o desenvolvimento de suas tecnologias, a Here conta com empresas do próprio setor automotivo como sócias-investidoras, caso da Audi, BMW, Bosch, Continental, Intel, Mercedes-Benz e Pioneer.

 

Segundo Ferreira, os dados são gerados a partir de veículos anônimos. Ele garantiu que informações pessoais, como o nome do proprietário do veículo e modelo do carro, não são reveladas. Ao reunir as informações dos diversos veículos dotados do sistema, é possível gerar as informações do trânsito na região.

 

Essas informações estão disponíveis no aplicativo de mobilidade da Here, outro modelo de negócio para a companhia — essa tecnologia é comercializada para empresas usarem em suas áreas de logística, rastreamento e monitoramento de carga.

 

“Nossa tecnologia também é fornecida para veículos autônomos até o nível quatro, caso do Audi A8. Nos modelos equipados com sistemas de condução autônoma, somos responsáveis pela captação e geração dos dados dos mapas que eles utilizam para trafegar, que é diferente dos mapas que as pessoas usam no kit multimídia dos veículos”.

 

A empresa não revela números de faturamento, mas Ferreira disse que, mesmo durante a crise, cresceu o volume de negócios e a receita — e a expectativa é continuar crescendo em 2018. A Here tem mais de 400 colaboradores na América Latina.

 

“Fizemos um investimento recente no Brasil, que foi a modernização de nosso escritório, para acompanhar o padrão global da companhia e oferecer uma condição melhor de trabalho para nossos funcionários. Foi o quinto país que teve sua sede modernizada pela Here”.

 

Fotos: Divulgação.

Di Si mostra planos da VW ao ministro da Fazenda

A Nova Volkswagen, como foi batizado o plano de investimento de R$ 7 bilhões que a montadora de São Bernardo do Campo, SP, aplicará no Brasil, que inclui o lançamento de 20 novos modelos até 2020, foi uma das pautas da reunião do presidente da empresa na América do Sul, Pablo Di Si, com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

 

Segundo a montadora, foi a primeira reunião do executivo com o novo titular da Fazenda, que assumiu o cargo em abril, sucedendo Henrique Meirelles. No encontro no escritório do ministério em São Paulo, SP, Di Si conheceu também as medidas que estão sendo tomadas pelo governo para fazer a economia brasileira avançar.

 

Em nota, Di Si disse reconhecer o trabalho que a pasta tem feito no combate à inflação, “permitindo assim melhores condições para o desenvolvimento do mercado, como o automotivo”.

 

O presidente da Volkswagen ponderou que a volatilidade do câmbio tem merecido bastante atenção neste momento. Na tarde de sexta-feira, 18, o dólar superou os R$ 3,70, em alta de mais de 1%.

 

Antonio Megale, diretor de relações governamentais da Volkswagen do Brasil e presidente da Anfavea, também participou da reunião com o ministro.

 

Foto: Divulgação.

Produção de veículos cresce 20% na Rússia

A produção de veículos na Rússia cresceu 19,7% no primeiro trimestre, na comparação com o período de janeiro a março de 2017. Os dados são da consultoria local ASM Holding e foram publicados no portal RusAutoNews.com. Somados veículos leves, caminhões e ônibus, as linhas de produção do país-sede da Copa do Mundo 2018 entregaram 407,9 mil unidades.

 

O segmento de veículos de passageiros avançou 21,6% no período, para 369,7 mil unidades. Destes, 276,3 mil são de marcas “estrangeiras”, ou seja, que não são originalmente russas – nessas fábricas, a alta foi de 20,8%. O ritmo das linhas de comerciais leves subiu 3,8%, alcançando 23,4 mil unidades.

 

Em caminhões o crescimento foi de 4,9%, somando 30,6 mil unidades. As marcas estrangeiras aumentaram a sua produção em 51,9%, alcançando 5,9 mil veículos. Por fim, o segmento de ônibus cresceu 1,7% no primeiro trimestre, para 7,6 mil unidades – neste, as marcas de fora da Rússia avançaram 7,9%, com 2 mil unidades produzidas.

Marchionne prepara grandes mudanças na FCA

Sergio Marchionne, CEO do grupo FCA, fará grandes mudanças na produção e no portfólio de modelos da companhia na Itália que serão anunciadas em 1º de junho, segundo informações publicadas na imprensa internacional na sexta-feira, 18.

 

A FCA abandonará a produção de modelos de alto volume no mercado italiano, incluindo o Fiat Punto e o Alfa Romeo Mito, para focar em modelos de luxo. O plano de Marchionne é reequipar suas fábricas de Turim e Pomigliano para produzir novos SUVs da Jeep e Maserati — esta deverá ganhar um novo utilitário para fazer companhia ao Levante.

 

No caso da Jeep, as mudanças permitirão desenvolver um novo modelo de entrada, parte do plano de expansão global da marca. Em janeiro Marchionne estimou que poderá dobrar seu lucro em cinco anos, explorando o potencial da marca.

 

O intuito das mudanças é impulsionar as vendas globais da Jeep e ajudar a FCA na transição de veículos a diesel para os elétricos e híbridos, pois na visão do CEO, não há futuro na produção de carros de massa nos países europeus.

 

Mudanças também na América do Sul

 

A FCA também estuda uma nova produção de caixas de câmbio na fábrica de Ferreyra, Córdoba, Argentina, onde a companhia já produz 350 unidades do Cronos por dia, de acordo com as informações do site Flash de Motor.

 

Caso a matriz aprove o projeto, serão investidos aproximadamente US$ 100 milhões para começar a produção dos câmbios manuais e automáticos para o Cronos e outros modelos da companhia.

 

Foto: Divulgação

M-B investirá € 500 milhões na produção de elétricos na França

A Mercedes-Benz investirá 500 milhões de euro para produzir carros elétricos compactos na França. A fábrica escolhida foi a de Hambach, de acordo com as informações divulgadas pela imprensa internacional na sexta-feira, 18.

 

O valor será aplicado para a construção de um novo espaço para produção de veículos elétricos e desenvolvimento de novos produtos. Atualmente a fábrica conta com 800 colaboradores e produz modelos da marca Smart.