A estratégia de fazer mais com menos deu certo. Em 2015 a operação latino-americana da PSA voltou à lucratividade. É a primeira vez em seus quinze anos que a divisão fecha no azul. Carlos Gomes, presidente Brasil e América Latina do Grupo PSA, não revela números regionais, e diz somente que a margem chegou globalmente a 5%, resultado projetado pelo conglomerado para ser atingido em mais dois anos.
Gomes, contudo, destaca que a operacão brasileira, a maior da região, ainda ficou no vermelho, embora tenha contribuído decisivamente para a redução dos custos fixos e variáveis. “Esse trabalho foi feito em todos os níveis e em todas as operações. Nosso ponto de equilíbrio que antes exigia 400 mil veículos produzidos e negociados, e agora baixou para 150 mil”, ilustrou.
O executivo lembra que, dentre outras medidas, como aumento do índice de nacionalização, a empresa ainda tirou de linha, nos últimos três anos, produtos sem rentabilidade para também racionalizar a produção. Hoje, por exemplo, todos os veículos contam com a mesma estrutura metálica de bancos e o número de viagens de funcionários foi reduzido em 90% graças a reuniões virtuais ou realocação de pessoal.
Apesar do resultado positivo, Gomes prefere não falar em novos investimentos. Diz apenas que a lucratividade momentânea assegura continuidade dos planos. As verbas, pondera, serão encaminhadas à medida que os mercados e projeções demandarem. Certo, porém, é que a empresa seguirá perseguindo maior índice possível de conteúdo local ou regional. “Os novos projetos devem ter cerca de 90%.”
Esse rigor com os investimentos teve exemplo prático na terça-feira, 29, em São Paulo. A empresa apresentou em seu Centro de Design um novo motor para o mercado brasileiro: o PureTech 1.2 de três cilindros bicombustível. Considerado o mais moderno motor da PSA, equipará inicialmente o Peugeot 208 fabricado em Porto Real, RJ – Gomes não esconde que futuramente deve adotá-lo também no Citroen C3 –, o modelo mais vendido da marca, quase metade de todos os Peugeot vendido no Brasil.
Ainda assim o PureTech será importado, mesmo depois de Gomes assegurar que o desenvolvimento da versão flex junto com o face-lift do 208 que chegará ao mercado no começo de maio, tenha custado cerca de R$ 200 milhões. “Produzir aqui é uma idéia natural. Mas o momento econômico agora requer prudência e optamos por trazer uma resposta mais rápida para o consumidor brasileiro”, diz o presidente da operação, que calcula que para justificar a produção local do três cilindros precisaria de escala de 80 mil a 100 mil unidades anuais.
A PSA fechou 2015 com cerca de 160 mil veículos vendidos na América Latina, 3,2% de participação. No Brasil as cerca de 58 mil unidades negociadas representaram ainda menos: 2,4% do mercado interno de automóveis e comerciais leves. Gomes projeta ligeiro crescimento na região em 2016, para cerca de 3,9%, assim como no Brasil, mercado que, segundo ele, ficará pouco abaixo dos 2 milhões de automóveis e comerciais leves.
“Mas queremos mesmo é aumentar ainda mais a rentabilidade.”