Sindipeças atualiza projeções para 2016

O Sindipeças revelou na quinta-feira, 4, novas projeções para a indústria brasileira de autopeças neste ano e no próximo. Para a associação o faturamento nominal crescerá 1,3% ante 2015, para R$ 64 bilhões. Porém, em comunicado, o Sindipeças considerou que “[é] importante considerar que o crescimento nominal previsto é bastante inferior à inflação e à variação cambial passadas e projetadas. Portanto esse crescimento nominal significa provável retração do faturamento real, ajustado à inflação e ao câmbio”.

Para 2017 a previsão é de elevação mais significativa, alcançando R$ 67,1 bilhões.

A entidade espera ainda mais uma forte redução no déficit da balança comercial do segmento, que fechou 2015 em US$ 5,6 bilhões, queda de 37,8% ante 2014. Para 2016 a previsão é de nova queda significativa, de 28%, caindo a US$ 4 bilhões – isso porque as exportações devem crescer cerca de 5%, para US$ 8 bilhões, enquanto que as importações devem cair aproximadamente 9%, para US$ 12 bilhões.

As vendas às montadoras devem ter participação reduzida mais uma vez este ano, estima o Sindipeças, alcançando 58,8% do total e retornando ao nível de 2015, 59,4%, em 2017 – em 2014 o índice fora de 69,5%. Já a reposição deve crescer para 18,2% neste ano ante 17,7% no ano passado, reduzindo para 18% em 2017.

Já os investimentos devem ser 7,6% menores neste ano ante 2015, para R$ 575 milhões, com perspectiva estável para 2017, R$ 571 milhões.

Confira o relatório completo das previsões do Sindipeças acessando o link http://www.sindipecas.org.br/sindinews/Economia/2016/Desempenho_Projecoes_2016-2017_Janeiro.pdf.

FCA unifica a área comercial no Brasil

A FCA, Fiat Chrysler Automobiles, decidiu unificar a área comercial do Grupo no Brasil. Sérgio Ferreira, até então diretor geral da Chrysler/Jeep para América Latina, assumiu na quinta-feira, 4, o cargo de diretor comercial, passando a responder pelas operações de vendas de todas as marcas da FCA comercializadas no País – Fiat, Jeep, Chrysler, Dodge e RAM.

Ferreira continuará sendo responsável pela marca Jeep para a América Latina, com a prioridade de expandi-la no continente, como feito recentemente no Brasil, com o lançamento do Jeep Renegade. Já a marca Fiat passa a ser coordenada pelo diretor de produto da FCA Latam, Carlos Eugênio Dutra. Lélio Ramos deixa a diretoria comercial da marca Fiat, mas continua no Grupo como responsável por novos projetos estratégicos na área comercial.

O anúncio foi feito pelo presidente da FCA para a América Latina, Stefan Ketter, via comunicado à imprensa. De acordo com a nota as redes de concessionárias manterão suas identidades e independência, continuando a operar separadamente por marcas. Em contrapartida toda a estrutura comercial, incluindo os oito escritórios regionais, passará a atender a todas as marcas do Grupo.

A mudança, segundo Ketter, é parte do projeto de consolidação da empresa no Brasil e em toda a América Latina, “em linha com as novas práticas globais necessárias para um grupo que nos últimos anos incorporou marcas das mais importantes do mundo, como a própria Jeep”.

O objetivo, afirmou o executivo, é valorizar ainda mais as marcas que compõem o portfólio do grupo, focando na construção de uma estrutura mais dinâmica, integrada e moderna na área de vendas: “Os brands serão reforçados com lideranças focadas, que trabalharão em conjunto com a área comercial, para criar maior valor às marcas”.

Em entrevista concedida à AutoData em dezembro, publicada na sessão From the Top da edição de janeiro, Stefan Ketter – eleito Personalidade do Ano 2015 no Prêmio AutoData – já havia adiantado que haveria mudanças na área comercial. Na ocasião disse que “enquanto marcas, Fiat tem de pensar Fiat e Jeep pensar Jeep. Têm de ser egoístas, cada uma com gestão separada. Mas o comercial trabalha com uma visão diferente, e as políticas comerciais não necessariamente têm de ser separadas”.

