Produzir veículos com cadeia local de centenas de fornecedores é tarefa industrial das mais complexas a qualquer tempo e em qualquer lugar. No Brasil dos anos 1950, onde até então só existiam operações de montagem de partes importadas, esta era uma missão considerada impossível, dada a ainda incipiente indústria local de autopeças, sem falar na total falta de standards de qualidade. Neste cenário a Mercedes-Benz esteve dentre as primeiras empresas a encarar o desafio de nacionalizar a produção e construir do zero seus canais de abastecimento, servindo de berço da indústria automotiva no Brasil.
Esta história, no entanto, começou bem antes de qualquer executivo da Alemanha enxergar que era bom negócio colaborar com industrialização do País. A ideia – e a insistência – de produzir caminhões e ônibus Mercedes-Benz com alto grau de nacionalização era do empresário polonês Alfred Jurzykowski (leia sua história nesta edição). Ele era, desde o início da década de 1950, representante exclusivo da marca no mercado brasileiro, já montava alguns modelos no Rio de Janeiro, RJ, e em São Paulo, e por conta própria – literalmente, com o muito capital e influência de que dispunha – decidiu instalar produção completa de veículos Mercedes-Benz no Brasil.
Ainda no segundo governo de Getúlio Vargas, em 1951, pelas mãos de Jurzykowski, a Mercedes-Benz foi a primeira fabricante estrangeira a apresentar à Comissão de Desenvolvimento Industrial sua intenção de nacionalizar a produção de veículos no País. Ato contínuo, o empresário começou a buscar profissionais para construir sua indústria nascente. Um dos primeiros foi o general reformado Edmundo de Macedo Soares, engenheiro metalúrgico que fazia parte do quadro militares brasileiros envolvidos na industrialização do País – que anos antes, por considerar o setor automotivo estratégico, criaram a graduação de Engenheiro de Automóveis no IME, Instituto Militar de Engenharia.
DO TERRENO À FÁBRICA EM TRÊS ANOS
Esta reportagem foi publicada na edição 436 da revista AutoData, de Setembro de 2026. Para lê-la completa clique aqui.
Foto: Divulgação Arquivo Mercedes-Benz























