SUVs importados M-B: cardápio completo.

O segmento de SUVs foi o grande filão do mercado interno nos últimos anos e, pelo jeito, seguirá como protagonista também em 2016. Ao menos é o que indicam os primeiros lançamentos oficiais do ano: na terça-feira, 2, Mercedes-Benz e BMW, concorrentes diretas, mostraram nada menos do que três novidades para o segmento. Duas novíssimas no território nacional e já à venda na rede de concessionárias da marca da estrela: os GLC 250 4Matic e GLE 400 4MATIC Coupé.

Importados, os novos SUVs, mais do que ampliar a oferta e garantir algumas vendas adicionais não reveladas pela empresa, sinalizam a disposição da montadora para se estabelecer como líder nessa faixa de mercado, que aqui tem crescido sistematicamente, mesmo em tempos de mercado interno em baixa. Dos mais de 17,5 mil veículos Mercedes-Benz vendidos no Brasil em 2015, mais de 30% eram SUVs. 

Não por acaso a fábrica de Iracemápolis, SP, que será inaugurada no fim de março, tem como seu primeiro produto o sedã Classe C e imediatamente em seguida, já no transcorrer do segundo semestre, o GLA, o SUV de entrada da Mercedes-Benz, ainda que alguns puristas rejeitem essa nomenclatura para o futuro nacional – vendido aqui como importado desde 2014.

Fato é que as letras GL designam os SUV da marca, cabendo à última letra – A, no caso do modelo de entrada – identificam a plataforma da qual derivam. Portanto, ao menos na conceituação da montadora, o GLA é, sim, um legítimo SUV.

Holger Marquardt, diretor geral de automóveis na América Latina, afirma que a Mercedes-Benz quer fazer de 2016 o ano dos SUVs no Brasil: tanto que em mais um ou dois meses a empresa começa importar também o GLS e, assim, terá seu portfólio de utilitários esportivos completo.

A participação desses veículos, justifica Marquardt, tem crescido em todo o mundo e, a exemplo do que ocorreu no Brasil, responderam por polpuda fatia das vendas mundiais da Mercedes-Benz em 2015, ano de recorde histórico da empresa. Dos quase 1,9 milhão de veículos vendidos pela montadora alemã cerca de 526 mil foram SUVs – 26% a mais do que no ano anterior.

GLC 250 e GLE 400 Coupé são bons exemplos do que tem atraído tantos consumidores em todo o mundo: agregam conforto, dirigibilidade, esportividade características de sedãs ou coupês com porte avantajado, robustez e capacidade de enfrentar com destreza não apenas estradas de asfalto. Um sedã Classe C ou E naturalmente têm bem mais dificuldade diante de irregularidades em pisos de terra, por exemplo.

É desnecessário enfatizar que para reunir versatilidade, conforto e desempenho dignos de carros de luxo a Mercedes-Benz dotou os dois modelos de respeitável pacote de recursos tecnológicos – embora na Europa a lista de série seja um tanto mais extensa. A começar pelas conhecidas suspensões Airmatic e pelo transmissão 9G-Tronic, de nove velocidades, com acionamento também em borboletas atrás do volante.

Os motores, porém, guardam sensíveis diferenças. No caso do GLE 250, sucessor do conhecido GLK, é um quatro cilindros 2.0 de 211 cv. Já o GLE 400 Coupé, natural substituto do pioneiro ML, é equipado com um poderoso 3.0 V6 Biturbo de 333 cv, capaz de levá-lo da imobilidade até 100 km/h em apenas 5,9 segundos, mesmo pesando quase 2,2 toneladas.

GLC e GLE Coupé também oferecem ao motorista a opção de escolher diversos modos de condução, ora mais econômica e confortável ora mais esportiva ou mesmo específica para terrenos de pouca aderência. Basta acionar botões no console para que o sistema Dynamic Select altere regime dos motores e relação de transmissão dentre outro parâmetros, e os SUVs exibam cinco comportamentos completamente distintos.

Do sistema de som com até quatorze alto-falantes e mais de 800 watts de potência, passando pelo sistema multimídia de alta conectividade, bancos em couro com memória, abertura elétrica da tampa do porta-malas – generosos em capacidade de carga – e tetos panorâmicos, os dois SUVs não deixam nada a desejar com relação aos concorrentes diretos. Assistente de manobra, recurso que estaciona o veículo automaticamente em vagas paralelas ou perpendiculares, por exemplo, é oferecido nos dois modelos.

