A Jaguar Land Rover fará a cerimônia de inauguração de sua unidade instalada em Itatiaia, no Rio de Janeiro, no início do segundo trimestre: abril ou maio, a depender de como serão acomodadas as agendas dos executivos e autoridades envolvidas.
O fato é que o cronograma e os investimentos da montadora de origem britânica no Brasil estão intocados: R$ 750 milhões para produzir até 24 mil veículos por ano, começando pelo Evoque e logo depois o Discovery Sport – as primeiras unidades pré-série já deixam a linha de montagem sul-fluminense.
Tudo devidamente testemunhado por Frank Wittemann, nomeado novo presidente da empresa para a operação na América Latina e Caribe, em sucessão a Terry Hill, de malas prontas para a China. Os dois estiveram em São Paulo na terça-feira, 19, reunidos em um hotel na Zona Sul para tratar dos planos futuros da empresa por aqui, com direito à presença de Dmitry Kolchanov, chefe de ambos na função de diretor de mercados internacionais.
Mas Wittemann ainda está no País só de passagem: logo depois embarcaria de volta a Moscou, Rússia, onde ainda mora, para assumir definitivamente o cargo apenas daqui duas semanas, já fevereiro e período pré-carnavalesco, ainda contando com o auxílio de Hill.
O executivo confessa que por enquanto tem pouco, quase nenhum conhecimento das particularidades do mercado brasileiro. Mas experiência em mercados emergentes não lhe falta: ele está há 8 anos na Rússia, sendo três pelo Grupo Volkswagen e 5 pela Jaguar Land Rover. E de setembro a dezembro coordenou grupo de trabalho que reestrutura os negócios da fabricante na China.
De antemão ele afirma que “o potencial do mercado brasileiro é enorme, e é por isso que estamos aqui” – a fábrica de Itatiaia será a primeira da Jaguar Land Rover fora da Europa.
A unidade, antecipa Kolchanov, não terá todas as fases produtivas logo na inauguração. “Atenderemos todas as etapas legais previstas pela legislação brasileira, mas o processo produtivo da fábrica passará por uma evolução ao longo do tempo”. A JLR, assim, percorrerá o mesmo caminho daquele utilizado pela BMW em Araquari, SC, mas diferente do escolhido pela Mercedes-Benz em Iracemápolis, no Interior Paulista, de inauguração prevista para março, com operação completa, inclusive estamparia e pintura.
E mais uma vez os executivos da JLR não escondem a produção de um automóvel Jaguar em Itatiaia, o XE, ainda que não o confirmem: “Primeiramente nosso objetivo é cumprir a produção dos dois SUVs. Depois, em um plano de expansão produtiva, esta é uma das possibilidades que poderemos adotar”, afirma Kolchanov.
A Delphi anunciou na segunda-feira, 18, alterações em seu comando na América do Sul. Luiz Corrallo, atual presidente para América do Sul e diretor executivo das divisões Powertrain e Aftermarket, se aposenta em março.
Corrallo está há 30 anos na Delphi e soma 41 anos de carreira. Ele assumiu a presidência no fim de 2012, quando sucedeu a Gábor Deák.
Ainda que por linhas tortas, a indústria automobilista instalada no Brasil está ganhando de presente, neste início de 2016, a chance de se livrar definitivamente de um problema que carrega nas costas há mais de meio século: a nefasta dependência de benesses, incentivos ou medidas protecionistas do Estado.