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Orgulho nacional: o sensor de etanol da Marelli 

Desenvolvido e produzido em Hortolândia, SP, componente identifica a composição do combustível antes da combustão, melhora desempenho, reduz consumo e emissões e já equipa veículos de grandes fabricantes

O avanço dos motores flex no Brasil está abrindo espaço para uma nova geração de tecnologias desenvolvidas no próprio País. Um dos exemplos é o sensor de etanol da Marelli, componente criado e produzido integralmente pela engenharia brasileira e que começa a ganhar escala dentro e fora do mercado nacional.

Instalado na linha de combustível, antes de sua chegada ao motor, o sensor mede qual o exato mix de combustível que está sendo enviado ao motor. A leitura utiliza propriedades elétricas do combustível e permite determinar com precisão sua composição. A informação é “interpretada” por um mapa e enviada imediatamente à unidade eletrônica de controle do motor, que pode adequar parâmetros como injeção e ignição ao combustível.

É uma evolução importante em relação à estratégia tradicional dos veículos flex. Sem a medição direta, o sistema reconhece a composição do combustível a partir de informações obtidas após a combustão, principalmente pela sonda lambda. Com o sensor, a ECU recebe essa informação antecipadamente, permitindo uma calibração mais rápida e precisa.

O resultado é maior controle da combustão, com benefícios potenciais para consumo, desempenho, proteção do motor e, principalmente, emissões. A tecnologia ganha relevância com o Proconve L8, em vigor desde janeiro de 2025, que tornou mais rigorosos os requisitos de emissões dos veículos leves brasileiros, particularmente desafiadores para motores turbo.

Tecnologia brasileira

Até então os sensores utilizados pelas montadoras brasileiras eram importados. A Marelli decidiu mudar esse cenário: desenvolveu localmente produto, software e processo industrial e iniciou sua fabricação em janeiro de 2025 na unidade de Hortolândia, SP, utilizando também insumos nacionais.

A nacionalização reforça uma trajetória de mais de vinte anos da Marelli no desenvolvimento de tecnologias para motores flex e coloca a operação brasileira em posição estratégica dentro do grupo. A produção ganhou escala rapidamente. “A fábrica possui atualmente capacidade para produzir 1,1 milhão de sensores por ano, mas uma segunda linha está em implantação e elevará esse volume para 2 milhões de unidades anuais”, garante Fernando Ferrari, Plant Manager.

Mais do que substituir um componente importado, o projeto transformou uma necessidade característica do mercado brasileiro em tecnologia com potencial global. Em um momento no qual os biocombustíveis ganham espaço nas estratégias de descarbonização mundo afora, a experiência brasileira com veículos bicombustíveis coloca a Marelli em posição privilegiada para exportar não apenas componentes, mas também conhecimento desenvolvido no País.

“O mais importante desse projeto é mostrar que o Brasil não precisa apenas importar ou adaptar tecnologias. Temos conhecimento em motores flex para desenvolver soluções completas, industrializá-las localmente e exportá-las para outros mercados. Esse sensor transforma uma competência histórica da engenharia brasileira em tecnologia com potencial global”, complementa Gino Montanari, Diretor de P&D.

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