Mas tudo, obviamente, bem amparado e contemplado no preço final. GLC 250 4Matic, a versão de entrada, custa a partir de R$ 223 mil, enquanto a versão 250 4Matic Sport sai por R$ 265 mil. Já para ter um GLE 400 Coupé o consumidor terá que desembolsar praticamente o dobro desses valores: a versão 4Matic custa R$ 416 mil enquanto a Night, com acabamento ainda mais esportivo, sai por R$ 426 mil.

 

M-B dará licença remunerada a 1,5 mil por tempo indeterminado

A Mercedes-Benz do Brasil informou na terça-feira, 2, por meio de comunicado, que concederá licença remunerada a 1,5 mil trabalhadores ligados à produção na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABDC paulista, que já trabalha em ritmo reduzido dentro das normas do PPE, o Programa de Proteção ao Emprego.

A iniciativa se dará a partir do dia 17 deste mês, uma quarta-feira.

De acordo com nota da empresa “o ano de 2016 começou com o mercado de veículos comerciais ainda mais baixo, sinalizando volume de vendas inferior a 2015, o qual já foi bastante ruim. Diante desse cenário a fábrica da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo tem utilizado apenas metade da força de trabalho, o que a mantém em uma situação difícil mesmo com o uso do PPE”.

A Mercedes-Benz considera ainda que “este grupo de 1,5 mil trabalhadores representa uma parte do atual excedente da empresa, que supera 2 mil funcionários na fábrica”.

Os funcionários envolvidos terão 4 dias de folga via PPE por mês até maio, quando encerra-se o prazo inicialmente estipulado de duração do programa ali, enquanto que os demais dias serão considerados como licença remunerada. De acordo com a montadora, “durante o mês de maio será reavaliada a licença”.

Derrotados de 2015 se vingam em janeiro de 2016

Os derrotados em duas das principais disputas por segmento no ranking dos mais vendidos em 2015 começaram o ano se vingando dos rivais: Renegade e Hilux abriram boa vantagem para os concorrentes diretos em janeiro.

O Jeep surpreendeu e conseguiu fechar o mês no top-5, mantendo a posição obtida nas primeiras semanas do mês, conforme antecipara a Agência AutoData. Com quase 5 mil emplacamentos foi além do que conseguiu o Honda HR-V, campeão de 2015 na faixa dos SUVs compactos – que mesmo assim não fez feio e fechou janeiro em oitavo, com 4,3 mil.

Já a Hilux humilhou a S10, para quem perdeu a disputa nas picapes médias por quatrocentas unidades em 2015: o modelo da Toyota registrou em janeiro 2,8 mil licenciamentos, 18ª. posição no geral, para apenas 1,3 mil da Chevrolet, 33ª. – cenário atípico e que pode indicar um esforço comercial adicional no fim do ano pela GM para não perder a coroa do ano.

Observando à distância está o novo rei do mercado nacional, o Onix, que mostrou em janeiro que o título inédito obtido no ano passado não foi à toa: manteve o posto de mais vendido, despencado na frente – 13 mil para 9 mil do vice-líder, o sempre competente Hyundai HB20. O campeão de 2014, o Palio, fechou o pódio com 8 mil.

Os três tiveram desempenho destoante dos demais, já que o Prisma, quarto, fez pouco menos de 5,5 mil no mês.

Janeiro foi ruim para o Gol, que saiu do top-10, assim como Uno, Up! e Sandero. Quem lamentou o mês também foi o Duster, apenas 34º., bem aquém do Ford EcoSport, o 23º, isso para não mencionar o Peugeot 2008, que sequer aparece nos 50 mais vendidos.

Já a Oroch, em preparação para enfrentar a Fiat Toro, vendeu mais que a Chevrolet Montana, ficando uma posição à frente, em 42º.

BMW quer vender mais do que carros

A BMW do Brasil começa a avançar em um nicho ainda muito pouco explorado pelas montadoras brasileiras: a sua própria grife. Até o fim do mês suas 48 concessionárias espalhadas pelo País ofertarão aos clientes – e fãs da marca – as miniaturas de seus modelos. Ao lado de bonés, jaquetas, xícaras e até máquinas de café, compõem uma vasta oferta de produtos que dividirão espaço com os carros nas revendas.

