O setor de autopeças deve ter queda de produção inferior ao das montadoras, compensando parte da redução das vendas diretas para a indústria com aumento de exportação e melhor desempenho no mercado de reposição. O comentário foi feito na segunda-feira, 16, pelo presidente do Sindipeças, Paulo Butori, durante o Seminário AutoData Compras Automotivas:
“Tradicionalmente as montadoras respondiam por 55% a 50% do nosso faturamento, enquanto 25% a 30% advinha do aftermarket e o restante das exportações. Nos últimos anos a fatia dos negócios OEM subiu para 65% a 70%. Agora estamos no movimento reverso e nosso futuro está na reposição e na exportação”.
Segundo Butori, inclusive, este perfil tende a ser mais lucrativo, visto que os fornecedores têm grandes dificuldades de repassar custos para as montadoras, o que não acontece na mesma intensidade nos demais segmentos. O executivo informou ainda que está trabalhando com números similares ao da Fenabrave quanto às projeções do mercado interno este ano, que indicam queda de 15% nos negócios com automóveis e 25% nos caminhões.
Ao reconhecer que a crise do momento é maior do que se esperava inicialmente, Butori destacou que “o Brasil é maior do que o buraco, tudo passa”. Comentou ainda que “vamos sofrer muito”, avaliando que 2016 será um pouco melhor que 2015, mas ainda difícil, s só em 2017 virão dias efetivamente melhores: “Vai haver acomodação, muitas empresas vão sangrar, algumas vão quebrar. Mas também têm as que vão crescer”.
O presidente do Sindipeças insistiu na análise de que o Inovar-Auto não favoreceu como deveria a produção local da indústria de autopeças, acreditando que a partir de agora, em função da valorização do dólar, esse processo possa ser acelerado: “Talvez passe por aí um aumento da nossa produção. Tem muita nacionalização acontecendo por causa da taxa de câmbio”.
Butori chegou a admitir que o déficit comercial do setor poderá até cair este ano. A indústria de autopeças, que havia registrado superávit de US$ 2 bilhões em 2004, foi perdendo competitiva e encerrou 2013 com déficit de US$ 10,5 bilhões, valor ampliado para US$ 14 bilhões no ano passado. Sem falar em números absolutos, insistiu que tudo indica que haverá crescimento das exportações e, em consequência, redução do déficit.
O diretor de compras da Mercedes-Benz do Brasil, Erodes Berbetz, surpreendeu a plateia do Seminário Autodata de Compras Automotivas, na manhã da segunda-feira, 16, ao revelar projeção de vendas de caminhões para este ano de apenas 90 mil unidades. Tal volume representaria queda de 35% sobre as 139 mil do ano passado e meta dos emplacamentos de 2012.
O segundo parque de fornecedores da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, em Goiana, PE, ficará pronto em cerca de dois anos, revelou Roger Dias, diretor adjunto de compras da FCA para a América Latina.
A General Motors pretende reduzir o número de fornecedores de componentes para seus modelos, atualmente em aproximadamente 5,7 mil empresas considerando-se todos os elos – das quais dois terços são nacionais. Segundo Fred Roldan, diretor de supply chain para a América do Sul, o objetivo é concentrar as compras para ampliar parcerias.
Dar sequência a processo de consolidação para fortalecer as estruturas e assim ampliar o faturamento é um dos caminhos indicados para as pequenas e médias empresas que formam a faixa dos Tier 2 de fornecimento. Essa análise foi apresentada por Maurício Muramoto, diretor da Deloitte do Brasil, em painel que abordou os problemas enfrentados por esse degrau da cadeia automotiva no Seminário AutoData Compras Automotivas 2015, organizado na segunda-feira, 16, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo.
“Sem parceria comercial não é possível viabilizar nenhum projeto”. Assim resume o diretor de engenharia de manufatura da Volkswagen do Brasil, Celso Placeres, ao se referir à decisão da empresa em construir uma segunda unidade de produção de motores na fábrica de São Carlos, SP, para produzir a família EA 211, na manhã de segunda-feira, 16, durante o Seminário AutoData de Compras Automotivas 2015, em São Paulo.
A edição de número 308 da revista AutoData, do mês de abril, já está disponível para acesso on-line, tanto via computadores quanto aparelhos portáteis como smartphones e tablets, tanto os de sistema iOs quanto Android.