Nada como uma boa concorrência, dizem muitos. A chegada de novos produtos no segmento de entrada tem acelerado decisões, principalmente daquelas empresas que estão à frente. Justificar perda de espaço não é missão das mais agradáveis e os executivos da Fiat não querem ter esse inconveniente tão cedo. Tanto que, no espaço de duas semanas, apresentaram reformulações no Fiat mais barato do Brasil, o Mille, e na picape Strada, ainda em meio aos preparativos para o lançamento do Linea, apresentado este mês (veja encarte).
Nos anos 70 e 80 a Volkswagen tinha dois ótimos argumentos para justificar o fato de o Fusca – por 24 anos o modelo mais vendido do País – ter sempre a mesma cara, o mesmo jeitão. Primeiro: ele já era perfeito desde o nascimento, um desenho inconfundível quase impossível de mexer. Segundo: o comprador do Fusca queria melhorias apenas na parte mecânica, o que a montadora promovia – ainda que a conta-gotas.
Palavras-chave. Guardadas as devidas proporções de tempo e espaço é justamente isto que a Fiat está fazendo com o Uno, que, assim como o Fusca, é praticamente o mesmo desde que nasceu e, também como o VW em sua época, é a opção mais barata do mercado.
Certamente não é coincidência também a Fiat promover o Mille com três palavras-chave: confiabilidade, durabilidade e economia – mais uma comparação com a forma da VW vender o Fusca. E também não é coincidência o fato de as mesmas características serem o sonho perfeito de qualquer frotista de veículos.
Para manter o interesse do prezado consumidor pessoa jurídica pelo Mille – e beliscar uma ou outra pessoa física, especialmente no Interior – a Fiat ataca agora com Mille Economy, basicamente o mesmo Uno de guerra porém até 10% mais econômico em consumo, segundo as contas da montadora.
O modelo ganhou o mesmo motor Fire 1.0 flex remodelado de Palio e Siena, mas com potência inferior de olho, justamente, na economia de combustível. Outras melhorias no mesmo sentido foram aplicadas, como pneus com menos resistência ao rolamento e quinta marcha mais alongada.
No painel agora há instrumento, batizado pela Fiat de Econômetro, que interpreta eletronicamente informações de giro do motor e velocidade e calcula o consumo instantâneo, demonstrando se a condução está econômica em termos de consumo de combustível ou não.
Outro atrativo: redução de preço. São R$ 500 a menos nas versões de duas e quatro portas, que agora passam a custar R$ 23,2 mil e R$ 24,9 mil. Esse sim o grande atrativo para quem leva em conta o bolso. Suficiente inclusive para que o veterano Uno mantenha a quarta posição no ranking de vendas – somou 81,6 mil unidades até julho de 2008.
Way. Ainda assim, para quem quiser um charme a mais, a Fiat criou a versão Way Economy, com suspensão um tanto mais alta e molduras nas caixas de roda. Os diferenciais antes compunham kit vendido nas concessionárias e agora já saem direto da fábrica. Neste caso também entra o fator preço. A de duas portas sai por R$ 23,7 mil e a de quatro portas por R$ 25,5 mil, ambas R$ 780 mais baratas do que com o kit.
A montadora espera, na verdade, até elevar as vendas do hatch. Algo como 10%, com as versões Way respondendo por cerca de 40% das vendas totais.
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Frente e equipamentosDuas semanas antes de lançar o Mille Economy a Fiat fazia festa para a nova Strada. A picape, líder do segmento há quase oito anos, ganhou o frontal de Siena e Palio Weekend. Os três modelos, contudo, diferem esteticamente do Palio, o primeiro a ser reformulado, mas sem o refinamento presente em seus derivados.
Afora a nova dianteira e lanternas traseiras a carroçaria da picape em pouco difere da anterior e que foi mantida nas versões de entrada. O modelo ganhou uma ou outra melhoria mecânica e, na versão Adventure, inclinômetro, bússola e o Locker, sistema de bloqueio de diferencial.
Outras novidades: tampa traseira removível, com chave, e nova fixação do estepe na versão cabine estendida – o usuário pode deslocar o estepe da caçamba para o interior da cabine caso necessite de mais espaço para carga. A Fiat oferece a Strada com a nova carroçaria com Fire 1.4 Flex e 1.8 Flex, cabines simples e estendida e duas versões de acabamento, Trekking e Adventure. Preços a partir de R$ 36 mil para a Trekking 1.4.
Mas o consumidor terá que desembolsar R$ 47,1 mil se quiser comprar a Adventure, caracterizada, sobretudo, por novas rodas de liga leve, molduras nos pára-lamas, estribos, barras na caçamba e rack.
Lélio Ramos, diretor comercial da montadora, acredita que a nova aparência e equipamentos garantirão algum avanço sobre os 52% de participação no segmento que o comercial leve mantêm nos últimos meses. Diante da inoperância da concorrência é bem provável que isso aconteça e até com relativa facilidade.
(George Guimarães)