Em destaque

Juros comprimem margens e deixam mercado de caminhões em xeque, avalia DAF

DAF estima mercado de cerca de 80 mil caminhões acima de 16 toneladas em 2026 e espera estabilidade em 2027, mas alerta para custos maiores, inadimplência e perda de rentabilidade
Luis Gambim DAF
Fotos: DAF

Hannover, Alemanha — O mercado brasileiro de caminhões entrou em uma fase na qual vender mais não significa necessariamente ganhar mais. Para a DAF Caminhões, o aumento dos custos de produção, a dificuldade de repassar preços e o custo do financiamento estão comprimindo as margens das montadoras e dos transportadores.

Luís Gambim, diretor comercial da DAF Caminhões, disse que a combinação de juros elevados e inadimplência transformou a gestão comercial em um verdadeiro jogo de equilíbrio: “Não tem mais margem de caminhões”, resumiu.

Segundo Gambim, o problema não está apenas na taxa de juros. O custo de produção dos veículos aumentou, mas as montadoras não conseguiram repassar integralmente aos preços.

Custo sobe, preço não acompanha

A pressão aparece justamente no financiamento, um dos principais mecanismos para facilitar a compra de caminhões no Brasil. Gambim cita como exemplo a diferença entre uma taxa de 1,30% e outra de 1,10% ao mês. Para o cliente, a diferença parece pequena. Para uma operação envolvendo dezenas ou centenas de caminhões, porém, o impacto financeiro cresce rapidamente.

Nesse cenário, a montadora precisa encontrar espaço para subsidiar condições comerciais sem destruir a própria rentabilidade. A equação fica ainda mais complexa quando o cliente enfrenta dificuldades financeiras: “O número de recuperações judiciais é muito grande. Tem muita gente quebrando”.

Para o executivo, a inadimplência chegou a um nível que passou a influenciar diretamente as decisões de venda e financiamento.

Mercado menor, mas ainda saudável

Mesmo diante das dificuldades a DAF não trabalha com um cenário de forte retração. Gambim estima que o mercado brasileiro de caminhões acima de 16 toneladas ficará em aproximadamente 80 mil a 82 mil unidades em 2026, contra cerca de 86 mil no ano anterior.

Para 2027, o executivo trabalha com estabilidade. A avaliação considera que o mercado ainda tem uma demanda represada por renovação de frota. Além disso, o transporte brasileiro continua precisando substituir veículos mais antigos, mesmo em um ambiente de crédito restritivo.

Move Brasil antecipou decisões

O programa Move Brasil também alterou o comportamento de compra ao longo de 2026. Para a DAF a primeira fase do programa ajudou a destravar decisões que estavam represadas. A segunda etapa ganhou ainda mais relevância para sustentar a produção.

Com as duas linhas do programa a DAF faturou aproximadamente R$ 1,2 bilhão, segundo Gambim, com cerca de 1,6 mil caminhões comercializados. Entretanto, o efeito não termina no momento da contratação. Parte das vendas ainda aparece nos emplacamentos dos meses seguintes, criando uma espécie de efeito residual sobre os números do mercado.

Por isso o executivo espera uma desaceleração mais evidente depois do encerramento dos efeitos do programa a partir deste segundo semestre.

Fenatran pode preparar 2027

Nesse contexto a Fenatran ganha importância comercial. Gambim avalia que a feira, realizada em novembro, terá pouco impacto sobre o fechamento de 2026, pois boa parte do mercado estará praticamente definida. Mas o evento pode funcionar como uma plataforma para preparar negócios do primeiro trimestre de 2027.

A expectativa da DAF é que clientes aproveitem a feira para avaliar novos produtos, negociar condições e preparar a renovação de frota para o próximo ciclo.

A ausência de um novo Move Brasil em 2027 também deve mudar a dinâmica do mercado. Sem o programa, o setor terá de encontrar outras formas de financiar a renovação.

DAF cresce sem depender apenas do mercado

É nesse ponto que entra a estratégia de portfólio da DAF. Em vez de esperar uma expansão do mercado total, a empresa busca ganhar participação em segmentos nos quais ainda tem espaço.

A companhia já alcança aproximadamente 13,5% a 14% do segmento de caminhões rodoviários acima de 16 toneladas com o XF. Agora, pretende crescer nos vocacionais e nos semipesados.

O movimento também reduz a dependência da empresa em relação ao transporte rodoviário de longa distância, segmento no qual a DAF consolidou sua presença nos últimos anos. A estratégia combina defesa da participação atual com busca por novos negócios.

vwco

Notícias relacionadas

vwco
vwco

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

vwco