 

Scania quer exportar US$ 1 bilhão em 2016

Em 2015 a Scania foi a maior exportadora de caminhões e ônibus do Brasil, com 7,4 mil unidades embarcadas. Com isso, a montadora respondeu por 0,4% da receita total do País, com US$ 756 milhões. “Para este ano a meta é crescer ainda mais e chegar à marca de US$ 1 bilhão”, revela Fábio Castello, vice-presidente de Logística da Scania.

Isso pode ser possível porque na Scania a integração de mercados é prática comum e acaba ajudando a companhia em momentos de baixa em algum país. Este é o caso do Brasil e o cenário deve se repetir em 2016. Com vendas internas menores, a fábrica de São Bernardo do Campo, SP, é recrutada a enviar produtos para novos mercados.

Em 2013, 15% da produção nacional da montadora era enviada para oito mercados da América Latina, índices que saltaram a 60% para vinte e dois destinos, como Oriente Médio, Rússia e África do Sul, em 2015.

Para alcançar a meta de US$ 1 bilhão a Scania precisa ampliar seus horizontes. Muitas exportações não são concretizadas porque mercados como a Europa, Japão e Austrália possuem outra lei de emissões e já estão na Euro 6, motor que não é  feito no Brasil.

 “Para atender mais mercados vamos começar a fabricar motores Euro 6 no País. Ainda não podemos divulgar pormenores, mas isso faz parte da nossa estratégia de crescimento”, afirmou Castello em apresentação no Workshop AutoData Exportação – A nova fronteira da expansão, realizado em São Paulo, na quarta-feira, 3.

Outro mercado promissor é o de ônibus. “A Argentina voltou a comprar, o México se mostra um comprador constante e também vamos exportar os próximos lotes de ônibus movidos a gás para a Colômbia neste ano.”

Desde 1980 a empresa possui o conceito de modularização, o que faz com que os produtos fabricados aqui sejam idênticos aos feitos na Suécia. Mas segundo Castello, ainda há uma espécie de preconceito com os caminhões nacionais.

“Alguns mercados, como o Oriente Médio, querem descontos na hora de comprar o produto brasileiro e esta subjetividade acaba atrapalhando o negócio. Eles ainda associam o País a samba, carnaval e pouca seriedade.”

Outro problema enfrentado para ampliar as remessas é o logístico. Um produto brasileiro pode levar até três semanas para chegar na Europa com um frete de cerca de US$ 15 mil. “Em alguns casos esses fatores são decisivos para a escolha de outros mercados como fonte de exportação.” 

MWM realiza venda de 2,5 mil motores para Coreia do Sul

A MWM, fabricante de motores diesel, fechou contrato de venda de 2,5 mil motores para a Coreia do Sul. Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing, motores e peças da MWM, afirmou que o negócio foi firmado recentemente depois de cerca de um ano de negociações intensas. Os propulsores começarão a ser fabricados em junho deste ano.

“A insistência na negociação e o corpo a corpo foram fundamentais para esse negócio”, disse Püschel, mencionando inúmeras viagens ao país coreano. O executivo foi um dos palestrantes do Workshop Exportação – A nova fronteira da expansão, realizado pela AutoData Editora na sede da consultoria KPMG, em São Paulo, na quarta-feira, 3.

Para atender à demanda coreana a companhia terá de fazer ajustes de calibração nos produtos. Além disso, haverá uma série de treinamentos para qualificação de pessoal no Brasil e na Coreia do Sul para que não haja nenhuma dúvida sobre o produto.

 “Já estamos estruturando um trabalho de pós-venda, pois a reputação do produto é fundamental para que haja novos negócios.”

Em 2015 a companhia ampliou suas exportações em 30% ante 2014. Segundo o executivo, apesar de o momento ser desafiador as remessas para o Exterior podem ser uma boa opção. “Alguns estudos preveem o dólar em R$ 4,5 em 2015. Temos de ver o lado bom disso nesse momento de retração do mercado interno.”.

