Porto Feliz, SP – Eram cerca de 13h30 de 22 de setembro de 2025 quando a chuva apertou nas proximidades da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz, no Interior paulista. Uma queda de energia ativou os protocolos de segurança e os trabalhadores foram encaminhados a uma área longe da produção, devidamente protegidos.
Foi o que ajudou a evitar uma tragédia ainda maior: em poucos minutos o vendaval derrubou o telhado da unidade, atingindo apenas as máquinas. Não havia ninguém ali.
Gilberto Paulino Júnior, diretor da fábrica de Porto Feliz, estava a alguns quilômetros de lá, na unidade de Sorocaba. Foi alertado pelo sistema interno da Toyota de que algo de anormal estava acontecendo na fábrica de motores e buscou comunicação com a equipe. Após alguns minutos estava a par do ocorrido.
“Minha primeira preocupação foi saber como estavam os trabalhadores. Felizmente ninguém se machucou. Tivemos um treinamento duas semanas antes, que certamente colaborou para que nada de pior ocorresse”.




Os prejuízos foram apenas materiais, portanto. Alguns trabalhadores tiveram ferimentos leves, mas nada mais. A fábrica ficou parada e precisou ser totalmente reconstruída. E exatamente um ano depois, em 22 de setembro de 2026, volta a operar. A área de fundição retoma suas atividades, com máquinas novas e uma nova estrutura física.
Fundição reinaugurada
A área de fundição foi uma das mais afetadas, segundo Paulino Jr. Alguns fornos foram perdidos, porque o alumínio que estava lá dentro endureceu. Mas já estava prevista a substituição dos equipamentos por novos.

Para a reinauguração toda a estrutura física foi renovada. O diretor disse que restou apenas o chão: telhas, pilastras, tudo foi reconstruído. As pilastras de concreto deram lugar a estruturas de metal, que, calcula a Toyota, são 45% mais resistentes.
“As antigas já eram bem resistentes. O que aconteceu na fábrica foi uma fatalidade, foi semelhante a uma explosão”, contou o diretor enquanto mostrava algumas fotos, emocionado.
A reconstrução seguiu também um projeto já vislumbrando eventuais ampliações, de acordo com o executivo, visivelmente feliz com a retomada em tempo recorde. Mas foi um ano de muito trabalho.
Solução para manter a produção
Passado o susto, a Toyota foi atrás de contabilizar prejuízos e já antever solução para manter a operação brasileira. Como opera em sistema just in time, sem estoque, a paralisação na produção de motores em Porto Feliz fatalmente interrompeu a de veículos em Sorocaba e Indaiatuba.
Grupos de ação foram montados, cada um com uma missão: identificar o status do maquinário, busca por soluções para manter a produção e interlocução com governo, sindicatos e fornecedores.
Paulino Jr visitou diversos galpões na região, alguns até oferecidos por fornecedores parceiros. Ele calculava precisar de área de 28 mil m² para guardar os equipamentos – são mais de seiscentas máquinas. A pouco mais de 11 quilômetros da fábrica encontrou um galpão dentro de um condomínio logístico, com 45 mil m².
“Recebi o ok da diretoria e fechamos a locação, quatro dias depois do acidente. Como era recém inaugurado, precisamos alinhar questões de fornecimento de energia, o que atrasou um pouco. Em janeiro produzimos lá o primeiro motor, com as máquinas transferidas”.
Neste intervalo a matriz reorganizou a cadeia de produção. Do Japão passou a vir o motor 2.0, que equipa Corolla e Corolla Cross, com os sistemas flex enviados de fornecedores brasileiros. O 1.5 do Yaris Cross era mais complicado, pois o sistema de injeção direta é exclusivo do Brasil. Tanto que o lançamento do modelo foi atrasado.
Correndo para retomar a fábrica
Mas era uma solução temporária. Com este argumento, licenças temporárias de importação foram concedidas pelo governo, com os motores entrando como ex-tarifários por causa da situação. A Toyota corria para voltar a produzir seus motores no Brasil.
Desde janeiro os 1.5 flex são montados no galpão dentro do DVR Business Park. A fundição e os 2.0 vinham do Japão, mas com a reinauguração da fábrica de Porto Feliz restarão importados apenas os motores do Corolla e Corolla Cross.

“Pretendíamos montar o 2.0 aqui também, mas a matriz disse para ficarmos tranquilos que eles conseguiriam atender à demanda. Então trouxemos para o galpão as máquinas, que estão paradas, e focamos em produzir os do Yaris Cross”.
No galpão estão todos os equipamentos, a área de logística que encaminha o sistema flex para o Japão, almoxarifado e escritórios. Após a reinauguração da fundição começam os trabalhos para transferir as linhas para a fábrica original, que segue em reconstrução. A ideia é primeiro levar os 2.0, mantendo a operação dos 1.5 em paralelo no DVR, e depois retomar tudo.
“Nossa previsão é que no início de 2028 estejamos produzindo os 2.0 novamente na fábrica de Porto Feliz. Depois estudaremos quando faremos a transferência do 1.5”.
Com o início da operação de fundição 150 trabalhadores voltam à fábrica reconstruída, de um total de 370. Os demais estão em Sorocaba – nenhuma demissão foi feita no processo.
