Não foi uma tarefa simples. Antonino Gomes de Sá, diretor de pós-vendas da BMW do Brasil, contou que há anos as miniaturas estão em processo de homologação no Inmetro – a aprovação saiu só agora. O executivo, que há dois anos chegou para comandar a área na subsidiária brasileira, vê grande potencial no crescimento das boutiques de montadoras.

“O brasileiro adora automóveis e gosta de vestir a marca”, explicou, durante evento de lançamento do novo X1. “Precisamos agora difundir essa cultura de boutique na nossa rede. Os titulares são, em sua maioria, ex-vendedores de carros e não dão muita atenção a esse nicho. Temos que capacitar pessoas e convencer os concessionários da importância dessa área”.

Segundo ele já há pessoas trabalhando em treinamento de vendedores especializados em boutique – os mais procurados são aqueles que têm experiência em vendas em lojas de roupas e acessórios. A quantidade de itens é enorme, quase todos produzidos por terceiros, mas licenciados pela marca. De acordo com Sá nos Estados Unidos 30% da receita do pós-venda vem de produtos comercializados nessas áreas.

O português que passou por diversos cargos em mais de vinte anos na sede da BMW, em Munique, tem uma meta: oferecer no pós-venda faturamento suficiente para cobrir 100% dos custos operacionais das concessionárias. “A ideia é que a venda de 0 KM represente somente lucro para os revendedores”.

Sá calcula que a média atualmente está em 50% a 60% dos custos operacionais. Nos Estados Unidos, sempre usado como comparação, essa média chega a 90%. “Em algumas o pós-venda chega a dar lucro. Tem um potencial enorme para crescer aqui, especialmente nesse momento de crise, e estamos mostrando isso aos titulares”.

No ano passado 15% do lucro da BMW do Brasil teve origem da área de pós-venda. A tendência dessa fatia é crescer, até pelo aumento de frota de veículos no mercado nacional – e pelo próprio desempenho da marca por aqui.

Na opinião de Martin Fritsches, diretor de vendas da BMW local, a tendência é o segmento premium igualar as vendas do ano passado – e o mesmo para a marca. “Em volume não será um ano muito diferente de 2015”.

Remodelado – Segundo principal produto oferecido pela BMW por aqui – só perde para o Serie 3 –, o X1 passou por um facelift a fim de ficar em linha com o modelo oferecido na Europa. É oferecido em três versões: sDrive20GP, por R$ 167 mil, sDrive20i X-Line, por R$ 180 mil e xDrive25i Sport, por R$ 200 mil.

Os clientes que comprarem o utilitário esportivo ainda este mês levarão para casa o modelo importado. A versão nacional começará a sair das linhas de Araquari, SC, a partir do mês que vem.

Vendas caem 15% na Argentina em janeiro

O ano não começou bem para a indústria automotiva argentina: com reajustes de preços devido à nova política cambial adotada pelo governo local, adicionada de aumento dos juros dos planos de financiamento, as vendas caíram na comparação anual pela primeira vez em quatro meses.

De acordo com dados da Acara, a Fenabrave local, divulgados pelo Tiempo Motor, parceiro editorial da Agência AutoData naquele país, foram comercializadas no varejo argentino 56,5 mil unidades em janeiro, queda de 15% ante as 66,5 mil do mesmo mês de 2015. Ante as 31,4 mil de dezembro, o resultado representa alta de quase 80%.

Para a Acara, apesar da redução registrada em janeiro, a perspectiva para o ano é de estabilidade, com cerca de 640 mil licenciamentos.

Por marcas a Chevrolet repetiu o excelente desempenho registrado no Brasil e também liderou o mercado da Argentina no primeiro mês do ano na soma de automóveis e comerciais leves, com 8,5 mil unidades, apesar da queda de 9,9%. Mas a Volkswagen, segunda colocada com 8,3 mil, caiu muito mais: quase 28%. A Ford foi a terceira, a Fiat a quarta e a Toyota a quinta.

Por modelos o mais vendido no mercado argentina no primeiro mês de 2016 foi o Fiat Palio, seguido por Chevrolet Classic, Toyota Etios, Fiat Siena e Toyota Corolla fechando o top-5.