Para este ano a companhia prevê alta de 10% a 15% nas exportações. “Isso ajuda a mitigar o que estamos vivendo no mercado interno”, avaliou o diretor. Para alcançar a meta de crescimento a MWM aposta em mercados como Indonésia, Turquia e Egito.

Apenas para este último somente em 2015 foram exportados 4,1 mil motores, alta de 21% ante 2014.

A companhia atua em 43 mercados e segundo Püschel um dos segredos para aumentar as remessas é a proximidade das áreas de vendas e engenharia.

“Temos um centro de desenvolvimento local que possibilita autonomia e flexibilidade para fazer qualquer alteração no produto e isso traz possibilidades de novos negócios.”

Além disso o executivo destaca que a companhia já produziu 4,2 milhões de motores desde sua fundação e a frota circulante no mundo é de 2,5 milhões de veículos. “Isso estimula a exportação no mercado de reposição e nos ajuda a manter mercados ativos.”

Fabricantes: desafio é encontrar novos mercados sem altos investimentos.

Nas fabricantes do setor automotivo é consenso o fato de que as exportações crescerão a patamar importante neste ano, como na MAN Latin America, Volkswagen e Marcopolo: todas projetam alta de ao menos 20% no volume de remessas. Novos mercados como Oriente Médio e África do sul estão na lista de prioridades, relataram os executivos que participaram de painel no Workshop Exportação – A nova fronteira da expansão, realizado pela AutoData Editora na na quarta-feira, 3.

Porém, para ir em busca de novos destinos, é necessário encontrar os mercados onde os níveis de investimento sejam baixos. Para Max Frik, gerente de exportação da Volkswagen, neste momento os aportes em engenharia para realização de adaptações nos produtos estão praticamente parados. “Não adianta sugerir a exportação em mercados onde a direção é do lado direito, por exemplo. Nem para lugares onde há necessidades de adaptação da refrigeração dos veículos, ou de normas de emissão e segurança. O desafio é fazer mais volume com menos investimento.”

Justamente para encontrar esses mercados mais similares ao brasileiro é que a Marcopolo formou uma força-tarefa em 2015. A companhia mapeou todos os possíveis mercados: “Pegamos o mapa do mundo e analisamos tudo. Encontramos 40 mercados potenciais e já iniciamos ações no ano passado. Neste ano devemos colher os resultados”, revelou Ricardo Portolan, gerente de exportação da Marcopolo. Na lista estão muitos países do Oriente Médio e dó continente africano.

Na avaliação de Marcos Forgioni, vice-presidente de vendas e marketing internacional da Man Latin America, além de filtrar mercados potenciais por itens como emissão, altitude e temperatura, na companhia o custo do frete também é levado em conta.

“Em alguns casos vale a pena tentar um consórcio modular, como estamos analisando na África.”

KPMG – Para finalizar o evento três especialistas da consultoria KPMG nas áreas de impostos, logística e estratégia, que estão constantemente em contato com as montadoras, falaram sobre questões amplas da economia e da constante revisão dos custos para superar o momento de redução dos investimentos.

“Não se faz nada de um dia para o outro: não dá para ser exportador amanhã. Leva tempo para formatar essa estratégia, que requer um processo gradual. Identificada a oportunidade, planejar é fundamental”, disse Augusto Sales, sócio da KPMG na área de estratégia.

 

Fras-le: presença física é essencial para estimular exportações.

Com fábricas no Brasil, China e Estados Unidos, centros de distribuição em outras três localidades e escritórios comerciais em seis pontos do mundo, a Fras-le acredita que estar presente fisicamente é a melhor maneira de incentivar as exportações. Para Ricardo Reimer, CEO da Fras-le, os negócios da companhia em 100 países, com 770 clientes, só dão certo porque há presença efetiva.  “Nossa filosofia é a de buscar pedidos. O mercado local é mais tranquilo de manter, enquanto a exportação tem um caminho mais complexo e mais fácil de perder clientes.”

