São Paulo – A queda na produção argentina de veículos e as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos foram os principais fatores para o déficit de US$ 7,8 bilhões na balança comercial de autopeças nos primeiros seis meses do ano, segundo o Sindipeças. O resultado negativo foi 4% superior ao do primeiro semestre do ano passado.
As exportações recuaram 5,5% no período, para pouco menos de US$ 3,8 bilhões. As importações somaram US$ 11,6 bilhões, em estabilidade com relação a 2025, leve avanço de 0,7%.
Exportações em queda
A Argentina, que teve produção de veículos 18% menor no primeiro semestre, reduziu suas compras de peças brasileiras em 22,7% na mesma base comparativa. O país vizinho ainda é o principal cliente dos produtos nacionais, com US$ 1,2 bilhão em compras, cerca de 32% das exportações de autopeças produzidas no País.
Outro cliente importante são os Estados Unidos: comprou US$ 566,4 milhões de janeiro a junho. O valor, porém, foi 10,4% abaixo do mesmo período do ano passado, ainda antes das novas tarifas de 25% aplicadas pelo governo de Donald Trump na semana passada.
Segundo o Sindipeças a América do Sul concentra metade das exportações brasileiras de autopeças. As vendas para a região recuaram 9,1% no primeiro semestre, puxada pela Argentina. Contudo outros mercados apresentaram bom resultado: as vendas para o Peru subiram 87,5%, para a Colômbia 36,6% e para o Paraguai 23,9%.
De acordo com a entidade “tais resultados evidenciam que a fraqueza regional está concentrada no mercado argentino, e não refletem perda generalizada de competitividade das autopeças brasileiras na região como um todo”.
Importações da China disparam
Em seis meses a compra de peças chinesas avançou 25%, somando US$ 2,6 bilhões. O principal fornecedor de componentes automotivos para o Brasil respondeu por 22,9% das importações.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, mesmo com o recuo de 10% nas importações, para U$ 1,1 bilhão. Curiosamente o país, que aplica tarifas para peças brasileiras, é superavitário em quase US$ 600 milhões no setor.
Outro país que cresceu bastante foi a Indonésia, com avanço de 47%, para US$ 168 milhões e representa apenas 1,5% do total das importações brasileiras.

