Vendas caem 39% em janeiro

O mercado brasileiro de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus iniciou o ano com uma queda significativa na comparação com janeiro do ano passado: as vendas cederam 39%, para 155,4 mil unidades, de acordo com dados divulgados pela Fenabrave na tarde de segunda-feira, 1º.

Em janeiro do ano passado foram emplacados 253,8 mil veículos. A queda ficou próxima das 100 mil unidades, conforme antecipou a Agência AutoData.

Existem, porém, fatores que ajudam a compreender essa redução elevada. Uma delas, ressaltada em comunicado pelo presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, contextualiza o desempenho do mercado em janeiro de 2015: “Naquela época ainda havia veículos disponíveis nos pátios das concessionárias com a redução do IPI, o que favoreceu o mercado”.

A redução do IPI encerrou em 31 de dezembro de 2014, mas todos os veículos faturados até esta data chegaram às concessionárias com desconto no imposto. Por isso em janeiro de 2015 os consumidores conseguiram, em determinadas situações, fechar negócios a preços inferiores à tabela vigente.

O presidente da Fenabrave lembrou também que o desempenho de dezembro do ano passado foi inflado pelas promoções e maior disponibilidade de recursos pelos consumidores, em função do décimo-terceiro salário. “Como ocorre tradicionalmente em dezembro, houve alguma antecipação de compra”.

Comparado com dezembro, quando foram licenciadas 227,8 mil unidades, o mercado apresentou uma retração de 31,8%.

Assumpção Jr encarou a queda acentuada com naturalidade. “Começamos o ano sem expectativa de crescimento, mas os resultados de janeiro não devem ser balizadores para as projeções para 2016”, afirmou no comunicado. E manteve a projeção de queda de 5,8% para o mercado: “Faremos revisões a cada três meses para que possamos avaliar melhor o comportamento do mercado e o viés da economia. Mas acreditamos que o pior ocorreu em 2015. Este ano não deverá trazer os mesmos níveis de queda”.

Resultados – O segmento de automóveis e comerciais leves fechou janeiro com 149,7 mil unidades comercializadas, queda de 38,6% na comparação com janeiro de 2015 e de 32,2% com relação a dezembro.

Em caminhões a queda na comparação anual chegou a 43,4%, enquanto na mensal ficou em 22%, para 4,4 mil unidades. Os chassis de ônibus registraram recuo de 43,8% com relação a janeiro de 2014 e de 19,5% na comparação com dezembro.

O mercado de motocicletas começou o ano com 96,2 mil licenciamentos, queda de 11,4% na comparação anual e de 26,7% com relação a dezembro.

Novo líder – A General Motors fechou janeiro na primeira posição do ranking de automóveis e comerciais leves, com 27,1 mil unidades e 18,1% de participação, ante 23 mil modelos Fiat, a líder do ano passado, comercializados, ou 15,4% do mercado do mês passado.

A Volkswagen ficou na terceira colocação, com 20,7 mil licenciamentos, e, a partir daí, muitas mudanças ocorreram com relação aos últimos meses: a Hyundai assumiu a quarta posição, seguida pela Toyota em quinto e a Ford ficou em sexto, caindo duas posições. A Honda ficou em sétima, à frente da Renault, que encerrou janeiro na oitava colocação.

Completam as dez primeiras posições a Jeep, em nono, e a Nissan, décima mais vendida do mês.

Fábrica da PSA Peugeot Citroën completa quinze anos

Há quinze anos Porto Real, na região sul-fluminense, inaugurou oficialmente seu primeiro polo industrial – e com uma fábrica de automóveis: em 1º de fevereiro de 2001 os primeiros modelos Citroën Xsara Picasso e Peugeot 206 saíram das linhas da PSA Peugeot Citroën.

Ali foi estabelecido o Polo Industrial Brasil, assim denominado pela montadora, que neste período produziu mais de 1,3 milhão de veículos, dentre Citroën e Peugeot, e 1,8 milhão de motores, dos quais uma parte foi exportada. Atualmente produz os Peugeot 208 e 2008 e os Citroën C3 e Aircross.

