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Comportamento e Desperdício
Vicente Alessi Filho
O exemplo da duplicação da capacidade instalada da Scania Latin America – 20 mil unidades hoje, com 14,8 mil efetivadas em 2004 e projeção para a produção de 16 mil a 17 mil este ano – é caso clássico da união da escolaridade do pessoal de chão-de-fábrica com a decisão de inserção global da companhia. O que permeia essas duas atitudes é o seu caráter estratégico, cada um a seu tempo.
“O que fizemos foi investir nas pessoas”, recorda o diretor industrial Sidney Basso. “E, depois, adotar o mundo como foco de nosso negócio.”
Os série 4 - Simples? Talvez. Talvez até demorado para o ciclo aceito como razoável. E há uma razão para isso: a decisão com relação ao padrão de escolaridade dos funcionários é de 1994 e a de ter o mundo todo como alvo de 1997.
Até 1997 a Scania produzia, aqui, veículos comerciais pesados desenvolvidos basicamente para aplicações em países da América Latina. Dispunha de capacidade instalada para 10 mil unidades por ano, mas fazia menos.
O perfil começou a mudar com a chegada dos Série 4: a idéia era renovar a linha, duplicar a capacidade e habilitar a empresa para participar de programa eleito pela matriz, que se dispunha a vender para o mundo todo.
“A matriz aprovou projeto que se transformou em seu sistema global: o mesmo produto sendo produzido em todas as unidades Scania e de comercialização internacional.”
Aqui, ao longo dos anos subseqüentes a 1997, foram investidos mais de US$ 300 milhões, aplicados principalmente em processos produtivos por causa da absoluta necessidade de acompanhar os requerimentos tecnológicos dos clientes. Esse movimento implicou outro, externo mesmo à fábrica, na forma de aprimorar processos e, óbvio, qualidade de fornecedores, visando a adequá-los a tornar-se supridores mundiais da Scania. A fórmula adotou movimento de contrabalanço com relação à amortização de investimentos diante de, ainda, pequenos volumes.
“Todas as operações da companhia foram dotadas de sistemas internos comuns: negócios, processos, toda a área de informática, a ordem de produção”, diz Basso. “Mudamos substancialmente nossa forma de trabalhar, do organizacional ao industrial.”
Com isso a Scania Latin America alterou seus padrões de capacitação operacional, integrada ao sistema mundial da companhia e pronta para novidades:
“Informática, profundo conhecimento dos produtos e a língua inglesa passaram a fazer parte do cotidiano na forma de pré-condição”.
Resultado: com o chão-de-fábrica preparado a empresa tem condições de produzir, hoje, 95% de todas as especificações mundiais da Scania, cerca de 7 milhões de combinações.
Mas e a escolaridade, um dos pilares do aumento de capacidade instalada e da inserção mundial da empresa localizada em São Bernardo do Campo, SP?
“Desde 1994 vimos trabalhando na ampliação da base de conhecimentos de nossos funcionários. Foi um trabalho desenvolvido passo a passo e que hoje mostra os seus resultados: 86% do pessoal que trabalha na linha têm segundo grau, em formação técnica. E 16% dispõem de graduação universitária. Todo esse grupo é, fundamentalmente, o mesmo de onze anos atrás.”
Atacou-se por várias frentes: acordos com entidades como Senai, cuidados especiais em todos os itens sob influência humana passível de erro e sua redução ao extremo, equipamentos de última geração, US$ 30 milhões para assegurar processo industrial igual ao europeu, 2,7 mil horas de treinamento/homem/ano, metalúrgicos vestindo camisas brancas impecáveis. Ou seja: no caso, princípios, métodos e resultados.
O telhado - Mudou a percepção do trabalho na hora de gerar ações: o tradicional por-que-estou-fazendo-isso? foi substituído pelo o-que-vou-atingir-fazendo-isso? E aí surge a estrutura, semelhante à de uma casa, com alicerces, piso, paredes e telhado – o telhado, por exemplo, representa a melhoria contínua.
“Nossa maior mudança, mesmo, foi a comportamental”, garante Basso. “Diminuímos os desperdícios, e só quem faz trabalho neste sentido é que sabe quantificar o que se joga fora todo ano, inutilmente. E ganhamos muito em produtividade, exatamente pelo esforço com relação aos desperdícios.”
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