O executivo, há oito meses no posto, participou do Workshop Exportação – A nova fronteira da expansão, realizado pela AutoData Editora na sede da consultoria KPMG, em São Paulo, na quarta-feira, 3.

Reimer destacou a vocação da Fras-le de ser exportadora. “Nossa primeira exportação, de lonas de freio, ocorreu em 1969 para o Paraguai. Desde então não paramos de fomentar mercados externos e hoje 55% do faturamento da empresa é fruto de remessas ao Exterior. A tendência é que esse número cresça ainda mais nos próximos anos.”

A companhia espera alta de 8% nas exportações em 2016 ante o ano passado. “Além das estratégias de planejamento seguiremos com a filosofia de proximidade com o cliente, por isso enviamos executivos constantemente aos países onde possuímos negócios, além da participação contínua em feiras e eventos do setor.” Ele também considerou que “podemos não ter fábricas em todos os lugares que atuamos, pois isso é inviável, mas sempre há um centro de distribuição por perto e o atendimento é ágil”.

Apesar do câmbio favorável para as exportações, Reimer afirmou que os custos também devem aumentar em breve. “A situação é confortável nesse momento, mas a verdade é que o aço, produtos químicos e outros insumos taxados em dólar virão correndo atrás, por isso a preocupação e o planejamento devem ser dobrados.”

A seu favor a Fras-le tem o portfólio. Fabricante de freios, o mercado de reposição é fonte de 80% de suas vendas. “Trabalhamos com um item de segurança que requer substituição constante e isso nos dá uma posição mais estável, mas estamos sempre em busca de aperfeiçoamento e novos mercados.”

 

Moan: Governo já tomou 70% das medidas para incentivar exportações.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, afirmou que o Governo Federal já colocou em prática grande parte das medidas solicitadas pela indústria automotiva para fomentar as exportações. “Das 56 sugestões, ainda que às vezes não da forma integral que nós sugerimos, cerca de 70% já foram colocadas em prática.”

Moan afirmou que as medidas sugeridas pela indústria automotiva nos últimos anos nunca tiveram a pretensão de ser um pacote, mas a Anfavea acabou se inserindo nas negociações profundamente. “Ações como o Portal do Comércio Exterior, o novo sistema de drawback, além de vários acordos de comércio foram oriundas desse trabalho.”

O presidente da Anfavea falou na abertura do Workshop Exportação – A nova fronteira da expansão realizado pela AutoData Editora na sede da consultoria KPMG, em São Paulo, na quarta-feira, 3.

Moan, que se despede da presidência da Anfavea ainda no primeiro semestre deste ano, aproveitou o evento para relembrar dados sobre as exportações em 2015 e falou também sobre os desafios do setor. No último ano foram exportados 417,3 mil veículos, alta de 25% ante 2014, representando 17,2% da produção total do País. “As exportações certamente amenizaram a situação interna difícil e cada companhia definiu sua estratégia para ganhar mais desse mercado neste ano.”

Em 2015, com o aprofundamento de alguns acordos de comércio, os números de exportação já apresentaram sinais de melhora, também pelo fator do câmbio favorável. A média da cotação do dólar no ano passado foi de R$ 3,33. “A Argentina ainda é nosso mercado cliente e enquanto o mercado doméstico deles caiu cerca de 6% nós conseguimos aumentar as exportações em 5,5%”, disse, destacando o aumento da participação brasileira no mercado vizinho.

Moan também citou a alta relevante nas exportações de veículos para outros países na América Latina, como México, que teve avanço de 75%, Peru, 63%, e Chile, 83%. Em termos de caminhões e ônibus as remessas para a África do Sul cresceram 50% na comparação com 2014, Chile 34% e México, 88%. Já em máquinas rodoviárias, a exportação para o Chile foi o destaque com crescimento de 15%.

“Ainda temos algumas dificuldades mercadológicas para inserir nossos produtos nos mercados externos, pois há um custo alto de engenharia para isso, mas estamos trabalhando para ajustar esse movimento.”