“Nossa história no Brasil nos enche de orgulho e reforça o acerto sobre a escolha que fizemos”, afirmou, em nota, Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën Brasil e América Latina. “Ao longo desses anos produzimos aqui modelos inovadores com muita tecnologia e qualidade, demonstrando respeito e foco constante em nossos clientes brasileiros e de outros mercados latino-americanos, para onde exportamos nossos produtos”.

A unidade ajudou a desenvolver a região sul-fluminense, que se consolidou como o segundo maior polo automotivo do Brasil, atrás apenas do ABCD Paulista. Além da PSA Peugeot Citroën, a MAN Latin America e a Nissan produzem veículos na região, que dentro de alguns meses ganhará também a fábrica da Jaguar Land Rover.

Recentemente a PSA Peugeot Citroën concluiu investimento de R$ 550 milhões para produzir o 2008 e o novo Aircross, além de inaugurar um novo laboratório de emissões veiculares no complexo, que consumiu R$ 30 milhões em investimento.

“Mas nossos investimentos vão além de produtos e processos: continuaremos estimulando o desenvolvimento sustentável da região como um todo, de nossos colaboradores e das comunidades com apoio a projetos sociais e ambientais”.

Metalúrgicos da GM em lay off não retornarão ao trabalho em SJC

Os contratos dos 798 trabalhadores em lay off na fábrica General Motors de São José dos Campos, SP, serão realmente encerrados no domingo, 31, quando finda o prazo do afastamento. À reportagem a companhia confirmou a ação, acordada em agosto do ano passado, em reunião com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos no TRT.

Há cinco meses a montadora pretendia demitir os trabalhadores, que entraram em greve e organizaram protestos na região. A discussão foi parar na justiça e, após audiência, ficou definido que as demissões seriam adiadas por cinco meses, com um bônus de quatro salários a cada trabalhador em lay off – quem quis antecipar sua saída, pôde aderir a um PDV.

Apesar de tudo acordado à época – o próprio presidente da GM do Brasil, Santiago Chamorro, revelou os termos do acordo para a Agência AutoData e disse que não havia como segurar os trabalhadores –, o sindicato local afirma não ter sido oficialmente comunicado e promete, mais uma vez, pressionar a companhia a fim de evitar as demissões.

Em comunicado divulgado à imprensa na sexta-feira, 29, o sindicato afirmou que organizará uma assembleia com os trabalhadores em lay off na quinta-feira, 4. A ideia é mobilizar todos os funcionários em mais uma greve, que seria a segunda na unidade somente este ano – há duas semanas os trabalhadores cruzaram os braços para exigir um valor maior de PLR.

“Desde agosto de 2014 o sindicato tem se empenhado para evitar essas demissões. A cada tentativa de demissão em massa promovida pela GM realizamos fortes mobilizações, que resultaram em três lay offs.”

O sindicato alega que o acordo assinado em 2015, após negociação com o TRT, prevê que uma parte do grupo afastado retornará à fábrica. “Cada adesão ao PDV aberto pela empresa resultará no abatimento do número de excedentes considerado pela companhia. Também deverão entrar no cálculo os trabalhadores que se desligaram da fábrica de agosto de 2015 até hoje, mesmo não fazendo parte do grupo do lay off”.

De acordo com o órgão que representa os trabalhadores o número inicial era 798 trabalhadores, mas foi reduzido a 600 porque parte saiu da empresa. “Seja qual for o número a demissão em massa não se justifica e não tem a concordância do sindicato. A GM, assim como todo o setor automotivo, foi beneficiada com dinheiro público durante todo o governo Dilma e deve isso à população”.

O sindicato promete se mobilizar para evitar qualquer demissão e defende a estabilidade no emprego e redução de jornada de trabalho sem mexer nos salários – ou seja, é contra, também, o PPE. E vai além:

“Também defendemos que a presidente proíba a remessa de lucros para o Exterior, afinal todo lucro é resultado do nosso trabalho”.

VWB troca de vice-presidente de operações

A Volkswagen do Brasil anunciou na sexta-feira, 28, mudança no posto de vice-presidente da área de operações, responsável pelo processo produtivo dos veículos incluindo estamparia, armação, pintura, montagem final e logística.

 O português Antonio Pires, de 58 anos, sucede ao alemão Otto Joos, nomeado diretor da fábrica de componentes Volkswagen em Braunschweig, na Alemanha – ele, no Grupo VW desde 1979, foi nomeado para o cargo no Brasil no início de 2011.

