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Conselho do Grupo Volkswagen discute o futuro da companhia

Reunião está agendada para 4 de setembro para definir plano de reestruturação que poderá custar empregos

São Paulo – A sexta-feira, 4 de setembro, pode ser decisiva para o futuro do Grupo Volkswagen. O Conselho de Supervisão da companhia alemã se reúne para analisar os planos de reestruturação propostos pela diretoria liderada pelo CEO Oliver Blume. Segundo a Automotive News Europe ele já adiantou que a montadora tem custos operacionais 30% superiores aos de seus concorrentes.

A imprensa alemã tem noticiado que até 140 mil postos de trabalho estão em risco globalmente, a maior parte no país-sede. Lá a intenção é fechar ao menos quatro fábricas: Emdem, Zwickau, Hannover e Neckarsulm, esta última da Audi, até 2034. Existem planos também de descontinuar a marca Seat até 2029.

O argumento de Blume é que a competição com os carros elétricos chineses aumentou ao passo em que as vendas caem. A adoção dos elétricos pelos europeus também vem sendo feita em velocidade inferior à esperada pela Volkswagen – não à toa as fábricas planejadas para fechar as portas produzem veículos elétricos, como o ID.4 e o ID.7.

A dificuldade enfrentada pelo CEO tem a ver com a estrutura de governança da companhia. São vinte cadeiras, dez representadas pelos acionistas e dez por representantes dos trabalhadores. Mas o governo da Baixa Saxônia é um dos acionistas e costuma votar ao lado dos trabalhadores em questões de empregos e fábricas.

Do lado do IG Metall, o sindicato dos metalúrgicos alemão, demissões estão fora de discussão. A presidente Christiane Benner afirmou ao jornal alemão Augsburger Allgemeine Zeitung que a empresa deveria reduzir os dividendos aos acionistas e produzir novos modelos em fábricas subutilizadas, além de cortar custos sem dar ônus aos trabalhadores, de acordo com a Automotive News.

O primeiro-ministro da Baixa Saxônia, Olaf Lies, que ocupa uma das duas cadeiras do estado no conselho, afirmou que a VW deveria aproveitar a crescente participação dos veículos elétricos na Europa e que a solução seria aumentar a produção em vez de fechar fábricas. 

Os principais acionistas, a família Porsche-Piech, herdeiros de Ferdinand Porsche, e um fundo de investimento do Catar, pedem que ações rápidas e efetivas sejam tomadas.

“Pelo bem da empresa e de sua competitividade sustentável, todos devem agora se mobilizar e assumir a responsabilidade”, disse Hans-Dieter Pötsch, presidente da Porsche AG e do Conselho de Supervisão do Grupo VW: “Quanto mais as decisões forem adiadas, maiores serão os problemas”.

Caso exista empate o presidente tem direito a um voto a mais.

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