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EDIÇÃO 251    Julho/2010
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Reportagens

Produção engatada

Alzira Rodrigues



O mercado está bem mais aquecido do que o esperado há alguns meses e as perspectivas no segmento de motores diesel são positivas não apenas para 2010 mas, principalmente, para médio e longo prazos.

A MWM International Motores, por exemplo, estima dobrar produção em cinco anos para acompanhar o crescimento do mercado interno e dar conta dos novos contratos de exportação. A Cummins Brasil reviu para cima sua projeção para 2010, projetando agora crescimento de 50%, e está em fase de aprovação de novo programa de investimento para os próximos anos.

Precaução. A MWM International investirá US$ 345 milhões de 2010 a 2015 em novos produtos, capacitação de funcionários e novo maquinário para melhorar eficiência e qualidade. A empresa não descarta ampliar a fábrica de São Paulo: já negociou com a Prefeitura mudanças na lei de zoneamento que restringia expansão industrial no bairro de Santo Amaro, onde está instalada.

De acordo com Michael Ketterer, diretor de vendas e marketing da empesa para a América do Sul, "os investimentos em maquinário permitirão aumento de produção mas não podemos descartar a necessidade de virmos a ampliar nossa área industrial. Por isto nos adiantamos e conversamos com a Prefeitura".

A MWM International iniciou 2010 projetando produção de 122 mil motores, reviu o número para 130 mil e posteriormente para 140 mil. Agora já admite até chegar a 143 mil, o que representaria crescimento de 25% sobre o ano passado, 112 mil, e pequena expansão sobre 2008, 141 mil.

Além do PAC, plano de aceleração do crescimento, da Copa do Mundo e das Olimpíadas o que reforça a perspectiva positiva para os próximos anos é o crescimento da classe C no Brasil: "Só no ano passado foram incorporados 25 milhões de consumidores nessa faixa, favorecendo a economia como um todo e em especial o setor de transporte":

"O Brasil é realmente a bola da vez. O País cresceu menos do que outros países do Bric, como China e Índia, mas em compensação tem estabilidade política e econômica que os demais não têm".

A subsidiária brasileira tem exportado serviços de engenharia para os Estados Unidos: "A Índia também tem custo mais baixo, como nós, mas não tem a nossa qualidade".

A empresa tem investido pesado em combustíveis alternativos, como B-100 para o mercado agrícola e diesel-álcool. Atualmente opera na média com 70% da sua capacidade, índice que em algumas linhas atinge 85%, 90%. No primeiro semestre foram contratados 290 empregados e hoje o quadro chega a 3,3 mil pessoas. As linhas Action e X-10, de motores médios e pesados, são as que estão mais aquecidas.

Neste julho a MWM International promove workshop com seus fornecedores para apresentar projeções e números de mercado e de produção e enfatizar a necessidade de todos investirem para acompanhar a demanda crescente no setor.

Atualmente a empresa exporta 30% do que produz, índice que deve crescer nos próximos anos em função de novas parcerias internacionais do grupo, dentre as quais a acertada com a Daewoo, da Coreia, para fornecer motores compatíveis com a norma Euro 5.

Tem, também, negócio recém fechado com a Otokar, da Turquia, que receberá do Brasil motores MaxxForce que equiparão ônibus comercializados naquele país e em outros mercados globais. O contrato é de seis anos e as exportações começam em 2011: "Estamos prospectando mais parceiros mundiais, incluindo novos acertos na China".

Internamente a MWM International já fechou negócio para montar aqui motores MAN que equiparão os caminhões MAN. A produção será iniciada no ano que vem. A projeção da fabricante de motores é de que o mercado interno de caminhões cresça ao ritmo de 10% ao ano a partir de agora.

Também a Cummins, hoje com 1 mil 314 funcionários, está confiante diante das boas perspectivas da economia brasileira. O programa de investimento da empresa segue firme, envolvendo US$ 20 milhões este ano, em especial nas áreas de desenvolvimento de novos produtos e tecnologias – Euro 5 e Euro 6 –, qualidade, capacidade produtiva, processos de fabricação e pós-vendas. De 2004 a 2009 a empresa investiu cerca de US$ 120 milhões.

O gerente executivo de marketing e engenharia de clientes da Cummins Brasil, Luiz Chain Faraj, diz que o mercado tem surpreendido positivamente e que a empresa tem conseguido suprir a demanda. No ano passado sua produção foi de 60 mil motores, ante os 86 mil do ano anterior.

"Este ano a coisa está interessante. Projetávamos 60 mil, revimos para 70 mil e agora falamos em 92 mil, dos quais 90% para o mercado interno. Estamos trabalhando forte junto aos fornecedores para dar conta dos pedidos. Como há muitas empresas de fora tentando entrar aqui percebo que a cadeia está reagindo com maior rapidez."

Para Faraj até 2016, em função da Copa, das Olimpíadas e de programas governamentais, o crescimento do Brasil e do setor se dará de forma sustentada: "Daí para frente já não se sabe".

Este ano o crescimento projetado pela Cummins é de 50%. Além do aquecido mercado de caminhões e ônibus a empresa conquistou novos clientes, como a Máquinas Agrícolas Jacto, de Marília, SP, que têm favorecido seus negócios: "O mercado agrícola está bem aquecido. O único segmento que ainda não reagiu é o de exportações".

O maior mercado da fabricante é o automotivo, que responde por 80% do seu faturamento e envolve caminhões, ônibus e picapes: "Temos 50% de participação no segmento de máquinas de construção, mas é um mercado pequeno, da ordem de 25 mil a 30 mil unidades anuais".

Para dar conta dos pedidos a Cummins iniciou terceiro turno em abril. Está fabricando 380 motores/dia e tem como ampliar esse volume, se necessário, com a novas contratações: "Nossa capacidade é de 98 mil a 100 mil por ano. Até 2011 estamos bem. Mas no futuro teremos de ampliar a fábrica e estamos em fase de definição de um novo plano de investimento".

Segundo Faraj a reação das vendas surpreendeu por ter se dado antes do esperado: "Não é só o mercado de caminhões mas tudo, incluindo geração de energia".

Participação maior. As operações da Cummins na América Latina, exceto México, faturaram US$ 962 milhões no ano passado, 26% a menos do que em 2008, quando a receita bateu em US$ 1,3 bilhão.

Apesar da queda a participação da Cummins Brasil nos negócios da Cummins Inc. passou de 9,4% em 2008 para 9,6% em 2009.

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