 Esta será a segunda passagem de Pires pela unidade brasileira: em 2006 fora gerente executivo de manufatura da planta Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, e no ano seguinte foi indicado a diretor da fábrica de São José dos Pinhais, PR, posto que ocupou por três anos.

O executivo, formado em engenharia mecânica pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, desde então era o diretor da fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, Portugal. Está há mais de 20 anos no Grupo e atuou também na Volkswagen Navarra, na Espanha.

Anfavea e Abimaq aplaudem medidas para destravar crédito

O governo federal anunciou na sexta-feira, 29, uma série de medidas para tentar destravar as operações de crédito no País. O anúncio ocorreu após reunião plenária do CDES, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, também chamado informalmente de Conselhão, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF.

Presentes ao encontro, representantes de Anfavea e Abimaq elogiaram a iniciativa que, pelos cálculos oficiais, poderá representar injeção de até R$ 83 bilhões na economia.

Ao Blog do Planalto Luiz Moan, presidente da Anfavea, considerou: “Esse é o momento da reabertura do diálogo. A mensagem de todos foi muito clara: todos pensando no Brasil, ninguém com a sua própria ideologia, ninguém com a sua própria ideia política. Não precisamos perder tempo, o diagnóstico já está feito. Todos nós sabemos que quem vai salvar esse País é a geração de emprego e renda”.

À Agência Brasil o dirigente da associação das montadoras acrescentou: “Não tenho dúvida que poderemos estabilizar sim a indústria especificamente, não só a automotiva, mas a indústria como um todo. Nossos investimentos estão aí, a capacidade produtiva está aí, o que nós precisamos é voltar a gerar confiança no consumidor brasileiro. Porque hoje o que paralisa o mercado interno é o medo de perder o emprego. Esse medo de perder o emprego está provocado pelas questões políticas que correram a economia brasileira”.

A Abimaq soltou nota à imprensa após a reunião, da qual participou pela primeira vez. Carlos Pastoriza, presidente do conselho de administração, avaliou que as medidas de incentivo ao crédito devem ajudar as empresas. “Acredito que teremos um pouco de fôlego e a economia poderá ser destravada. O aumento do crédito é fundamental para que consigamos ajudar a retomada do Brasil”.

Uma das principais medidas para o setor automotivo, mesmo que indiretamente, foi o anúncio de refinanciamento de dívidas tomadas com o BNDES em anos anteriores pelas linhas Finame e Finame PSI.

Para Pastoriza a medida “além de dar fôlego neste momento tão agudo da crise contribuirá para que as empresas estejam preparadas e equipadas para o momento em que houver a retomada da economia brasileira”. Para o governo a iniciativa ajudará a melhorar o caixa das empresas – serão liberados R$ 15 bilhões apenas para esta nova linha de crédito.

Já para Moan, mais uma vez à Agência Brasil, a iniciativa é positiva e “visa não prejudicar o investidor que acreditou no Brasil e ao tomar o financiamento para investimento encontrou uma recessão bastante severa”.

Outras medidas indiretamente relacionadas à atividade automotiva são linha do BNDES de R$ 5 bilhões para financiar capital de giro de micro, pequenas, médias e grandes empresas, além de outros R$ 4 bilhões de capital de giro específico para empresas exportadoras financiarem embarques. Além disso o Banco do Brasil ofertará R$ 10 bilhões para o pré-custeio da safra agrícola, o que pode auxiliar as vendas de máquinas agrícolas. Projetos de infraestrutura terão R$ 22 bilhões em recursos do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FI-FGTS.

Na área de consumo o governo deverá autorizar uso de até 10% do saldo da conta do FGTS, além da multa do FGTS nas rescisões sem justa causa, como garantia nos empréstimos no crédito consignado. Pelos cálculos do Ministro da Fazenda, caso apenas 10% dos recursos existentes nas contas do FGTS forem usados pelos trabalhadores nesse tipo de empréstimo, R$ 17 bilhões entrarão na economia. Porém esta medida dependerá de aprovação do Congresso Nacional para entrar em vigor.

O Conselho conta com 47 empresários e 45 representantes da sociedade civil e centrais sindicais. Depois de um ano e meio sem reuniões foi reativado e sua agenda aponta ao todo quatro reuniões neste ano, sendo a próxima em abril.