Em 2009 a crença generalizada dos executivos das principais implementadoras brasileiras era de que o setor somente voltaria a repetir desempenho similar ao de 2008 em 2011. Pois o mercado enganou a todos e os números do ano mágico tendem a ser ainda mais vitaminados já no atual exercício. A se manter o quadro consolidado até agosto a produção nacional de implementos rodoviários deve alcançar 160 mil unidades, crescimento de 16% sobre o ano considerado como o melhor de todos.
Por conta desta surpreendente reação e pela mudança de governantes a partir de janeiro as estimativas do setor variam desde uma queda de 2% até a possibilidade de repetição dos mesmos índices, com média de 15%.
Riscos. A grande preocupação do setor, manifestada por Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, é a retomada da cobrança integral do IPI a partir de janeiro, e o término em março do PSI, Programa de Sustentação do Investimentos, que facilitou a compra de bens de capital. Na avaliação de Marcos Guerra, vice-presidente do conselho de administração da Guerra, de Caxias do Sul, RS, a consolidação das projeções dependerá muito da política de financiamento do BNDES:
"Esperamos que o futuro governo mantenha a atual política do Finame e do Pró-Caminhoneiro, subsidiado. A renovação de frota só será tralizada, neste setor, se houver financiamento facilitado via Finame."
Também é consenso que a expansão será sustentada pelas obras relativas aos eventos esportivos de 2014 e 2016 e pela continuidade das obras do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. Wolf Campos também acredita "na continuidade da expansão do agronegócio, da indústria automotiva e da construção civil". Ele estima produção de 173 mil unidades, acréscimo de 5%. Destas, 111 mil devem ser carroçarias sobre chassis, mais 6%, e 62 mil veículos rebocados, quase 11% de alta.
Para Wolf Campos a produção crescerá para atender a demandas internas, para as quais projeta vendas totais de 169 mil implementos, alta de 6%, dos quais 111 mil carroçarias sobre chassis. A comercialização doméstica de rebocados é projetada em 58 mil, incremento de 4%. As exportações devem repetir as 4 mil unidades de veículos pesados esperadas para 2010.
Maior implementadora do País a Randon, de Caxias do Sul, RS, trabalha com a expectativa de crescimento da produção nacional de 2% a 3%, somando 155 mil unidades. Este volume deve ser dividido em 96 mil carroçarias sobre chassis e 59 mil veículos rebocados.
Para seu diretor comercial, César Pissetti, a expansão se dará tanto interna como externamente, projetando a exportação de 6,5 mil veículos pesados em 2011, muito próximo dos 7 mil de 2008, e mais de 60% acima as expectativas deste ano – até julho foram embarcadas 2,4 mil unidades. Internamente projeta o emplacamento de 148,5 mil unidades.
Pisetti acredita na repetição do volume de veículos pesados e incremento na linha leve. Cita construção civil, mineração, indústria automotiva e o agronegócio como setores que mais influenciarão positivamente as vendas. Caso a economia se mantenha aquecida acredita no aumento de consumo de eletroeletrônicos, móveis e combustíveis, exigindo também maior volume de compras de furgão para carga geral, siders e tanques:
"É muito forte a expectativa de que a classe C continue aumentando seu poder de compra, o que influencia diretamente nestes segmentos de mercado".
Com relação a 2011 ele adianta que o objetivo inicial é manter participação, que em 2010 deverá ser de 35%, algo como 22,5 mil veículos rebocados. O volume de exportações se manterá estável em 4 mil unidades.
A diretoria da Librelato, de Orleans, SC, tem a expectativa de que o mercado se manterá aquecido, com índices próximos aos deste ano. O diretor de rede de distribuição, Pedro Bolzzoni, e o diretor administrativo-financeiro, José Carlos Spricigo, acreditam que todos os segmentos devem continuar em alta, com destaque para a linha de basculantes e a de graneleiros para atender o aumento da safra agrícola.
As metas da Librelato para 2011 são crescer 70% na linha pesada e 60% na leve. Para alcançá-las haverá nomeação de novos distribuidores, em especial no mercado externo, com foco nos países do Mercosul. O objetivo é ter nas exportações 5% da receita. Haverá investimentos respeitável também na ampliação do mix de produtos.
O diretor financeiro e de relações com investidores da Recrusul, Bernardo Flores, trabalha com visão de queda de 2% na produção em 2011. Projeta total de 142 mil unidades ante 146 mil esperadas para este ano. Além de concordar com os efeitos negativos do fim da isenção do IPI ele acrescenta possíveis mudanças econômicas que podem ser propostas pelo novo governo e o crescimento menos acentuado do PIB no ano que vem.
O diretor da empresa de Sapucaia do Sul, RS, acredita que a construção civil continuará aquecida, demandando basculantes e silos para cimento, e o comércio internacional exigirá maior volume de porta-contêineres. Flores não especifica índices de metas da empresa para 2011 mas diz que o objetivo é elevar volumes de produção e market share. A Recrusul programa investir R$ 1 milhão em 2011 e agregar cerca de oitenta funcionários, fechando o ano com quadro de 330 pessoas.
O diretor corporativo da Hübner Participações, Nélson Hübner Júnior, que controla a Rodo Línea, de Curitiba, PR, estima que a produção nacional de 2011 supere 172 mil unidades, alta de 15% sobre a estimada para este ano, que é de 150 mil implementos. Do volume total projeta exportações não superiores a 10%.
Para o diretor da Rodo Línea além da retomada da cobrança integral do IPI e das alterações nas taxas de juros do Finame, de 4,5% para 10,5% anuais, também influenciará negativamente a provável elevação do custo do aço. A favor do crescimento do mercado ainda relaciona o aumento da safra de grãos e da área plantada.
Hübner estima que sua empresa produzirá 2,8 mil implementos, alta de 20%. Destes 95% serão de equipamentos pesados e 5% da produção seguirá para o Exterior.
Para atender à demanda a diretoria elevará a capacidade de produção atual em 25% a partir de março. O número de quinhentos funcionários pouco crescerá, pois um dos objetivos é qualificar ainda mais os processos de fabricação, com reflexos na produtividade das linhas de produção e na qualidade dos produtos.
A Guerra estima que a produção nacional de veículos rebocados crescerá 10% em 2011 sobre as 55 mil unidades deste ano. Em torno de 6 mil devem seguir para o Exterior. Marcos Guerra acredita na forte expansão de modelos canavieiros para atender a alta demanda de açúcar no mercado internacional e a necessidade crescente de álcool para consumo interno. O basculante também terá impulso maior em função das obras do PAC e Copa do Mundo, além do ritmo acelerado na construção civil. Também deve crescer a demanda por furgões e siders.
Investimentos. Para a Guerra, segunda maior do País, a projeção é de crescimento de 10%, atingindo marca próxima a 10 mil unidades, exclusivamente de rebocados. A direção está definindo investimentos de R$ 20 milhões para aplicar em duas unidades fabris. Já o número de funcionários será mantido em 2 mil.
Rafael Wolf Campos acredita que, em função de investimentos na ordem de R$ 700 milhões consolidados nos últimos anos, a indústria capacitou-se para atender à demanda esperada. Ele avalia que o setor tem, atualmente, condições de produzir em torno de 200 mil unidades/ano, dos quais 74 mil veículos rebocados e 106 mil carroçarias sobre chassi. O número atual de empregos diretos e indiretos se aproxima de 62,5 mil, mas o presidente da Anfir antecipa a necessidade de contratar em torno 1,8 mil diretos em 2011.