Segundo o presidente da Anfavea o processo produtivo das montadoras está se ajustando e as exportações colaboram para isso. “Dos portões para dentro estamos bem. Em termos de custos fixos ainda temos algumas dificuldades por causa da queda de escala, e isso significa que no momento que a produção der um sinal positivo estaremos estruturados para retornar a uma lucratividade que perdemos nos últimos dois ou três anos.”

Para este ano a Anfavea projeta uma exportação 8,1% maior do que a verificada em 2015. “Nossa meta era alcançar 1 milhão de veículos em 2018, mas não devemos chegar lá tão rápido.”

De acordo com Moan o ideal é que 30% da produção interna seja enviada para mercados no Exterior. “Este o nível que consideramos bom.” Ele, entretanto, destacou que há lacunas como o custo-Brasil, logística e infraestrutura que ainda requerem muita atenção.

“Mas não podemos esperar o cenário ideal para trabalhar: agora é hora de ir em busca de novos mercados e retomar relações adormecidas.”

Setor automotivo mira África e Oriente Médio para crescer exportações

O workshop Exportação – A Nova Fronteira da Expansão, realizado pela AutoData  Editora na sede da consultoria KPMG, em São Paulo, na quarta-feira, 3, reuniu importantes nomes do segmento para a indústria automotiva. Os participantes destacaram que, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pelo País, o momento atual pode e deve ser encarado como uma oportunidade para ampliar as remessas ao Exterior.

O dólar na faixa de R$ 3,9 a R$ 4,1 aponta boas chances para se retomar ou mesmo buscar novos mercados para amenizar as dificuldades internas, e no evento Oriente Médio e África foram os destinos mais citados pelos participantes como possíveis fontes de novos negócios.

Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing, motores e peças da MWM, aproveitou o evento para revelar em primeira mão contrato para embarque de 2,5 mil motores diesel para a Coreia do Sul, depois de cerca de um ano de negociações intensas – os propulsores começarão a ser fabricados em junho deste ano. “A insistência na negociação e o corpo a corpo foram fundamentais para esse negócio.” A companhia prevê alta de 10% a 15% nas exportações em 2016.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, apresentou dados sobre as exportações em 2015 e falou também sobre os desafios do setor: no último ano foram exportados 417,3 mil veículos, alta de 25% ante 2014, representando 17,2% da produção total do País. “As exportações certamente amenizaram a situação interna difícil e cada companhia definiu sua estratégia para ganhar mais desse mercado neste ano.”

Segundo Moan o índice ideal de exportações seria cerca de 30% da produção total. “Há alguns anos buscamos instrumentos para facilitar esse processo e, das 56 medidas sugeridas por nós ao governo, cerca de 70% já foram atendidas.” Apesar disso ele destacou que há lacunas como o chamado Custo-Brasil, a logística e a infraestrutura, que ainda requerem muita atenção. “Mas não podemos esperar o cenário ideal para trabalhar. Agora é a hora de ir em busca de novos mercados e retomar relações adormecidas.”

Para Ricardo Reimer, CEO da Fras-le, não bastam estratégias de negócios e planejamento: estar fisicamente presente nos mercados onde se pretende atuar é relevante. “Temos fábricas na China e Estados Unidos, além de centros de distribuição em vários países. O cliente precisa sentir a presença da empresa.” Por isso a fabricante de componentes para freios envia constantemente executivos aos países onde possui negócios, além da participação contínua em feiras e eventos no Exterior. A companhia espera alta de 8% nas exportações em 2016.

Integração – Na Scania a integração de mercados é prática comum e acaba ajudando a companhia em momentos de baixa em algum país. Foi o que aconteceu com o Brasil: em 2013 15% da produção da montadora em São Bernardo do Campo era enviada para oito mercados, índices que saltaram a 60% e vinte destinos, como Oriente Médio, Rússia e África do Sul, em 2015.

Fábio Castello, vice-presidente de Logística, destacou que a Scania respondeu por 0,4% da receita de importação do País no ano passado, equivalente a US$ 756 milhões. “Nosso objetivo é chegar a exportações de US$ 1 bilhão em 2016.”

Em outras grandes empresas também é consenso o fato de que as exportações crescerão a patamar importante neste ano, com na Man Latin America, na Volkswagen e na Marcopolo: todas projetam alta de ao menos 20% no volume de remessas. Novos mercados como Oriente Médio e África do sul estão na lista de prioridades.

Na Marcopolo foi montada uma força-tarefa para mapear possíveis clientes: “Fizemos uma série de ações em 40 países em 2015. São tentativas de retomada de negócios ou de primeiro contato”, revelou Ricardo Portolan, gerente de exportações.

Para finalizar o evento, três especialistas da consultoria KPMG nas áreas de impostos, logística e estratégia falaram sobre questões amplas da economia e da constante revisão dos custos para superar o momento de redução dos investimentos. “Não se faz nada de um dia para o outro: não dá para ser exportador amanhã. Leva tempo para formatar essa estratégia, que requer um processo gradual. Identificada a oportunidade, planejar é fundamental”, disse Augusto Sales, sócio da KPMG na área de estratégia.

 

Volkswagen entrega o Gold Pin aos seus concessionários

Nove concessionárias receberam da Volkswagen o Gold Pin, prêmio anual que reconhece as revendas pela excelência do trabalho realizado. Em cerimônia realizada na semana passada em São Paulo, SP, os titulares das distribuidoras de sete estados do Brasil receberam das mãos do presidente, David Powels, e do vice-presidente de vendas e marketing, Jorge Portugal, um pin dourado com o logo da VW e um certificado.

Em comunicado Powels explicou que a premiação, uma iniciativa da matriz, na Alemanha, reconhece as concessionárias que se destacaram em fatores como parceria, engajamento e cumprimento dos valores e diretrizes da marca, além de registrarem desempenho destacado em indicadores de Vendas, Pós-Vendas e Satisfação do Cliente.

“Esses profissionais são fundamentais para que a Volkswagen seja referência em prestação de serviços e satisfação do cliente”.

 

BNDES pormenoriza refinanciamento para PSI

O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, revelou as condições específicas para o refinanciamento de seus programas de crédito, dentro de programa anunciado pelo Governo Federal na semana passada.

Quem adquiriu veículos como caminhões e ônibus financiados pelo BNDES Finame PSI poderá refinanciar até doze parcelas a vencer. Estas serão jogadas para além do fim do prazo original de financiamento, e com a possibilidade de pagamento em até 24 vezes. Assim, as empresas ganharão uma espécie de carência de um ano nos pagamentos e mais um ano para o término do prazo de financiamento.

O programa foi denominado Refin PSI, terá custo de 15,73% para todos os portes de empresas e contará com recursos de R$ 15 bilhões.

À Agência Brasil a superintendente da área de Operações Indiretas do BNDES, Juliana Santos, afirmou que o objetivo principal é renegociadas parcelas a vencer, mas as empresas em condições de inadimplência também poderá participar. “O que o BNDES vai financiar são parcelas a vencer, saldo devedor vincendo, não vencido. Mas a hipótese de existir saldo devedor vencido no agente financeiro não o exclui de ser refinanciado no programa que anunciamos agora” – e com a mesma taxa de juros, segundo a executiva.

Também à publicação o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, considerou que a iniciativa não representa uma “medida milagrosa, mas sim um conjunto de estímulos possíveis para refinanciar operações, apoiar a exportação de bens de capital e o acesso a capital de giro”.

Para micro, pequenas e médias empresas foi revelada ainda ampliação do prazo de amortização do Cartão BNDES, de 48 para 60 meses. No ano passado, os desembolsos desta modalidade atingiram R$ 11,2 bilhões, com cerca de 750 mil operações contratadas. O BNDES também reduziu os custos da linha Exim Pré-Embarque, destinada ao financiamento da produção interna de bens e serviços que serão comercializados no mercado internacional. “O objetivo é dar condições para que a indústria nacional aproveite a conjuntura cambial favorável e amplie os mercados de exportação para seus produtos de maior valor agregado”, segundo comunicado do banco. Aqui o montante disponível é de R$ 4 bilhões.